PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 1
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades
e desigualdades na sociedade contemporânea.
OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer
a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no
país e no Mundo.
HABILIDADE(S): Identificar
e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com
culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e
informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes
espaços (urbanos e rurais) e contextos.
O QUE É CULTURA?
Você certamente já deve
ter percebido que certas palavras são utilizadas com mais de um sentido. É
precisamente esse o caso do termo “cultura”. É comum, por exemplo, ouvirmos
dizer que determinada pessoa tem cultura porque fala vários idiomas ou porque
conhece muitas obras de literatura. Saindo do plano individual, também é
frequente lermos que certa civilização produziu uma cultura muito complexa do
ponto de vista religioso. Além desses dois usos, eventualmente nos deparamos com
pessoas que costumam comparar a época atual com a do passado, dizendo, por
exemplo, que as pessoas da década de 1970 não apreciavam a cultura pop
internacional tanto quanto as de hoje o fazem. Em todos esses casos, estamos
diante da mesma palavra, “cultura”. Mas os sentidos com que ela aparece em cada
um dos contextos são bastante diferentes, conforme notou o pensador Félix Guattari.
uma das contribuições de Guattari é a distinção dos três sentidos usuais de
“cultura”: cultura- valor, cultura-alma coletiva e cultura-mercadoria.
Cultura como valor
(Capital cultural): Ela expressa a ideia de que é possível
ter ou não ter determinada cultura. É o caso, por exemplo, dos brasileiros que
dominam a língua francesa, latina ou alemã, sendo, por isso, considerados
cultos. O uso do termo “cultura” para denotar um valor permite, portanto, determinar
a distinção entre quem tem e quem não tem uma suposta cultura (por exemplo,
artística, musical, científica, filosófica e matemática, dentre outras). A
noção de cultura como valor permite, ainda, classificar certo indivíduo como
pertencente ao meio culto ou inculto, dentre muitos outros. Pessoas que não
dominam as normas da língua culta para a escrita, por exemplo, tendem a ser
classificadas como incultas.
Cultura-alma coletiva:
É o uso cotidiano da palavra “cultura”, o chamado “cultura-alma coletiva”, é sinônimo
de “civilização”. Nesse caso, estamos diante da noção de que todas as pessoas,
grupos e povos têm cultura e identidade cultural. A população do interior do
estado de São Paulo, por exemplo, tem como parte integrante de sua identidade
cultural um sotaque bastante peculiar na pronúncia do “r” em palavras como
“porta”, “jantar” e “dormir”, dentre tantas outras. É nesse sentido, portanto,
que falamos de cultura negra, chinesa ou ocidental, sempre fazendo referência
aos traços culturais que possibilitam a identificação e a caracterização dos
indivíduos que constituem esses povos.
Cultura-mercadoria:
O uso do termo “cultura” como cultura-mercadoria corresponde, segundo Guattari,
à chamada “cultura de massa”. Nesse caso, não se trata de avaliar a qualidade
da cultura que determinada pessoa tem ou não, nem tampouco de delimitar os
traços culturais de um povo (como os habitantes do interior de São Paulo). A
noção de cultura-mercadoria está ligada a bens, equipamentos e conteúdos
teóricos e ideológicos de produtos que estão à disposição das pessoas que
querem e podem comprá-los. São os casos, por exemplo, de serviço, filmes,
livros, músicas, novelas, séries e programas de reality shows consumidos por
milhões de pessoas dentro e fora do Brasil. Ou seja, gente com repertórios
culturais muito distintos (primeiro sentido) e oriundos de culturais extremamente
diversificadas (segundo sentido) pode muito bem partilhar a mesma
cultura-mercadoria quando assiste ao Big Brother ou escuta Katy Perry.
DIVERSIDADE CULTURAL E
ETNOCENTRISMO
TELLES, Norma. A
imagem do índio no livro didático: equivocada, enganadora. Em Aracy Lopes
da Silva (organizadora), A questão indígena na sala de aula, São Paulo,
Brasiliense, 1987, p. 75-6.
CULTURA POPULAR E CULTURA
ERUDITA
Muito provavelmente você
sabe o que é cultura, mas é preciso ressaltar que cultura, muitas vezes é
confundida com aquisição de conhecimentos, com educação, com erudição. A
cultura é informação, é a reunião de conhecimentos aprendidos no decorrer de
nossas vidas, é herança social.
Por ser uma herança
social, o ser humano “recebe” a cultura dos seus antepassados, mas cada pessoa,
cada indivíduo é capaz de modificar a cultura herdada, pois a cultura é
modificável, flexível, o ser humano “recebe” a cultura e a remodela, portanto a
cultura não é fixa.
