PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 - SEMANA 3
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Filosofia
Moral
OBJETO DE CONHECIMENTO: Analisar
o conceito de felicidade; Identificar o que possibilita uma vida feliz.
HABILIDADE(S): Discutir o conceito de felicidade e as possibilidades ou caminhos para uma vida feliz.
TEMA: FELICIDADE? O QUE É ISSO? ONDE ENCONTRO? COMO USAR?
“A felicidade encontra-se
mais naquilo que o ser humano faz de si próprio e menos no que consegue alcançar
com os bens materiais ou o sucesso. Não se veja aqui a acusação de que rico não
pode ser feliz nem o elogio ao despojamento ou à pobreza. Queremos dizer que,
no primeiro caso, apenas as posses não nos tornam felizes, porque a riqueza
nunca é um bem em si, mas um meio para nos propiciar outras coisas.
O que se percebe é que na
busca da felicidade muitas vezes as pessoas dela se afastam. A esse respeito,
diz Aristóteles:
|
Ora,
é esse o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada
sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao
prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos
[...]; mas também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a
posse deles nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe
tendo em vista algum destes, nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela
própria. (ARISTÓTELES.
Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 255. (Coleção Os
Pensadores)). |
Conforme a ética
aristotélica, conhecida como eudemonismo, as ações humanas tendem para o bem e
o bem supremo é a felicidade. E esta significa a realização da excelência (o
melhor de si), que é a sua natureza de ser racional.
De maneira geral, a
felicidade comporta um dado característico, que é o sentimento de satisfação em
relação ao modo como vivemos, à possibilidade de sentirmos alegria,
contentamento, prazer. Por experiência, sabemos que não se trata de uma
plenitude, porque esse estado de espírito não ocorre o tempo todo, já que a
vida feliz não exclui os contratempos, como a dor, o sofrimento, a tristeza.
Só a satisfação não é
suficiente para explicar a felicidade, porque ela supõe a realização de desejos
que, não raro, são conflitantes. Por exemplo, você pode ficar em dúvida entre
assistir a um filme ou ficar estudando.
Os motivos que influem na
decisão podem ser de diversas naturezas: o filme é de um bom diretor e trata de
um tema que lhe interessa; ou então é puro entretenimento e você precisa se
distrair. Por outro lado, o estudo pode ser um prazer, se o assunto lhe
despertou o interesse; mas pode representar, naquele momento, a privação de um
prazer, por preferir um bem futuro, como a sua profissionalização. Em qualquer
caso, os desejos não são compatíveis e uma decisão satisfaz um desejo, mas
frustra o outro.
Vemos aí mais um componente
da felicidade: a autonomia da decisão. Se não somos livres, ficamos sujeitos às
influências externas e tornamos nossos sonhos alheios, o que acontece nas
sociedades massificadas em que os comportamentos tendem à padronização. Ao
contrário, quando agimos de acordo com nossos próprios projetos de vida,
decidimos de modo coerente. [...]
Ao nos referirmos à
experiência de ser de um sujeito livre, consciente de sua individualidade,
entramos no campo da ética. Portanto, a reflexão sobre o que fazer da nossa vida
para alcançar a felicidade nos coloca diante de escolhas morais.
Por fim — mas não por
último —, o que é a felicidade se não tivermos com quem compartilhar nossa alegria?
Portanto, a felicidade é também a celebração da amizade, do amor e do
erotismo.”
(ARANHA, M.L.A.
& MARTINS, M.H.P., 2009, p. 81-82)
ATIVIDADES CORRIGIDAS:
1 — O que significa ser feliz? Explique. (ARANHA, M.L.A. & MARTINS, M.H.P., 2009, p. 94)
Ser feliz significa estar
realizado consigo mesmo e com seus projetos. Significa encontrar sentido na
vida, que mesmo diante da dor e do sofrimento, ter forças para caminhar com a
cabeça erguida. Ser feliz significa viver bem, ou seja, consiste na realização
da excelência, no melhor de si mesmo.
2 — “O homem é só um laço
de relações, apenas as relações contam para o homem.” Em que sentido a frase de
Saint-Exupéry pode ser interpretada do ponto de vista da busca da felicidade?
(Ibidem)
O ser humano é um ser social
e como ser social ele encontra a felicidade também na convivência com o outro,
no estabelecimento de relações sociais e humanas saudáveis. A vivência com a família,
de uma boa amizade ou de um amor possibilita ao ser humano alcançar a
felicidade, o possibilita sentir-se feliz.
3 — (PUC-RS) Adaptado.
