quinta-feira, 27 de agosto de 2020

PET 2 - SEMANA 1 E 2 - 2º ANO EM - FILOSOFIA

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 - SEMANA 1

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): NATUREZA E CULTURA.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Distinguir o ser humano dos outros animais; Reconhecer o ser humano como produtor de cultura.

HABILIDADE(S): Distinguir entre as noções de natureza e de cultura; Compreender a noção de cultura como essencial à definição do ser humano; Compreender que, no ser humano, as características biológicas da natureza e os dados culturais estão profundamente associados.

TEMA: O SER HUMANO: MONSTRO OU GÊNIO?

AINDA HÁ MUITO DE BABUÍNO EM NÓS?

Em alguns sim, sem dúvida ... Passe apenas uma hora com eles e você perceberá rapidamente. Em outros, é menos evidente. Nesta área, os homens apresentam diferenças e desigualdades consideráveis. Da monstruosidade ao gênio há muitos graus. Onde estamos, onde você está entre esses dois extremos? Mais próximo da besta ou do cara excepcional? Difícil de responder. Tanto que as partes animais e humanas parecem difíceis de separar claramente. Onde está o chimpanzé? Cadê o homem? Às vezes, as duas figuras parecem conhecer um estranho entrelaçamento... [...]

Descobrimos que o chimpanzé e o homem se distinguem na maneira de responder às necessidades naturais. O macaco permanece prisioneiro de sua bestialidade, enquanto o homem pode se livrar dela parcialmente, totalmente ou transformá-la, resistir a ela, superá-la dando a ela uma forma específica. Daí a cultura. Diante das necessidades, instintos e impulsos que dominam totalmente o animal e o determinam, o homem pode escolher exercitar sua vontade, sua liberdade, seu poder de decisão. Onde o chimpanzé sofre a lei de suas glândulas genitais, o homem pode combater a necessidade, reduzi-la e inventar sua liberdade. [...]

O homem e o chimpanzé se separam radicalmente quando se trata de necessidades espirituais, as únicas que são próprias dos homens e às quais nenhum traço, mesmo que ínfimo, é encontrado nos animais. O macaco e o filósofo dificilmente se distinguem por suas necessidades e comportamentos naturais, embora estejam parcialmente separados quando o homem responde a essas necessidades através de dispositivos culturais; por outro lado, eles são radicalmente distintos pela existência, nos seres humanos, de uma série de atividades especificamente intelectuais. O macaco ignora as necessidades espirituais: não há erotismo nas macacas, nem gastronomia em babuínos, filosofia em orangotangos, religião em gorilas, técnica em macacos ou arte em bonobos.

A linguagem, não necessariamente a linguagem articulada, mas os meios de comunicar ou de corresponder, trocar posições intelectuais, opiniões, pontos de vista: esta é a definição autêntica de humanidade do homem. E com a linguagem, a possibilidade de apelar a valores morais, religiosos, políticos, estéticos, filosóficos. A distinção de Bem e Mal, de Justo e Injusto, de Terra e Céu, de Belo e Feio, de Bom e Mau, é feita apenas no cérebro humano, no corpo do homem, nunca na carcaça de um babuíno. A cultura nos afasta natureza, subtrai-nos das obrigações que submetem cegamente os animais, que não têm escolha.

A forma de responder às necessidades naturais e a existência específica de uma necessidade intelectual não são suficientes para distinguir o homem das cidades dos macacos da selva. Devemos adicionar, como um macaco especificamente humano, a capacidade de transmitir conhecimentos memorizados e evolutivos. A educação, a condição intelectual, a aprendizagem, a transmissão de conhecimentos e valores comuns contribuem para a criação de sociedades onde as disposições humanas são feitas e refeitas incessantemente. As sociedades de chimpanzés são fixas, não evolutivas. Sua habilidade é reduzida, simples e limitada.