E, falando em erudição, a
chamada cultura erudita está associada às elites, os seus produtores fazem
parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento é
proveniente do pensamento científico, dos livros, das pesquisas universitárias
ou do estudo em geral (erudito significa que tem instrução vasta e variada
adquirida, sobretudo pela leitura). A arte erudita e de vanguarda é produzida
visando museus, críticos de arte, propostas revolucionárias ou grandes
exposições, público e divulgação. A Cultura Erudita é a produção acadêmica
centrada no sistema educacional, sobretudo na universidade, produzida por uma
minoria de intelectuais.
Cultura é tudo aquilo que
aprendemos e compartilhamos com nossos semelhantes. Ela é relativa, não existe
uma cultura boa, ou uma cultura ruim, superior ou inferior, como acreditavam os
alemães, inclusive criadores da compreensão que muitos de nós ainda temos de
“Cultura” com C maiúsculo, indicando superioridade, e neste sentido quem
compreende a cultura desta forma arcaica e equivocada tende a fazer afirmações
do tipo: “ fulano é culto” “Fulano não tem cultura” ora, todos e todas temos
cultura!
Cultura pode por um lado
referir-se à alta cultura, à cultura dominante, ou seja, a cultura erudita, e
por outro, a qualquer cultura. No primeiro caso, cultura surge em oposição à
selvageria, à barbárie; cultura é então a própria marca da civilização, como
queriam os alemães ao idealizarem a ideia da “Kultur” alemã indicando a
superioridade da cultura alemã em detrimento das outras culturas, como modelo
de civilidade, de progresso. Ou ainda, a alta cultura surge como marca das
camadas dominantes da população de uma sociedade; se opõe à falta de domínio da
língua escrita, ou à falta de acesso à ciência, à arte e à religião daquelas
camadas dominantes. No segundo caso, pode-se falar de cultura a respeito de todos
os povos, nações, grupos ou sociedades humanas.
Cultura está muito
associada a estudo, educação, formação escolar, o que não é correto; por vezes
se fala de cultura para se referir unicamente às manifestações artísticas, como
o teatro, a música, a pintura, a escultura, cinema, logo ouvimos falar também
de acesso à cultura. Outras vezes, ao se falar na cultura da nossa época ela é
quase que identificada com os meios de comunicação de massa, tais como o rádio,
a televisão. Ou então cultura diz respeito às festas e cerimônias tradicionais,
às lendas e crenças de um povo, ou a seu modo de se vestir, à sua comida, a seu
idioma. A lista ainda pode aumentar mais.
Contudo, devemos entender
como cultura todas as maneiras de existência humana. Essa tensão entre referir-se
a uma cultura dominante ou a qualquer cultura, permanece, e explica-se em parte
a multiplicidade de significados do que seja cultura. Notem que é no segundo
sentido que as ciências sociais costumam falar de cultura, no sentido amplo,
como fenômeno unicamente humano, que se refere a capacidade que os seres
humanos tem de dar significados às suas ações e ao mundo que os rodeia.
Cabe aqui iniciarmos uma
conversa sobre cultura popular, que aparece associada ao povo, às classes excluídas
socialmente, às classes dominadas. Ao contrário da cultura erudita, a cultura
popular não está ligada ao conhecimento científico, pelo contrário, ela diz
respeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum. Geralmente a
cultura popular é identificada com folclore, conjunto das lendas, contos e
concepções transmitidas oralmente pela tradição. É produzida pelo homem do
campo, das cidades do interior ou pela população suburbana das grandes cidades.
A cultura popular é conservadora e inovadora ao mesmo tempo no sentido em que é
ligada à tradição (costumes, crenças, rituais) mas incorpora novos elementos
culturais. Muitas vezes a incorporação de elementos modernos pela cultura
popular (como materiais como plástico, por exemplo) a transformação de algumas
festas tradicionais em espetáculos para turistas (como o carnaval) ou a
comercialização de produtos da arte popular são, na verdade, modos de preservar
a cultura popular a qualquer custo e de seus produtores terem um alcance maior
do que o pequeno grupo de que fazem parte.
Todos os indivíduos, todos os seres humanos tem cultura, no entanto, cada cultura é diferente da outra, mesmo povos ditos incivilizados tem cultura, pois a cultura não baseia-se somente na linguagem escrita, e, como é herança social é transmitida de geração em geração. Cultura compreende uma série de elementos, como costumes, crenças religiosas, vestimenta, língua, objetos, rituais etc.
ATIVIDADES CORRIGIDAS:
1 — A cultura material
nada mais é que a importância que determinados objetos possuem para determinado
povo e sua cultura. É também através da cultura material que se ajuda a criar
uma identidade comum. Já a cultura imaterial é uma manifestação de elementos
representativos, de hábitos, de práticas e costumes. A transmissão dessa cultura
se dá muitas vezes pela tradição.
