sexta-feira, 10 de julho de 2020

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 1 - SEMANA 2 - 3º ANO EM - FILOSOFIA


TEMA: Moral e Ética
Bioética
A Bioética é um ramo da ética, embora reivindique sua autonomia, enquanto disciplina que trata da investigação e problematização específica das práticas médicas, das ciências biológicas e das relações da humanidade com o meio ambiente. Dentro desta perspectiva a bioética aborda a questão da responsabilidade e autoridade do médico frente ao direito e dever do paciente, bem como das intervenções e limites aceitáveis de certas experiências, tais como o aborto induzido; inseminação artificial e esterilização; escolha e predeterminação do sexo: a eutanásia; quebras de patentes; projetos de pesquisa sobre genética (células tronco, transgênicos, clonagem humana e de animais); biopirataria, uso de animais e seres humanos como cobaias, etc... Não ignorando que a cada nova descoberta e inovação podemos ter um novo problema para a bioética.

Se por um lado o conhecimento científico passou a ocupar um lugar preponderante no mundo moderno, desde as tecnologias utilizadas dentro das casas, nas empresas e indústrias, por outro lado, cada vez mais se desenvolve a preocupação latente como os resultados benéficos ou perigos da ciência. Questiona-se qual é o preço que a sociedade tem que pagar por certos ‘avanços’ tecnológicos, e as implicações éticas e morais de seus resultados.” (SEED-Pr, 2006, p. 256).

“Contemporaneamente o tema ‘aborto’ tem gerado muita polêmica, e popularmente têm-se analisado esta questão mais do ponto de vista emocional que racional. Ainda não existe um ponto passivo, nem uma verdade estabelecida. Porém, juntos podemos refletir sobre o assunto levando em consideração múltiplos aspectos da vida humana, sem permanecer apenas no campo biológico, procurando vislumbrar também os aspectos físicos, sociais, psíquicos e espirituais.

Define-se como aborto a expulsão ou extração de toda ou qualquer parte da placenta, com ou sem um feto, vivo ou morto, com menos de quinhentas gramas ou estimadamente menos vinte semanas completas. Conceitua-se como aborto espontâneo quando este acontece por causas naturais, e provocado quando ocorre com a intervenção do homem.

Existe uma controvérsia a respeito do uso indiscriminado do aborto. Teme-se que com a legalização do aborto, pessoas venham a manter relações sexuais e engravidar de maneira irresponsável já que supostamente poderiam retirar o feto a qualquer momento. Mesmo assim, é imperioso que se mantenha uma objetiva e honesta educação sexual. A indústria farmacêutica possui um grande aparato de prevenção à gravidez precoce, indesejada ou acidental, tais como anticoncepcionais, preservativos (camisinha) masculino e feminino, DIU, tabelinha, pomadas espermicida, pílula do dia seguinte, injeção de Hormônios, chip subcutâneo, etc... Seria muita hipocrisia negar o fato de que estamos descobrindo a sexualidade cada vez mais cedo, neste sentido, se faz necessário além de esclarecimentos sobre as responsabilidades inerentes a sexualidade, como doenças, mudanças físicas e psicológicas tratar abertamente dos métodos anticoncepcionais, tanto em nossa escola como na família.

Você já pensou quais os motivos que levam a condenação do aborto? Existe uma especulação acerca do momento em que a vida começa. Filosoficamente, a vida começa com a união de seres, com o amor entre os futuros pais, com o relacionamento humano. Supõe-se que a animação do feto ocorra após 40 dias de fecundação para o nascituro masculino e 80 dias para o feminino. Mas isto não altera a condenação do aborto por parte dos teólogos e religiosos. Também nos remete a pensar que não é o portar de uma alma ou espírito o fato decisório em tal condenação pois essa discussão transcende o espaço puramente biológico.

Mas quando o feto se torna um ser vivo? E quanto a personalidade, quando o feto é uma pessoa? Sabendo que os riscos de mortalidade e complicações aumentam em 6 vezes para a mãe entre a 8ª e a 12ª semana e 30 vezes quando está na 20ª semana, qual é o direito da mulher de escolher correr ou não tal risco? Dependendo da resposta que você der a estas perguntas, será sua posição quanto ao aborto.” (SEED-Pr, 2006, p. 263-265).

ATIVIDADES:

1. Pesquise o seguinte problema: se o Brasil está na vanguarda da produção de tecnologia na luta contra o câncer, o que impede a diminuição do índice de mortalidade entre os pacientes em tratamento? (SEED-Pr, 2006, p. 263)

O que impede a diminuição do índice de mortalidade entre os pacientes em tratamento é a falta de acesso aos melhores equipamentos e remédios (estes custam caro para o sistema público de saúde), já que esses não estão disponíveis em grande quantidade nas redes públicas de saúde, onde se encontram a maioria dos doentes. Além disso, no Brasil, os fatores de risco e os processos de promoção e prevenção do câncer tem tido menor controle por parte das autoridades sanitárias. Desse modo, com o crescimento elevado de doentes com câncer e falta de estratégias de prevenção, a mortalidade de pessoas com câncer ainda é grande no Brasil.