Quanto maior a aquisição intelectual no homem, mais ele recua em relação ao macaco. Quanto menos saber, conhecimento, cultura ou memória há em um indivíduo, mais lugar o animal ocupa, mais ele domina, menos conhece a liberdade o homem. Satisfazer as necessidades naturais, obedecer apenas aos impulsos naturais, comportar-se como uma pessoa dominada por instintos, não sentir a força das necessidades espirituais, eis que o chimpanzé se manifesta em você. Cada um carrega consigo sua parte de macaco. A luta para fugir dessa herança primitiva é diária. É até o túmulo. A filosofia convida a lutar esse combate e oferece os meios para isso.”

(ONFRAY, M., 2001, p. 30-34 [tradução livre])

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

1 — Faça a distinção entre ação instintiva e ação inteligente. Dê exemplos. (ARANHA, M.L.A. & MARTINS, M.H.P., 2009, p. 53)

A ação instintiva é regida por leis biológicas, idênticas na espécie e invariáveis de indivíduo para indivíduo. A rigidez do instinto dá a ilusão de perfeição, já que o animal executa certos atos com extrema habilidade. Ao contrário da rigidez dos reflexos e dos instintos, a inteligência dá uma resposta ao problema ou à situação nova de maneira improvisada e criativa. A inteligência distingue-se do instinto pela flexibilidade, pois as respostas variam de acordo com a situação, é baseada na lógica, no pensamento, no raciocínio.

2 — “É impossível sobrepor, no homem, uma primeira camada de comportamentos que chamaríamos de ‘naturais’ e um mundo cultural ou espiritual fabricado. No homem, tudo é natural e tudo é fabricado, corno se quiser, no sentido em que não há uma só palavra, uma só conduta que não deva algo ao ser simplesmente biológico — e que ao mesmo tempo não se furte à simplicidade da vida animal.” (Merleau-Ponty, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 257)

A partir da citação de Maurice Merleau-Ponty, explique o que significa dizer que para o ser humano, “tudo é natural e tudo é fabricado”. Dê exemplos. (Ibidem)

O homem é, independente de sua condição evolutiva, um animal, condicionado aos seus instintos biológicos, porém o ser humano também é ser de cultura, e nesse sentido, o biológico, o natural, e o cultural, o fabricado, se misturam, porque ao mesmo tempo que o homem sacia suas necessidades biológicas, ele também busca transcendê-las através da criação cultural, da educação, do desenvolvimento da linguagem, do aprimoramento de ferramentas para entender e transformar o mundo e a natureza. O homem é instinto e razão, é natureza e cultura.

3 — Faça uma dissertação relacionando o tema do capítulo e a citação do filósofo francês Blaise Pascal: “O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante”. (Pensamentos, aforismo 347. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 127 [Coleção Os Pensadores]) (Ibidem)

O filósofo Pascal procura nos dizer que, embora, o homem seja um animal, e talvez o mais frágil presente na natureza, o homem se distingue dos demais animais pela sua capacidade de pensar, raciocinar, de criar, de transformar sua própria natureza.

A razão presente na natureza do homem é elemento essencial para a sua condição de ser pensante, e é o que o diferencia dos demais seres. Desse modo, ainda que o homem seja um ser considerado miserável, ele possui em si uma grandiosidade relacionada com sua capacidade de pensar e compreender os acontecimentos do mundo.

Diante do Universo o homem é um nada, mas diante do nada o homem é tudo, é tudo porque ele tem a capacidade de reconhecer-se existente, reconhecimento este que outros animais não possuem.


PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 - SEMANA 2

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): NATUREZA E CULTURA.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Compreender a importância da linguagem humana: sua estrutura e diversidade.

HABILIDADE(S): Reconhecer a linguagem humana como fenômeno importantíssimo de interpretação do mundo.