São exemplos de cultura
Imaterial:
a) A religião, o sotaque
e a roupa de um povo.
b) Comidas típicas, a
roupa, arquitetura e a música.
c) Utensílios, a
arquitetura, folclore e comidas típicas.
d) Festas, a religião, o
folclore e o sotaque.
e) Sotaque, a roupa,
arquitetura e a música.
Resposta: d
2 — É uma visão do mundo
onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são
pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas
definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a
dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de
estranheza, medo, hostilidade etc.
A definição corresponde a
quais conceitos?
a) Relativismo cultural.
b) Etnocentrismo.
c) Heliocentrismo.
d) Diversidade cultural.
e) Preconceito.
Resposta: b
3 — Não corresponde a uma
atitude ou visão etnocêntrica:
a) Os índios brasileiros
não tiveram a sua mão de obra aproveitada pelos portugueses por que eram preguiçosos
e não gostavam de trabalhar.
b) Os negros se tornaram
escravos dado a sua condição física: mais fortes, resistentes, destinados ao
trabalho braçal.
c) As favelas são lugares
carentes de cultura.
d) Toda sociedade possui
seu valor e devem ser respeitadas em suas diversidades.
e) O Funk devido ao
erotismo e ao estímulo ao consumo presentes nas letras de suas músicas não pode
ser considerado uma manifestação Cultural.
Resposta: d
4 — O conceito “São
diferenças culturais que existem entre os seres humanos. Há vários tipos, tais
como: a linguagem, danças, vestuário, religião e outras tradições como a
organização da sociedade” diz respeito a:
a) Ações etnocêntricas.
b) Diversidade Cultural.
c) Relatividade Moral.
d) Descritivismo
Antropológico.
e) Diversidade
Linguística.
Resposta: b
5 — Dentre as frases a
seguir, identifique aquela que expressa a principal função das propagandas em
uma sociedade de consumo.
a) Informar os
consumidores das virtudes dos produtos.
b) Divulgar o produto
para atingir demanda já existente.
c) Esconder os problemas
dos produtos.
d) Criar a necessidade de
consumo alavancando a demanda (vendas).
e) Promover pessoas
importantes.
Resposta: d
PLANO DE ESTUDO TUTORADO
2 – SEMANA 2
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades
e desigualdades na sociedade contemporânea.
OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer
a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no
país e no Mundo.
HABILIDADE(S): Identificar
e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com
culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e
informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes
espaços (urbanos e rurais) e contextos.
DESIGUALDADE SOCIAL
A Desigualdade social é o
fenômeno em que ocorre a diferenciação entre pessoas no contexto de uma mesma
sociedade, colocando alguns indivíduos em condições estruturalmente mais
vantajosas do que outros. Ela manifesta-se em todos os aspectos: cultura,
cotidiano, política, espaço geográfico e muitos outros, mas é no plano
econômico a sua face mais conhecida, em que boa parte da população não dispõe
de renda suficiente para gozar de mínimas condições de vida.
Inúmeros dados e estudos
apontam que a desigualdade social e econômica cresce em todo o mundo. Dados do
PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revelam que 1% dos
mais ricos detêm 40% dos bens globais. Um relatório da ONG Oxfam demonstra
também que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem uma renda equivalente às
3,5 bilhões de pessoas mais pobres.
Diante desse panorama,
que gera inúmeros excluídos e miseráveis em todo o mundo, surge a questão: o
que causa a desigualdade social? A grande questão é que, desde as construções
das civilizações durante o período neolítico, quando as sociedades passaram a
viver dos excedentes que produziam, as diferenças sociais começaram a surgir. O
problema, nesse caso, é a intensificação da pobreza e da falta de equidade nas
condições oferecidas para que os diferentes indivíduos possam produzir suas
próprias condições de sobrevivência.
O teórico Jean-Jacques
Rousseau afirmava que a desigualdade é um fenômeno que tende a sempre se
intensificar no contexto social. As famílias mais pobres possuem um menor
acesso à instrução e às informações necessárias para alavancar um
desenvolvimento próprio, enquanto os grupos mais ricos possuem um maior nível
estrutural para investirem e multiplicarem sua renda e os largos benefícios
advindos dela. Para Rousseau, o que causa a desigualdade é exatamente a divisão
social do trabalho, com a criação da propriedade e dos bens particulares e não
distribuíveis.
