segunda-feira, 6 de julho de 2020

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 1 - 3ª SEMANA - 2º ANO DO ENSINO MÉDIO - FILOSOFIA

O QUE NOS FAZ SER HUMANO
Texto de estudo: Fenomenologia
“Embora o termo [Fenomenologia] já tenha sido utilizado por Hegel, em sua obra Fenomenologia do Espírito, onde o termo designa aparição ou manifestação do Espírito, é com o filósofo alemão Edmundo Husserl que o termo assumiu o peso de um método próprio de se pensar, de se fazer filosofia, ou ainda de se fazer ciência. Para Husserl, não se pode ter certeza de qualquer teoria se ela não for construída em solo seguro, em algum dado indubitável, numa evidência que não se possa questionar. Essa evidência, segundo ele, é a da consciência, ou seja, algo que possamos conhecer, pensar, dizer, sentir, enfim, qualquer ideia ou representação que se faça do mundo, se dá, antes de tudo, na consciência. O homem se define não apenas por ser racional, mas fundamentalmente, por ter consciência de si e do mundo.

Consciência, aqui, não significa um ‘saber o que estou fazendo’, em termos psicológicos como contrário de inconsciente. Também não se pode pensar consciência como um fato puramente mental, em oposição ao corpo, ao físico. Consciência deve ser compreendida como modo próprio do homem ser e perceber o mundo, enquanto totalidade física, mental, espiritual, emocional, racional e qualquer outra dimensão que se queira associar aqui. Consciência não é apenas um meio pelo qual algum objeto (o homem) conhece uma coisa (o mundo), como instâncias separadas. Portanto, não há uma realidade pura, isolada do homem, mas a realidade enquanto ela é percebida, que se dá à consciência humana. A partir disso é que se pode raciocinar, calcular, poetizar, agir, etc...

A consciência é sempre consciência de alguma coisa, reza o princípio fundamental da Fenomenologia. Ela estuda a consciência em si mesma, no ato do conhecimento. Ela é, num sentido mais geral, a descrição de um conjunto de fenômenos que se dão no tempo e no espaço e que se dispõe à consciência humana. Os empiristas diziam que a essência das coisas é inacessível ao pensamento, e que este se constrói a partir de experiências. O risco do empirismo é de cair na falta de certezas absolutas, válidas universalmente, ou seja, num ceticismo, além de retirar da mente, da razão, um papel preponderante no ato do conhecimento. Os idealistas, ao contrário, admitiam que o pensamento pode chegar a contemplar a essência, pois a mente humana possui condições a priori (as categorias de Kant, por exemplo), isto é, anterior a qualquer experiência, que a possibilita pensar conceitos universais. O seu risco é deixar o conhecimento à mercê da mente humana, numa atividade puramente psicológica (psicologismo). A fenomenologia, por seu turno, quer superar esse dualismo. Segundo Husserl, tanto a experiência, quanto a universalização da metafísica, só fazem sentido e se organizam enquanto representações na consciência humana. Portanto, é a partir dela que devemos compreender como se dá o conhecimento. 

Se na concepção clássica, seja no empirismo ou no idealismo, o sujeito está separado do objeto no ato do conhecimento, para a Fenomenologia, eles estão numa relação indissociável. A consciência está entrelaçada com o mundo. Perceber é perceber o mundo, no mundo. Não é apenas um ato imaginativo, psicológico; nem uma pura recepção de sensações advindas da experiência, ou ainda um ato reflexivo-racional. Perceber é um movimento, uma atividade, é uma contemplação, com forte caráter emotivo. Isso quer dizer que a percepção do mundo sempre se dá com um caráter motivado: percebo aquilo que mais me chama a atenção, aquilo que quero. O mundo é captado, segundo Husserl, sempre em perspectiva, ou seja, sempre em relação a... e nunca absolutamente. A percepção não consegue, por esse motivo, apreender a realidade em sua totalidade.” (SEED-Pr, 2006, p. 324-325).