Todos os dias, a qualquer hora, somos apresentados a novos produtos – o celular
com funções incríveis, o automóvel antiestresse, a geladeira que não só
conserva os alimentos, mas também preserva o meio ambiente – . Muitos, na
verdade, são produtos inúteis, fabricados e anunciados para levar nosso
dinheiro. Olhe à sua volta: quantas coisas em sua casa e em sua mesa de
trabalho apenas ocupam espaço e mostram que, ao invés de ajudar, atrapalham sua
rotina? E quantas são verdadeiramente úteis e necessárias? Feito esse
inventário, escolha um ou mais objetos sem os quais você acha que não poderia
viver e desenvolva o seguinte tema de sua dissertação: “Um bem indispensável
para uma vida confortável”. (Ibidem)
Muitos itens e
tecnologias foram desenvolvidas pelo ser humano para melhorar sua vida e lhe
trazer certo conforto. Um bem indispensável para uma vida confortável é a geladeira,
o refrigerador, que tem uma função importante na conservação dos alimentos;
outro item é o telefone/celular que nos possibilita a comunicação mais fácil; o
carro ou a moto que nos possibilita locomover com mais praticidade; entre
outros...
4 — “Com o capitalismo de
consumo, o hedonismo se impôs como um valor supremo e as satisfações mercantis,
como o caminho privilegiado da felicidade. Enquanto a cultura da vida cotidiana
for dominada por esse sistema de referência, a menos que se enfrente um
cataclismo ecológico ou econômico, a sociedade de hiperconsumo prosseguirá
irresistivelmente em sua trajetória.” (LIPOVETSKY, G. A
felicidade paradoxal. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 367)
A partir do trecho acima,
escreva um texto sobre o que é necessário para ser feliz. Um detalhe: para compor
a sua redação, leve em consideração o nosso atual e atípico contexto: pandemia,
quarentena, isolamento social, etc. Cadê a felicidade em meio a tudo isso? Ainda
é possível ser feliz com essa treta toda?
O ser humano para ter uma
vida feliz e fugir dessa imposição consumista da sociedade capitalista, ele
precisa somente do que é essencial, ou seja, o ser humano precisa se alimentar
bem, ter uma moradia confortável, ter emprego, ter uma boa convivência social e
ter serviços básicos de qualidade, como saúde e educação. Uma vida simples e
sem exageros pode proporcionar uma maior felicidade para o ser humano.
PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 - SEMANA 4
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Filosofia
moral; Conhecimento e verdade.
OBJETO DE CONHECIMENTO: Analisar
as relações entre instituições e indivíduo; Analisar como o indivíduo pode ser
livre diante das situações cotidianas.
HABILIDADE(S): Refletir sobre o sentido do conflito nas relações humanas; Compreender as diferentes formas de poder nas sociedades humanas.
TEMA: TODA FORMA DE
APRENDER É LIBERTADORA?
“POR QUE SUA ESCOLA É
CONSTRUÍDA COMO UMA PRISÃO?
Porque neste lugar, como
em qualquer outro, não se ama a liberdade, e eles magnificamente conseguem contê-la,
reduzi-la, restringi-la ou limitá-la ao máximo. O poder de ir e vir, de
circular livremente sem impedimentos, de se mover sem ter que dar explicações,
de fazer uso como se deseja de seu tempo, suas noites e seus dias; o de decidir
quando se levantar e se deitar; a liberdade de trabalhar ou descansar, comer,
dormir, tudo o que manifesta a autonomia do indivíduo (a possibilidade de
decidir sobre sua existência em todos os detalhes), incomoda consideravelmente
a sociedade como um todo. Por isso a sociedade inventou um certo número de
instituições que operam de acordo com técnicas de controle: controle de seu
espaço, controle do seu tempo.
A sociedade não gosta da
liberdade porque esta não gera ordem, coerência social, comunidade útil, mas
sim fragmentação das atividades, individualização e atomização social. A
liberdade provoca medo, angústia: perturba o indivíduo, que se encontra frente
a si mesmo, na dúvida, diante da possibilidade de escolher e, assim,
experimentar o peso da responsabilidade; mas também incomoda a sociedade, que
prefere personagens integrados ao projeto atribuído a cada um, ao invés de uma
multiplicidade de peças executadas por pequenos grupos de indivíduos.