Outro pensador famoso por
categorizar essa questão foi Karl Marx. Ele enxergava a sociedade a partir da
luta de classes e via a desigualdade manifestada a partir dos desequilíbrios
entre a burguesia e os trabalhadores, haja vista que a primeira era a detentora
dos meios de produção, controlando e retendo a maior parte dos lucros sobre os
bens produzidos a partir do trabalho coletivo. Essa lógica, perpetuada pela
mais-valia, concentrava a renda e marginalizava os cidadãos, além de criar o
exército de reserva de desempregados, que garantia uma concorrência entre os
próprios trabalhadores, privando-os de sua emancipação.
Fonte: https://alunosonline.uol.com.br/sociologia/desigualdade-social.html
CONCEITOS BÁSICOS SOBRE
DESIGUALDADE SOCIAL
Conceitos de Meritocracia
Meritocracia é um sistema
ou modelo de hierarquização e premiação baseado nos méritos pessoais de cada
indivíduo. A origem etimológica da palavra meritocracia vem do latim meritum,
que significa “mérito”, unida ao sufixo grego cracía, que quer dizer
“poder”. Assim, o significado literal de meritocracia seria “poder do mérito”.
|
Você
já se perguntou por que existem pessoas pobres e pessoas ricas em nossa
sociedade? Será que o “sucesso” depende da ação individual das pessoas
(agência) ou é definido por questões sociais (estrutura social) definida
pelas maiores ou menores oportunidade que as pessoas tem ao nascer e desfrutam
ao longo de toda a sua vida. Para lhe ajudar a responder essa questão
sugerimos que assista o vídeo “O segredo da meritocracia” (acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=YINTTVjBrY4), ele ajudará a entender as
inúmeras variáveis que define a trajetória social de um indivíduo. |
Concentração de riqueza
Fenômeno presente em sociedades marcadas por intensas desigualdades, onde grande parte da riqueza produzida acaba por ficar nas mãos de uma pequena parcela de indivíduos. Tal situação acaba por dificultar as possibilidades de mobilidade social (principalmente no que se refere à ascensão social dos estratos mais pobres).
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Historicamente,
o Brasil tem apresentado um quadro de intensa concentração de riqueza nas mãos
de grupos elitizados. Nesse sentido, podemos destacar a concentração de
riqueza e poder nas mãos das elites agrárias durante todo o período da
República Velha, onde os coronéis (lideranças locais) dominavam com extrema
violência as camadas populares. Ao mesmo tempo, representantes dos grandes
latifundiários se revezavam no poder, fazendo com que a concentração de terras
e riquezas fosse mantida. |
Fonte: https://redacaonline.com.br/blog/infografico-10-dados-sobre-a-desigualdade-no-brasil/ Acesso em: 15/06/2020.
Mobilidade social
Possibilidade de um
indivíduo migrar de um grupo social para outro. Existem dois modelos de
mobilidade: ascensão social (migração de um grupo em posição socialmente
inferior para uma superior) e declínio ou queda social (passagem de um grupo
socialmente superior para outro inferior). A mobilidade pode ser obtida
mediante esforços ou conquistas individuais (como nas sociedades de classes) ou
por concessões de grupos superiores (como nas sociedades estamentais). No
modelo de castas não existe a possibilidade de ocorrer mobilidade social. Os
indivíduos nascem e permanecem no mesmo grupo social até a sua morte.
Status social
Construção da noção de
prestígio a partir de características individuais. Conceito determinado pela configuração
de prestígio social presente em características individuais. Assim como os
elementos que determinam as desigualdades sociais, a noção de status também é
construída socialmente.
O status pode ser
“adquirido” (quando conquistado por ações individuais reconhecidas
coletivamente, como, por exemplo, a profissão) ou “atribuído” (mediante
características individuais que não podem ser transformadas, como a etnia).
Alguns dos principais
elementos que determinam status na sociedade brasileira são renda, etnia, gênero,
formação educacional, local de moradia e profissão. Os indivíduos que não
possuem as características geradoras de status acabam por ser estigmatizados
nas relações sociais.
Estratificação social
Conceito que analisa a
existência de grupos hierarquicamente estabelecidos em uma sociedade. A
estratificação social pode ser explicada por diversos elementos, como, por
exemplo, renda, religião, origem ou etnia. Os elementos que configuram a
estrutura hierárquica de um povo são construídos socialmente, sendo
sociologicamente explicados a partir de um determinado contexto. A expressão estratificação
deriva de estrato, que quer dizer camada.
FORMAS DE MEDIR A
DESIGUALDADE, ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANOS — IDH
Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu
grau de “desenvolvimento humano” e para ajudar a classificar os países como
desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento
humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A
estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer,
educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida)
recolhidos em nível nacional.
Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.
