segunda-feira, 6 de julho de 2020

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 1 - 2ª SEMANA - 2º ANO DO ENSINO MÉDIO - FILOSOFIA


Quem é o ser humano?
“Para Sartre o homem é liberdade. Como entender essa afirmação? Entende-se que não há certezas e nem modelos que possam servir de referência, cabe ao homem inventar o próprio homem e jamais esquecer-se que é de sua responsabilidade o resultado de sua invenção. Pelo fato de ser livre é o homem quem faz suas escolhas e que ao fazê-las, torna-se responsável por elas. É por isso que:

O existencialista declara frequentemente que o homem é angústia. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade. (SARTRE, J.P. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 7)

O conceito angústia está relacionado ao binômio: liberdade – responsabilidade. Faço as escolhas e ao fazê-las sou eu, exclusivamente eu, o único responsável por elas. É a angústia o sentimento de cada homem diante do peso de sua responsabilidade, por não ser apenas por si mesmo, mas por todas as consequências das escolhas feitas. Com a angústia há um outro sentimento que é fruto também da liberdade: o desamparo. É preciso lembrar que o conceito de angústia foi desenvolvido pelo filósofo Kierkegaard e o conceito de desamparo, pelo filósofo Heidegger.

O existencialista, pelo contrário, pensa que é extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; não pode mais existir nenhum bem a priori, já que não existe uma consciência infinita e perfeita para pensá-lo; não está escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos precisamente num plano em que só existem homens. Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existisse, tudo seria permitido.’ (SARTRE, 1987, p. 9)

O desamparo se dá pelo fato de o homem saber-se só. É por isso que Sartre diz que ‘(...) o homem está condenado a ser livre’. (SARTRE, 1987, p. 9) Pois não há nenhuma certeza, não há nenhuma segurança e tudo o que fizer é de sua irrestrita responsabilidade. De fato o homem, sem apoio e sem ajuda, está condenado a ‘(...) inventar o homem a cada instante’. (SARTRE, 1987, p. 9)

Diante da constatação de que ‘(...) somos nós mesmos que escolhemos nosso ser’. (SARTRE, 1987, p. 12) Surge o outro sentimento: o desespero. O que marca o desespero é o fato de que:

Só podemos contar com o que depende da nossa vontade ou com o conjunto de probabilidades que tornam a nossa ação possível. Quando se quer alguma coisa, há sempre elementos prováveis. Posso contar com a vinda de um amigo. Esse amigo vem de trem ou de ônibus; sua vinda pressupõe que o ônibus chegue na hora marcada e que o trem não descarrilhará. Permaneço no reino das possibilidades; porém, trata-se de contar com os possíveis apenas na medida exata em que nossa ação comporta o conjunto desses possíveis. A partir do momento em que as possibilidades que estou considerando não estão diretamente envolvidas em minha ação, é preferível desinteressar-me delas, pois nenhum Deus, nenhum desígnio poderá adequar o mundo e seus possíveis a minha vontade. [...] Não posso, porém, contar com os homens que não conheço, fundamentando-me na bondade humana ou no interesse do homem pelo bem estar da sociedade, já que o homem é livre e que não existe natureza humana na qual possa me apoiar. (SARTRE, 1987, p. 12)

Pelo fato de a realidade ir além, extrapolar os domínios de minha vontade e de minhas ações, o reino das possibilidades passa a evidenciar que minha ação deverá ocorrer sem qualquer esperança. O desespero é, portanto, o sentimento de que não há certezas e verdades prontas, é o sentimento de insegurança que impregna a vontade e o agir, pelo fato de ambos serem confrontados com o reino das possibilidades e apontarem para o limite a liberdade de cada indivíduo.” (SEED-Pr, 2006, p. 149-151)

ATIVIDADES:

1. A exemplo da angústia e desamparo, próprios de existencialismo, que outros sentimentos podem ser identificados na realidade dos jovens do século XXI? (SEED-Pr, 2006, p. 151). Podemos encontrar ansiedade, medo, incertezas, preocupações etc.

2. Que ideias de liberdade são encontradas nas propagandas de bebidas, carros e motos veiculadas na mídia? (SEED-Pr, 2006, p. 151). As ideias de liberdade que se encontram nas propagandas estão relacionadas a uma liberdade sem limites e responsabilidades, muitas vezes traduzindo uma ideia de prazer exagero, onde tudo é permitido, sem se preocupar com a consequência de seus atos.

3. Diante de tantas ideias de liberdade, somos livres? Explique. (SEED-Pr, 2006, p. 151). Sim, somos livres. Embora vivamos condicionados pela ordem (normas) da sociedade, nós somos capazes de definir e fazer nossas escolhas, de criar o nosso próprio destino. Como afirma Sartre, é o homem quem escolhe seu engajamento, ou seja, é o homem que faz a escolha que lhe é possível. A sua liberdade está nas suas escolhas.

4. Elabore um texto que discuta os conceitos: consciência, liberdade, responsabilidade e determinismo. Caso precisar, pesquise, pesquise, pesquise... e pesquise mais! (SEED-Pr, 2006, p. 151). A filosofia existencialista procura analisar o ser humano como um todo. Por isso o ser humano é um ser dotado de consciência, pois a consciência é algo peculiar em cada ser humano e nos permite perceber as nossas ações no mundo e do mundo. Somos também seres de liberdade, considerando que temos desde o nascer a capacidade para agir e escolher. E nossas escolhas implicam responsabilidade, pois as escolhas que fazemos são escolhas que engajam toda a humanidade, visto que a responsabilidade é o dever de assumir o compromisso de algo ou alguém, de modo a responder pelos eventuais efeitos. E mesmo que estejamos determinados (o determinismo é uma corrente teórica que afirma que há um conjunto de condições que determinam as ações dos sujeitos no mundo) pelos valores de uma sociedade, ainda sim, somos capazes de ser autênticos e assumir um lugar na dinâmica social. E nesse sentido, a autenticidade trata-se da percepção de que o que somos é constantemente modificado pelas nossas escolhas e de que o modo como vivemos é um compromisso assumido diariamente.

5. Enfim, após leituras e pesquisas, responda a essa questão ultra-mega-fácil: quem é você? Pessoal.