ATIVIDADES:

1. O que todos os seres humanos possuem em comum?
De acordo com o texto de Descartes, o que os seres humanos possuem em comum é a razão (bom senso), o pensamento, a capacidade de pensar, raciocinar, julgar, distinguir.

2. De acordo com Descartes, por que as pessoas possuem opiniões diversas?
De acordo com Descartes, as pessoas têm opiniões diversas, porque temos formas de pensar e racionar diferentes, por isso nossos pensamentos muitas vezes seguem por caminhos diferentes.

3. A partir do pensamento cartesiano, o que distingue as pessoas entre si?
O que distingue as pessoas para Descartes é a forma de pensar, de racionar, de conduzir o pensamento.

4. Pesquise as ideias do filósofo francês René Descartes e produza um texto refletindo de que modo a Fenomenologia se opõe ou critica a visão racionalista de Descartes. (SEED-Pr, 2006, p. 325).
De uma forma breve podemos afirmar que enquanto Descartes entende o ser humano como ser racional, segundo o qual não pode alcançar a verdade através dos sentidos, pois as verdades residem em nosso intelecto, na qual habitam as ideias inatas. E estas ideias inatas, claras e distintas, não são inventadas por nós mas produzidas pelo entendimento sem recurso à experiência. Elas subsistem no nosso ser, em algum lugar profundo da nossa mente, e somos nós que temos liberdade de as pensar ou não. E elas representam as essências verdadeiras, imutáveis e eternas, razão pela qual servem de fundamento a todo o saber científico.
A Fenomenologia vem se opor a Descartes, definindo o ser humano não apenas por ser racional, mas fundamentalmente, por ter consciência de si e do mundo. A consciência deve ser compreendida como modo próprio do homem ser e perceber o mundo, enquanto totalidade física, mental, espiritual, emocional, racional e qualquer outra dimensão que se queira associar aqui. Consciência não é apenas um meio pelo qual algum objeto (o homem) conhece uma coisa (o mundo), como instâncias separadas. Portanto, não há uma realidade pura, isolada do homem, como afirma Descartes, mas a realidade enquanto ela é percebida, que se dá à consciência humana. A partir disso é que se pode raciocinar, calcular, poetizar, agir etc. A consciência é sempre consciência de alguma coisa, reza o princípio fundamental da Fenomenologia.

5. Pesquise sobre Ludologia e o livro Homo Ludens escrito por Huizinga… Você vai ver o quanto a nossa vida se assemelha a um jogo… (+ 1 EXTRA LIFE pra você caso faça a pesquisa, combinado?). Anote suas impressões.
A Ludologia se refere a área do conhecimento que abarca o lúdico (jogos, divertimentos, brincadeiras infantis). Esta área do conhecimento é muito usada nas escolas infantis como forma de despertar o aprendizado das crianças.
A palavra ludologia nasce da combinação de dois termos, um do latim e outro do grego. Por um lado, a palavra ludus, que significa jogo em latim, e, por outro, a palavra logos, que em grego significa conhecimento. Segue ou tem a ver com brincadeira. Atualmente, grande parte do estudo e análise que é feita em ludologia tem a ver com videogames ou jogos online, uma vez que estão cada vez mais presentes em todas as áreas da vida humana.
O objetivo mais importante da ludologia é simplesmente entender os jogos e seu impacto. Então, depende muito da ciência que estuda esse aspecto do ser humano para entender qual é a abordagem que pode ser dada. Por exemplo, os jogos foram estudados muito graças à antropologia, psicologia ou sociologia. Em geral, todas essas ciências buscam analisar como os jogos funcionam.
Homo ludens é a obra mais importante na filosofia da história em nosso século. Huizinga reúne e interpreta um dos elementos fundamentais da cultura humana: o instinto do jogo. Neste livro se descobre quão profundamente as realizações na lei, na ciência, na poesia, na guerra, na filosofia e nas artes são nutridas pelo instinto do jogo.