IDH — Mundo
IDH — Brasil
Banco Mundial alerta para desigualdades de renda no Brasil
Em 1971, o economista
holandês Jan Pen publicou um célebre tratado sobre a distribuição de renda no
Reino Unido, no qual descreveu um desfile reunindo das pessoas mais pobres, na
abertura, às mais ricas, no fim. Daí surgiu o termo “O Desfile de Pen”. Neste
mês, um estudo do Banco Mundial para a América Latina e Caribe propôs o mesmo
exercício para o Brasil, colocando na Sapucaí “o desfile mais estranho da
história”. “Por muito tempo, só se veriam pessoas incrivelmente pequenas
(apenas alguns centímetros de altura), um incrível desfile de anões. Levaria
mais de 45 minutos para os participantes alcançarem a mesma altura que os
espectadores. Nos minutos finais, gigantes incríveis, mais altos do que
montanhas, apareceriam”, descreve o relatório, produzido pelo Gabinete do
Economista-Chefe da regional do Banco Mundial. O encerramento seria feito pelos
milionários brasileiros, que teriam dois terços de seus corpos a 100 km acima
do nível do mar.
ATIVIDADES CORRIGIDAS:
ATIVIDADE 1 - Análise
de filmes ou séries. Pesquise sobre filmes que tratam do tema das desigualdades
sociais e realize as seguintes atividades:
a) Resumo da obra (1
lauda – sem cópias da internet)
A série 3% retrata um
futuro pós-apocalíptico não muito distante, onde o planeta é um lugar
devastado. O Continente é uma região do Brasil miserável, decadente e escassa
de recursos. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de passar pelo
Processo, uma rigorosa seleção de provas físicas, morais e psicológicas que oferece
a chance de ascender ao Mar Alto, uma região onde tudo é abundante e as
oportunidades de vida são extensas. Entretanto, somente 3% dos inscritos
chegarão até lá.
b) Contexto (Tipo de
sociedade, personagens principais, tempo histórico...)
A série 3% ocorre no
mundo pós-apocalíptico, onde existem dois tipos de sociedade, uma sociedade que
tem poucos recursos para viver e outra com muita abundância. Os principais
personagens são: Marcos Alvares, Xavier, Joana Coelho, Michele Santana,
Ezequiel,
c) Qual a relação da obra
escolhida e o tema da desigualdade social?
(Sugestões – Elizium, Era
uma Vez, Cidade de Deus, Episódio Chaves... A hora da estrela; O homem que
virou suco; Central do Brasil; Bye Bye Brasil; Série 3%)
A relação da obra 3% e o
tema da desigualdade social está no fato de existirem nessa série duas
sociedades, uma sociedade escassa de recursos para a sobrevivência de seus
indivíduos e do outro lado uma sociedade abundante, onde seus indivíduos vivem
bem. Sociologicamente falando vemos nesta série o que chamamos de estratos ou
camadas sociais, a camada do mundo escasso e a camada do mundo mar alto.
ATIVIDADE 2 - CARTA AO
PREFEITO
Pesquisar em seu
bairro/comunidade (Verifique com os pais, avós, tios, amigos mais velhos):
a) Quais os principais
problemas relacionados a desigualdade social em seu bairro?
Exemplos: Segurança,
saúde e transporte.
b) Como são tratados
esses problemas? (segurança, educação, saúde, moradia, transporte, emprego).
Exemplos: A segurança vem
sendo tratada com a presença da polícia militar, mas infelizmente a saúde e o
transporte ainda não estão sendo tratados.
c) Em comparação aos
problemas de antigamente e aos atuais, o que mudou? Cite exemplos. O que você
acha que pode ser feito para amenizar essa desigualdade.
Exemplos: A segurança
melhorou, a saúde teve uma melhora com a instalação da rede de esgoto e
asfaltamento.
d) Utilize a pesquisa
como referência e elabore uma carta ou e-mail ao prefeito expondo os problemas
sociais existentes em seu bairro.
Exemplo de carta:
Senhor prefeito,
Sou morador(a) do bairro (x),
e venho através deste e-mail falar um pouco da situação do nosso bairro. A
nossa comunidade vem sofrendo muito com a falta de transporte, temos somente um
ônibus, com uma escala de horário que não favorece, além disso, as pessoas do
bairro sofrem também com a falta de atendimento médico, não temos um posto de
saúde. O atendimento da unidade mais próxima fica a 5 km de distância e para
chegar lá precisamos contar com um transporte público precário e caro. A nossa
comunidade necessita de providências para amenizar a nossa situação. Contamos
com a vossa atenção e compreensão.
ATIVIDADE 3 –
O bicho
Vi
ontem um bicho
Na
imundície do pátio
Catando
comida entre os detritos.
Quando
achava alguma coisa,
Não examinava
nem cheirava:
Engolia
com voracidade.