2. Entreviste seu/sua professor(a) de biologia (à distância!), fazendo a seguinte pergunta: Qual a sua opinião a respeito dos transgênicos e experimentos com células tronco, ou seja, experiências genéticas? Avalie a resposta e tente se posicionar também diante das questões éticas envolvidas. (SEED-Pr, 2006, p. 265).
Os alimentos transgênicos são, basicamente, frutos de modificações genéticas realizadas a partir de ciência e mecanismos laboratoriais que visam maior rendimento na produção agrícola através do melhoramento genético. Os aprimoramentos são realizados nos genes da espécie, integrando a ela alguma característica desejada. A grande questão da produção de transgênicos fica à mercê de questões socioambientais e da saúde humana de quem ingere estes alimentos. Ainda há muita falta de conhecimento sobre o assunto de parte da população geral, bem como pouca informação divulgada sobre testes e pesquisas apuradas, o que deixa muitas dúvidas sobre o assunto.
Prós: Custo baixo devido à produção e larga escala; Torna acessível diversos tipos de alimento a toda a população, tornando-a acessível para toda população; Facilita a vida do agricultor, que quando compra uma semente transgênica, tem menos gastos com pesticidas e outros produtos químicos.
Contras: Há desgaste do ambiente e alterações que podem tornar-se irreversíveis, como a aplicação de agrotóxicos, que penetra na terra e através da chuva atinge os rios e toda fauna e flora que está interligado; Dúvidas geradas quanto à própria saúde humana e os riscos que podem se desencadear a longo tempo; Os transgênicos são cruzamentos que não acontecem ou aconteceriam naturalmente no ambiente, conduzindo o modelo agrícola para um caminho insustentável – levando a alimentação e a qualidade de vida ao descaso, cada vez mais.
A importância que se dá à alimentação e ao estilo de vida é de suma importância, uma vez que nossos atos decorrem ao longo do tempo e desencadeiam consequências boas ou ruins. Então podemos relembrar a máxima: “Nós somos o que comemos.”
Quanto aos experimentos com células tronco, independente da discussão jurídico-moral, são incontáveis os exemplos de aplicação prática, potencial ou já realizável, desse tipo de célula: a reconstrução de tecidos perdidos por mutilações e acidentes; a regeneração de massa óssea em pessoas portadoras de osteoporose; reposição de tecido necrosado cardíaco após infartos; tratamento de Mal de Parkinson, Alzheimer e lesões neurológicas traumáticas e advindas de derrames; cura para diabetes, hemofilia e leucemia; recuperação de tecido renal em pacientes com necessidade de transplante de rim; produção de tecido hepático para doentes com cirrose ou hepatite. Contudo, deve-se sempre analisar na ciência qual é o seu objetivo nas suas experiencias, se aquele experimento vai ser benéfico ou maléfico para a humanidade.