TEMA: LINGUAGEM E SIGNIFICADO: ENTENDENDO NÓS E O MUNDO

“Toda linguagem é um sistema de signos. O signo, segundo definição do filósofo Charles Sanders Peirce, é uma coisa que está no lugar de outra sob algum aspecto. Por exemplo, o choro de uma criança pode estar no lugar do aviso de desconforto, de fome, de frio ou de dor; ou pode estar no lugar simplesmente da frustração da criança que não conseguiu o que queria. O choro pode ser signo de todas essas coisas e, para decifrá-lo adequadamente, precisamos saber o contexto em que ele ocorre e ter familiaridade com a criança que assim se expressa. [...]

Se o signo está no lugar do objeto, isto é, se o substitui, ele é uma representação do objeto. Um objeto pode ser representado de várias maneiras, dependendo da relação que existe entre ele e o signo. Vejamos um exemplo: um galo pode ser representado por uma fotografia, por um desenho, pela palavra ‘galo’, pelo som de seu canto cocoricóóóó. Cada um desses signos (fotografia, desenho, palavra e cacarejar) mantém uma relação diferente com o objeto galo.

Quando a relação é de semelhança, temos um signo do tipo ícone. O desenho do galo é um ícone quando apresenta semelhança com ele; a representação do galo por meio de seu canto também é um ícone, pois tem uma semelhança sonora com o canto da ave.

Se a relação é de causa e efeito, uma relação que afeta a existência do objeto ou é por ela afetada, temos um signo do tipo índice. A fotografia do galo é um índice de sua existência porque toda fotografia é resultado da ação da luz refletida por um objeto e captada pela câmera. Ou seja, o objeto fotografado esteve em frente à câmera no momento em que a fotografia foi feita. Outros exemplos: a chuva pode ser representada pelo signo indicial nuvem (causa da chuva) ou chão molhado (consequência da chuva); a fumaça ou o cheiro de queimado são signos indiciais de fogo; os sinais matemáticos (+, —, x e /), quando colocados ao lado de números, são signos indiciais das operações que devem ser efetuadas; a febre é signo que indica doença. Todos esses signos indicam o objeto representado.

Se a relação é arbitrária, regida simplesmente por convenção, temos o símbolo. As palavras são o melhor exemplo de símbolo, mas há muitos outros: nas culturas ocidentais, o preto é símbolo de luto; o uso da aliança no dedo anelar da mão esquerda simboliza a condição de casado; o desenho de um coração simboliza amor, amizade. Esses signos são aceitos pela sociedade como representação dos objetos luto, casamento e sentimento de amor e mantêm-se por convenção, hábito ou tradição.

Como só o ser humano é capaz de estabelecer signos arbitrários, regidos por convenções sociais, dizemos que o mundo humano é simbólico.

Precisamente por ser um sistema de signos, toda linguagem possui um repertório, ou seja, uma relação de signos que a compõem. [...] O repertório das linguagens verbais (ou línguas, como são chamadas) é bastante amplo e costuma ser relacionado em dicionários. A linguagem musical tonal, para compor seu repertório, dentre todos os sons possíveis, seleciona alguns, denominados dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, acrescidos de sustenidos ou bemóis, que são semitons.

Além do repertório, também é preciso que se estabeleçam as regras de combinação dos signos. Quais podemos usar juntos, quais não podemos? Na linguagem do desenho, plano, linha e ponto podem ser usados como o desenhista quiser. Na linguagem verbal, do ponto de vista semântico, não podemos combinar signos que tenham sentidos opostos: subir/descer, nascer/morrer, etc. Não podemos dizer ‘Ele subiu descendo as escadas’, mas podemos dizer ‘Ele subiu correndo as escadas’.

Como último passo, a linguagem deve estabelecer as regras de uso dos signos. Em que ocasiões devemos usar o pronome tu e o vós? Devemos vestir as crianças de preto, em ocasiões de luto?

Só quando conhecemos o repertório de signos, as regras de combinação e as regras de uso desses signos é que podemos dizer que dominamos uma linguagem.