O
bicho não era um cão,
Não
era um gato,
Não
era um rato.
O
bicho, meu Deus, era um homem.
(Manoel Bandeira)
1 — Caracterize, compare
e dê exemplos de diversidades humanas e desigualdades sociais.
Exemplos de diversidades
humanas estão relacionadas às etnias, grupos sociais e classes sociais, como:
quilombolas, indígenas, colônias de descendência europeia, pobres e ricos etc.
As desigualdades sociais se colocam justamente frente às diversidades humanas,
como o preconceito e a discriminação de negros, indígenas, pobres.
2 — Quais as principais
características das desigualdades apresentadas em nosso texto?
O texto nos apresenta a
desigualdade de distribuição de renda (desigualdade econômica), a desigualdade
de classe (pobre) e uma situação que a desigualdade gera: a fome e a pobreza.
3 — Cite pelo menos três
características comuns às desigualdades.
Pobreza, preconceito e
discriminação.
4 — Vivemos em um mundo
de igualdade de condições?
Não. O mundo é desigual e
suas desigualdades se revelam no acesso à educação, saúde, moradia, segurança
etc.
5 — Diante dos vários
espaços de sociabilidade, todos têm o mesmo acesso aos mesmos bens materiais?
Não. Há grande
discrepância no acesso aos bens matérias entre pobres e ricos, negros,
indígenas e brancos.
6 — Pesquise dados sobre
a divisão da riqueza (distribuição da renda) no Brasil e no mundo.
No mundo
A pirâmide global da
riqueza sempre foi desigual, mas conseguiu apresentar uma desigualdade ainda
maior nos últimos anos. O relatório sobre a riqueza global 2017, do banco
Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2017) renova o quadro
amplo e esclarecedor da má distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas
adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em USD$ 280 trilhões em 2017
(meados do ano). Como havia 4,92 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza
per capita por adultos foi de USD$ 56.540,00 (cinquenta e seis e quinhentos e
quarenta mil dólares).
Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,474 bilhões de adultos, em 2017, o que representava 70,1% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de USD$ 7,6 trilhões, o que representava somente 2,7% da riqueza global de USD$ 280 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam menos de 3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 2.187,00
Chama a atenção na
distribuição da riqueza que os 36 milhões de adultos do alto da pirâmide
possuíam uma riqueza 17 vezes o patrimônio dos 3,47 bilhões de pessoas da base
da pirâmide. A renda per capita dos adultos do topo estava 1.634 vezes maior do
que a média dos adultos da base da pirâmide.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/574025-a-piramide-global-da-desigualdade-da-riqueza-2017
No Brasil
Dados
apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
revelam que a concentração de renda aumentou em 2018, acentuado ainda mais a já
exacerbada desigualdade social brasileira. O rendimento médio mensal de
trabalho da população 1% mais rica alcançou a obscena marca de 34 vezes maior
do que o da metade mais pobre em 2018.
Isso
significa que o TOP 1% (cerca de 1.4 milhão de pessoas) obteve ganho médio
mensal de R$ 27.744, enquanto os 50% menos favorecidos (mais de 100 milhões de
brasileiros) ganharam até R$ 820 ou simplesmente não possuem renda.
Em 2018, existiam 43 bilionários
no país. Desses, apenas seis possuíam o patrimônio equivalente ao de toda a
metade mais pobre da população brasileira.
UNIDADE(S)
TEMÁTICA(S): Diversidades
e desigualdades na sociedade contemporânea.
OBJETO
DE CONHECIMENTO:
Analisar a desigualdade de gênero presente na realidade brasileira e no mundo.
HABILIDADE(S): Identificar e analisar as desigualdades
nas relações entre sujeitos, grupos, classes sociais no Brasil e no mundo.
SOCIALIZAÇÃO
E IDENTIDADE DE GÊNERO
“Não
se nasce mulher, torna-se mulher” — Simone de Beauvoir
“Um
caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de
gênero é estudar a socialização do gênero, a aprendizagem de papéis do gênero
com o auxílio de organismos sociais, como a família e a mídia. Essa abordagem
faz distinção entre sexo biológico e gênero social — uma criança nasce com o
primeiro e desenvolve o segundo. Pelo contato com vários organismos sociais,
tanto primários como secundários, as crianças internalizam gradualmente as
normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu
sexo. As diferenças de gênero não são biologicamente determinadas, são
culturalmente produzidas. De acordo com essa visão, as desigualdades de gênero
surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes.” Na
socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e
negativas, forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o
comportamento. Por exemplo, um menino poderia ser sancionado positivamente em
seu (“Que menino valente você é!”), ou
ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). Essas
afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis
sociais esperados e a adequar-se a eles.”