3. A bioética aborda a questão da responsabilidade e autoridade do médico frente ao direito e dever do paciente, bem como das intervenções e limites aceitáveis de certas experiências, tais como: aborto induzido, inseminação artificial, eutanásia, clonagem humana, uso de animais e seres humanos como cobaias. Faça uma pesquisa sobre dois dos problemas da Bioética elencados acima e registre o resultado de seus estudos.
Aborto induzido:
Muito se ouve falar sobre o aborto, sobre as liberdades individuais da mulher e os números assombrosos de brasileiras que morrem ao tentar realizá-los em clínicas clandestinas ou por conta própria. A primavera feminista do século XXI tem questionado a falta de políticas públicas em relação a essa questão privada da mulher, que se tornou um verdadeiro problema de saúde pública em diversos países.
O que é aborto?
É a interrupção de uma gravidez antes que ela se complete, ou seja, a expulsão do embrião ou do feto antes que ele se desenvolva totalmente – isso de um ponto de vista médico. Afinal, a questão do aborto permeia muitos universos: o biológico, o médico, o jurídico, o moral e o pessoal.
Não existe um consenso médico e biológico de quando a gravidez é iniciada. Alguns dizem que é no momento da nidação – quando as células masculinas e femininas formam o zigoto e ele “gruda” na parede do útero –, que é quando se forma o embrião. Outras pessoas argumentam que a gestação começa após algumas semanas desse estágio, quando o embrião se torna um feto, que será denominado assim até o fim da gravidez.
Aborto induzido seguro: é aquele induzido pelo uso de remédios abortivos ou por métodos cirúrgicos – curetagem, dilatação, aspiração – com o devido cuidado médico. É considerado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma forma segura de abortar quando é realizado nas circunstâncias por eles indicadas: feito por médicos ou médicas experientes e com os recursos materiais necessários para o procedimento.
Aborto induzido não seguro: é aquele feito pela própria mulher, com agulhas de tricô, cabides de ferro ou qualquer ferramenta em que ela, num ato de desespero, tentará realizar o aborto. Podem ser consideradas formas perigosas de realizar esse procedimento também quando se tomam remédios abortivos sem orientação médica ou de origem duvidosa; e, também, quando ele é realizado em clínicas clandestinas – muitas vezes com profissionais sem preparo e/ou com materiais e medicamentos defeituosos.
Por que aborto é uma questão de saúde pública?
O impacto do aborto em termos de saúde pública tem sido mundialmente discutido há anos. Em 1967, a Assembleia Mundial da Saúde identificou o aborto inseguro como um problema sério de saúde pública em muitos países. Assim, a OMS estabeleceu como estratégia – adotada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2004 – para os Objetivos do Milênio da ONU a melhora da saúde materna. Isso porque considera o aborto uma “causa evitável de mortalidade e morbidade maternas”. Em 2013, a OMS lançou um guia para unidades de saúde e hospitais explicitando de que forma tornar o procedimento seguro para as mulheres e como deveriam agir os profissionais da saúde. Nele, os números são muitos.
Estima-se que a cada ano são feitos 22 milhões de abortos em condições inseguras, dos quais 98% são realizados nos países em desenvolvimento. Os abortos inseguros levaram à morte cerca de 50 mil mulheres, além de gerar problemas e acarretar disfunções físicas e mentais em outras 5 milhões de mulheres. A quantidade total de abortamentos inseguros aumentou de 20 milhões em 2003 para aproximadamente 22 milhões em 2008, e é estimado que 98% deles ocorre em países em desenvolvimento, embora a taxa global de abortamentos inseguros não tenha se modificado desde o ano 2000.
A defesa em torno da descriminalização do aborto acontece em torno dessa questão: tratá-lo como um problema de saúde pública e permitir que a mulher realize-o conforme for de sua vontade, até certo período da gestação. Essa medida é mais comum nos países desenvolvidos.
São muitos os motivos que levam a OMS a adotar uma política de saúde reprodutiva em nível global a fim de eliminar os abortos feitos de maneira insegura: Tratados internacionais de direitos humanos e em declarações globais de consenso que pedem pelo respeito, a proteção e o cumprimento dos direitos humanos, entre os que se encontram o direito de todas as pessoas de ter acesso ao maior padrão de saúde possível; O direito básico de todos os casais e indivíduos de decidir livre e responsavelmente o número, espaçamento e o momento de terem filhos, e o direito de receberem atenção para um abortamento seguro; O direito das mulheres de ter controle e decidir livre e responsavelmente sobre temas relacionados à sua sexualidade, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, sem coerção, discriminação, nem violência; O direito de ter acesso à informação relevante sobre saúde; O direito de cada pessoa de usufruir dos benefícios dos avanços científicos e suas aplicações.


Eutanásia:
Conceito
A eutanásia é uma forma de tratamento de pacientes portadores de doenças incuráveis, cujo objetivo é garantir a essas pessoas uma morte mais humanizada, com menos sofrimento. Trata-se de uma prática na qual um agente, movido pelo sentimento de compaixão para com a situação clínica em que o paciente se encontra, antecipa sua morte, para que este não tenha que lidar com mais sofrimento. Em suma, é a morte assistida.

O Brasil e a eutanásia
Não há no ordenamento jurídico brasileiro a tipificação da eutanásia como crime, mas ela é enquadrada como um homicídio. Ela pode também ser classificada como auxílio ao suicídio, mas para que isso ocorra, é necessário que o paciente solicite ajuda para morrer (segundo o artigo 122 do Código Penal). O código de medicina considera a prática antiética. Por outro lado, a ortotanásia é aceita pelo Conselho Federal de Medicina, desde 2010.
Também cabe observar que o parágrafo primeiro do artigo 121 do Código Penal prevê uma diminuição da pena àqueles que “por motivos de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção” cometerem homicídio a pacientes terminais. A eutanásia é, portanto, um caso de homicídio privilegiado (porque quem o comete recebe perdão de parte da pena).
Os argumentos contra e a favor da eutanásia
A eutanásia ainda gera muito debate no Brasil e no mundo inteiro. O principal argumento a favor da prática é que de nada adiantaria a pessoa ter direito à vida se a vida não é mais proveitosa e digna para ela. Se o prolongamento da vida de alguém significa sofrimento prolongado, o indivíduo deve ter o poder de terminá-la, se assim desejar. A eutanásia estaria, portanto, relacionada ao direito de escolha do paciente, com o respeito à sua decisão de terminar com a sua vida, sem a interferência de quem não conhece seu estado de saúde.
Por outro lado, um dos principais argumentos contra a eutanásia é que se trata de tirar a vida de alguém, o que não difere muito de um assassinato. Esse argumento se reforça nos casos em que o indivíduo submetido à eutanásia era emocionalmente abalado por conta da sua condição de saúde. Pessoas nesse estado poderiam tomar decisões precipitadas, levando a mortes que poderiam ser evitadas.
Outra questão importante nesse debate é a responsabilidade ética dos médicos e profissionais da saúde. Espera-se que eles façam o possível para que o paciente continue vivendo. Portanto, a prática da eutanásia contradiz valores médicos e éticos pregados por diversos profissionais da área.