O uso livre do nosso
tempo, nosso corpo, nossa vida, gera mais angústia do que se simplesmente nos limitarmos
a obedecer as instâncias geradoras de docilidade, isto é, a família, a escola,
o trabalho e outras desculpas para acabar com a liberdade em troca da segurança
que a sociedade oferece: uma profissão, status, visibilidade social,
reconhecimento baseado em dinheiro, etc. Por isso as pessoas, de modo a evitar
a angústia de uma liberdade sem objetos, preferem se jogar nos braços de
máquinas sociais que acabam por devorá-las, triturá-las e depois digeri-las.
Desde a sua mais tenra
idade, a escola assume a função de socializá-lo, ou o que é o mesmo, fazer você
desistir de sua liberdade selvagem e levá-lo a preferir a liberdade definida
pela lei. O corpo e a alma são formatados, fabricados. Instala-se uma maneira
de ver o mundo, de lidar com o real, de pensar as coisas. Normaliza. O
estudante do ensino fundamental, o estudante do ensino médio, aquele que se
prepara para entrar na Universidade, o estudante do ensino superior, sofrem o
imperativo da rentabilidade escolar: os pontos que devem ser acumulados, as
notas que devem ser obtidas — preferencialmente acima da média, os coeficientes
que decidem o que é importante ou não para melhor se integrar, os arquivos
acadêmicos que constituem outras tantas fichas policiais associadas a seus
movimentos administrativos, os deveres a serem feitos de acordo com um código
muito preciso, a disciplina a ser respeitada meticulosamente, o objetivo de ir
para uma faculdade, o teatro do conselho de classe que examina a extensão de
sua docilidade, a distinção de seções dependendo das necessidades do sistema, a
obtenção de diplomas como se fossem fórmulas mágicas, mesmo que, por si só,
eles não sirvam para nada. Tudo isso visa menos torná-lo competente (se não,
por que você não é bilíngue depois de estudar por sete anos uma língua
estrangeira?) do que medir sua aptidão para a obediência, a docilidade, a submissão
às demandas de professores, equipe pedagógica e direção.
“E a arquitetura da
escola?’ você vai me perguntar. Isso implica que, em cada hora do dia, desde o momento
em que você entra no estabelecimento até o momento em que vai embora, sabe-se
onde você está e o que faz. O uso do seu tempo em um lugar o transforma em objeto
de uma marcação, de um controle e de um conhecimento rigoroso.”
(ONFRAY, M., 2001,
p. 125-126 [tradução livre])
TEXTO COMPLEMENTAR:
FOUCAULT: VERDADE E PODER
O filósofo francês Michel
Foucault (1926-1984) descarta a hipótese de buscar uma verdade essencial, opondo-se
à epistemologia da modernidade. Investigando como as ideias de loucura,
disciplina e sexualidade foram construídas historicamente desde o século XVI,
apresenta uma nova teoria em que estabelece um nexo entre saber e poder. Suas principais
obras são Arqueologia do saber, História da loucura na era clássica, As
palavras e as coisas, Vigiar e punir, História da sexualidade e Microfísica do
poder.
Ao contrário da tradição
da modernidade, pela qual o saber antecede o poder, para ele, a verdade não se
encontra separada do poder, antes é o poder que gera o saber. De início, pelo
processo arqueológico identifica determinadas maneiras de pensar, certas regras
de conduta que constituem um "sistema de pensamento'' em um determinado
período. Posteriormente, propõe a tática genealógica, que não substitui a
arqueologia, mas vai além dela e a completa. Trata-se então de explicar as
mudanças ocorridas naqueles sistemas de discurso, para saber como a verdade tem
sido produzida no âmbito das relações de poder. E mais que isso, para ativar os
saberes libertos da sujeição.
Suas investigações
tiveram início no exame das condições do nascimento da psiquiatria e pela
descoberta de que o saber psiquiátrico não se constituiu para entender o que é
a loucura, mas como instrumento de poder que propicia o processo de dominação
do louco e de seu confinamento em instituições fechadas. Assim, os mendigos
passaram a ser recolhidos em asilos e tornaram-se objeto de uma "tática
dos mecanismos dualistas da exclusão que separa o louco do não louco, o
perigoso do inofensivo, o normal do anormal".
Para Foucault, à medida
que a burguesia se constituiu classe dominante, precisou de uma disciplina que
excluísse os "incapazes" e "inúteis para o trabalho'', como os loucos
e os mendigos. Com o desenvolvimento do processo de produção industrial, interessou-se
por mecanismos de controle mais eficazes, a fim de tornar os corpos dóceis e os
comportamentos e sentimentos adequados ao novo modo de produção. Assim explica
Foucault:
A
burguesia compreende perfeitamente que uma nova legislação ou uma nova
constituição não serão suficientes para garantir sua hegemonia; ela compreende
que deve inventar uma nova tecnologia que assegurará a irrigação dos efeitos do
poder por todo o corpo social, até mesmo em suas menores partículas. (FOUCAULT,
Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. p. 218.)