“As
influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais;”
…
“Estudos
sobre as interações entre pais e filhos, por exemplo, mostram diferenças
distintas no tratamento de meninos e meninas, mesmo quando os pais acreditam
que suas reações para ambos sejam iguais. Os brinquedos, os livros ilustrados e
os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar
diferenças entre os atributos masculinos e femininos. Embora a situação, de
alguma forma, esteja mudando, os personagens masculinos em geral superam em
número os femininos na maior parte dos livros infantis, contos de fadas,
programas de televisão e filmes. Os personagens masculinos tendem a representar
papéis mais ativos e aventurosos, enquanto os femininos são retratados passivos,
esperançosos e voltados à vida doméstica. Pesquisadoras feministas demonstraram
como produtos culturais e de mídia, comercializados para audiências jovens,
encarnam atitudes tradicionais para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições
esperados em meninos e meninas.”
Fonte:
http://crv.educacao.mg.gov.br
Desigualdades
de gênero — Conceitos básicos
O
sexo biológico se refere a diferenças físicas e biológicas entre os membros do
sexo masculino e do feminino. Gênero, por outro lado, é um conceito social. É
um termo que se refere aos aspectos culturais e sociais associados ao fato de
se pertencer ao sexo masculino ou feminino.
A
manifestação social da identidade de gênero de acordo com as expectativas
culturais e sociais constitui o papel social de gênero, que se refere a forma
como a sociedade espera que uma pessoa se comporte pelo fato de pertencer ao
sexo masculino ou feminino, determina por exemplo, como homens e mulheres devem
se vestir, pensar, falar e interagir e refletem os valores da sociedade e são
transmitidos de geração em geração.
As
posturas para o comportamento sexual não são uniformes entre as sociedades do
mundo. No século XIX, os pressupostos religiosos sobre a sexualidade foram
substituídos em parte por visões médicas. Observa-se uma transição nas
sociedades ocidentais para um posicionamento mais liberal sobre a sexualidade,
com a liberação da sexualidade especialmente a partir da década de 1960.
Falar
de relações de gênero é falar das características atribuídas a cada sexo pela
sociedade e sua cultura. A diferença biológica é apenas o ponto de partida para
a construção social do que é ser homem ou ser mulher. O gênero é uma forma
significativa de estratificação social. As desigualdades de gênero ocorrem
porque os homens e as mulheres são socializados para papéis diferentes; são
orientados nesse processo por sanções positivas e negativas, forças socialmente
aplicadas que recompensam ou limitam o comportamento.
Processo
de socialização
A
socialização designa o processo que introduz uma pessoa à sua cultura e na qual
aprende a viver em sociedade e a decodificar as formas de fazer, de agir, de
pensar e de sentir do seu ambiente social e cultural. (Rocher, 1968) Deste modo
através do processo de socialização a pessoa constrói a sua identidade social e
interioriza as normas, os valores e os saberes que lhe permitem entrar em
relação com os outros e de funcionar no seio de um grupo, na sociedade.
Mudanças
sociais na vida das mulheres
Evidentemente,
a presença de uma fala feminina em locais que lhes eram até então proibidos, ou
pouco familiares, é uma inovação do século XIX que muda o mundo moderno.
Contudo ainda existem muitas esferas em que a desigualdade é grande.
|
MULHERES EM RISCO As mulheres vivenciam episódios de
assédio sexual ao longo das suas vidas. Dados da ONG Catalyst apontam que
cerca de 50% das mulheres da União Europeia denunciaram algum tipo de assédio
sexual no local de trabalho. No mundo, a Organização Internacional do
Trabalho (OIT) indica que mais de 50% das mulheres já foram vítimas de
assédio sexual, mas a maioria não denuncia por falta de provas; No Brasil, de acordo com o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 67% dos casos de violência contra as mulheres
são cometidos por parentes próximos ou conhecidos das famílias das vítimas,
70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e apenas 10% dos
estupros são notificados; Entre as mulheres pretas e pardas
brasileiras, os assassinatos aumentaram 54% em dez anos (entre 2003 e 2013), segundo o Mapa da
Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências
Sociais (Flacso), OPAS, ONU Mulheres Brasil e Ministério das Mulheres,
Igualdade Racial e Direitos Humanos. O número entre esse grupo é muito
superior aos 21% de incremento nos assassinatos entre todas as mulheres. Das
mortes violentas, 50,3% são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou
ex-parceiros; AS MULHERES E O MERCADO DE
TRABALHO De acordo com o Censo de 2010, as mulheres