(ARANHA, M.L.A. & MARTINS, M.H.P., 2009, p. 55-56)

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

1 — Por que se pode dizer que a aquisição da linguagem é a senha de entrada no mundo humano? (ARANHA, M.L.A. & MARTINS, M.H.P., 2009, p. 65)

A linguagem é um instrumento que nos permite pensar e comunicar o pensamento, estabelecer diálogos com nossos semelhantes e dar sentido à realidade que nos cerca. A linguagem está relacionada aos fenômenos comunicativos, onde há comunicação, há linguagem.

2 — Por que são criadas linguagens de diferentes tipos? Para que elas servem? (Ibidem)

O ser humano criou e continua criando vários tipos de linguagem que lhe permitem pensar as diversas facetas da realidade e, também, se expressar e se comunicar com seus semelhantes. Temos a linguagem matemática, as de computador, as línguas diversas, as linguagens artísticas (arquitetônica, musical, pictórica, escultórica, teatral, cinematográfica) e as gestuais, da moda, espaciais e outras. Os avanços da tecnologia nos obrigam a adaptar as linguagens já existentes e a criar outras, mais adequadas às necessidades da contemporaneidade. Elas servem para distinguir as diferentes formas de comunicação.

3 — Cite algumas regras de combinação da língua portuguesa: regras da escrita e regras de concordância. (Ibidem)

A escrita da língua portuguesa é normatizada por uma série de regras ortográficas gerais. Graças a essas regras, a língua escrita consegue reproduzir uma parte significativa da expressão oral. Por exemplo: o uso do Ç em substantivos terminados em TENÇÃO (referentes a verbos derivados de -TER):  atenção (ater), contenção (conter), manutenção (manter), retenção (reter)

A regra básica da concordância verbal é o verbo concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) com o sujeito da frase. 1. Sujeito simples – o verbo concordará com ele em número e pessoa. Ex.: O artista excursionará por várias cidades do interior.

4 — Qual a relação entre as regras de uso de uma língua e a cultura na qual ela é usada? (Ibidem)

Embora cada língua estabeleça as regras de uso tanto do repertório quanto da combinação de signos, cada cultura influencia bastante o modo como a língua é usada no cotidiano, pois é nela que se encontram os valores que orientam o uso da língua. Por isso que há diferenças tanto regionais quanto entre países que usam a mesma língua, como o português do Brasil, o de Portugal, e o dos países africanos de língua portuguesa.

5 — Estude um pouquinho de gramática da língua portuguesa e – se possível – pesquise sobre os cinco parâmetros da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Depois, dê mais um pulinho aqui nessa matéria de Filosofia e tente compreender melhor as principais semelhanças e diferenças entre a língua portuguesa e a Libras. Redija um texto com suas considerações sobre o assunto (caso não consiga fazer a pesquisa, reflita sobre o assunto a partir de seus conhecimentos e suas indagações... Daí também pode surgir uma boa produção de texto!).

É possível evidenciar algumas diferenças e semelhanças entre a língua oral (Língua portuguesa) e a língua de sinais (Libras): Entre algumas diferenças, está a forma de se comunicarem. A língua de sinais é uma língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão, já a língua oral é uma língua de modalidade oral-auditiva, que utiliza sons articulados que são percebidos pelos ouvidos. Outra diferença está no fato de que o que é denominado de palavras nas línguas orais-auditivas é denominado sinais nas línguas de sinais. Quanto as semelhanças, as línguas de sinais e orais apresentam semelhanças na sua estrutura gramatical. Ambas são estruturadas a partir de unidades mínimas que formam unidades mais complexas, ou seja, todas possuem os seguintes níveis linguísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático, e o semântico. Diferem-se na forma como as combinações das unidades são construídas, a língua oral é linear já a língua de sinais é simultânea.

Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/ .