Nos séculos XVII e XVIII,
os processos disciplinares assumiram a fórmula geral de dominação exercida em
diversos espaços: nos colégios, nos hospitais, na organização militar, nas
oficinas, na família e também pela medicalização da sexualidade. O controle do
espaço, do tempo, dos movimentos foi submetido ao olhar vigilante, que, por sua
vez, introjetou-se no próprio indivíduo.
A extensão progressiva
dos dispositivos de disciplina ao longo daqueles séculos e sua multiplicação no
corpo social configuram o que se chama "sociedade disciplinar". Desse
modo, desenvolve-se uma "microfísica do poder", porque, para
Foucault, o poder não se exerce de um ponto central como qualquer instância do
Estado, mas está disseminado em uma rede de instituições disciplinares. São as
próprias pessoas, nas suas relações recíprocas (pai, professor, médico), que, a
partir do "saber constituído'', fazem o poder circular. Cabe à genealogia
do saber investigar como e por que esses discursos se constituíram, que poderes
estão na origem deles, ou seja, como o poder produz o saber.
Portanto, a noção de
verdade para Foucault está ligada ao exercício ou, mais propriamente, a
práticas de poder disseminadas no tecido social. Esse poder não é exercido pela
violência aparente nem pela força física, mas pelo adestramento do corpo e do
comportamento, a fim de "fabricar" o tipo de trabalhador adequado
para a sociedade industrial capitalista.
Fonte: ARANHA; Maria Lúcia de Arruda; MARTINS; Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. Volume único. São Paulo: Moderna, 2016, p. 152-153.
ATIVIDADES CORRIGIDAS:
1 — “Historicamente, o processo pelo qual a burguesia tomou-se no decorrer do século XVIII a classe politicamente dominante abrigou-se atrás da instalação de um quadro jurídico explícito, codificado, formalmente igualitário, e através da organização de um regime de tipo parlamentar e representativo. Mas o desenvolvimento e a generalização dos dispositivos disciplinares constituíram a outra vertente, obscura, desse processo. (Foucault, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1987, p. 194).
A partir dessa citação,
atenda às questões:
a) Qual a contradição a
que Foucault faz referência no texto?
A contradição que Foucault
faz referência no texto é que a burguesia implantou um sistema jurídico que
formalmente é igualitário, mas por outra parte a dominação burguesa se
caracterizava por elementos disciplinares que revelava a desigualdade, a
exploração e o domínio do corpo social nos seus diversos âmbitos.
b) Quais são os
dispositivos disciplinares a que ele se refere?
Os dispositivos disciplinares
se referem aos colégios, aos hospitais, à organização militar, às oficinas, à
família etc. A extensão progressiva dos dispositivos de disciplina ao longo
daqueles séculos e sua multiplicação no corpo social configuram o que se chama
"sociedade disciplinar".
c) Justifique, com um exemplo o fato de que, para Foucault, o poder antecede o saber. (ARANHA, M.L.A. & MARTINS, M.H.P., 2009, p. 209)
Para Foucault, o poder não se exerce de um ponto central como qualquer instância do Estado, mas está disseminado em uma rede de instituições disciplinares. São as próprias pessoas, nas suas relações recíprocas (pai, professor, médico), que, a partir do "saber constituído'', fazem o poder circular, por isso o poder na visão de Foucault antecede o saber, porque ele está instituído nas relações pessoais (pai e filho) e em sociedade (patrão e empregado).
2 — “A noção de
verdade para Foucault está ligada ao exercício ou, mais propriamente, a
práticas de poder disseminadas no tecido social. Esse poder não é exercido pela
violência aparente nem pela força física, mas pelo adestramento do corpo e do
comportamento, a fim de ‘fabricar’ o tipo de trabalhador adequado para a sociedade
industrial capitalista. ” (Idem, p. 202)
A partir do trecho acima,
reflita e escreva um texto apresentando e explicando exemplos que encontramos
em nossa sociedade e nos quais podemos identificar os elementos que
caracterizam o pensamento de Foucault.
Podemos encontrar vários elementos que caracterizam o pensamento de Foucault, basta analisarmos as relações estabelecidas nas instituições como escolas, hospitais, quartéis, fábricas, etc. Em todas elas observamos as relações de poder que são estabelecidas entre as pessoas, que se caracterizam pela forma de vestir, falar, comportar etc.
Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/ .