são atualmente 58% dos universitários no Brasil. Entretanto, elas representam
apenas 2% dos presidentes das 250 maiores empresas brasileiras, segundo um
levantamento de 2013 da consultoria Bain & Company; Segundo pesquisa da FGV Direito de São
Paulo baseada em dados das empresas mais de 800 de capital aberto no Brasil
disponíveis na CVM, 48% das empresas ainda não tem nenhuma mulher no conselho
de administração, 66,5% das empresas não apresentam sequer uma mulher em
posição de diretoria executiva. O número de mulheres no conselho de
administração mais diretoria executiva passou de 7,8% em 2003 para 8,8% em
2013; As mulheres são 43% dos empreendedores
do Brasil, mas apenas 20% delas têm faturamento mensal superior a R$ 30 mil. Esse
cenário reforça as dificuldades apontadas pelo Índice Global de Empreendedorismo
e Desenvolvimento da DELL (GEDI) 47, que investiga as condições de suporte ao
empreendedorismo feminino de alto impacto pelo mundo. O GEDI apontou que 22
dos 30 países pesquisados em 2014 não tinham condições mínimas de incentivo
ao empreendedorismo feminino, como acesso a crédito, networking (rede
capacitação para as mulheres; As mulheres ainda são as principais
responsáveis pelos afazeres domésticos: um relatório do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA) 48 apontou que a média de dedicação semanal das
mulheres a esse tipo de trabalho é de 25 horas semanais contra a média 10
horas semanais entre homens; No Brasil, a média salarial feminina
corresponde a 74,5% da média salarial masculinas, de acordo com a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014, do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Para as mulheres negras, além da diferença
salarial temos ainda uma maior concentração em ocupações de menor remuneração:
um estudo de 2009 do IPEA apontou que 21% das mulheres negras no Brasil são
trabalhadoras domésticas contra 12,5% das mulheres brancas e apenas 22% têm
carteira assinada. Além de desafios práticos que as
mulheres enfrentam no mercado de trabalho, como a conciliação da carreira e
família de forma mais intensa que os homens, precisam lidar com obstáculos
invisíveis: os estereótipos. O Center for WorkLife Law da Universidade
da Califórnia validou em pesquisa a existência de quatro grupos de estereótipos
que dificultam o avanço profissional feminino: barreira da maternidade, corda
justa, prove novamente e guerra de gênero. AS MULHERES E A PRODUTIVIDADE As mulheres são uma grande força para a
economia mundial: representam mais de 40% da mão de obra global, 43% da força
de trabalho atuante e mais da metade dos estudantes universitários do mundo,
de acordo com um relatório de 2012 do Banco Mundial: • De acordo com um relatório de 2015 do McKinsey
Global Institute, resolver a desigualdade de gênero em todas as suas
dimensões poderia adicionar US$ 28 trilhões ao PIB global em 2025, o equivalente
à soma das economias e da China e dos Estados Unidos somadas. Apenas no
Brasil, essa mudança poderia gerar um PIB 30% maior, em 2025, com até US$ 850
bilhões a mais em circulação; • Os países que promovem os direitos das
mulheres e aumentam o acesso delas aos recursos e ao ensino têm taxas de
pobreza mais baixas, crescimento econômico mais rápido e menos corrupção do
que os países onde isso não ocorre, de acordo com evidências do estudo
Desenvolvimento e Gênero — Igualdade de Género em Direitos, Recursos e Voz,
do Banco Mundial. Fonte: Cartilha: Principio de empoeiramento das Mulheres —
adaptado. Disponível em:
http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/cartilha_WEPs_2016.pdf.
Acesso em: 15/06/2020. |
Contextualizando a violência contra as mulheres no Brasil
As
mulheres sofrem cotidianamente com um fenômeno que se manifesta dentro de seus
próprios lares, na grande parte das vezes praticado por seus companheiros e
familiares. O fenômeno da violência doméstica e sexual praticado contra
mulheres constitui uma das principais formas de violação dos Direitos Humanos,
atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde e à integridade física.
Fonte: Disponível em: http://incid.org.br/2012/11/29/ong-de-sao-goncalo-combate-a-violencia-contra-a-mulher/. Acesso em: 15/06/2020.
Políticas
de segurança para as mulheres
As
políticas públicas podem ser aplicadas em forma de programas, ações, campanhas,
serviços, leis e diversas outras atividades desenvolvidas pelos governos
(federal, estadual ou municipal), com a participação de entes públicos ou
privados. Essas ações têm como objetivo assegurar determinados direitos à
população, de forma difusa ou focada especificamente em algum segmento social,
cultural, étnico ou econômico. Trata de direitos garantidos constitucionalmente
ou publicamente reconhecidos por sua necessidade.
Fonte:
Políticas Públicas: conceitos e práticas. SEBRAE, 2008.
HOMOFOBIA
Homofobia
é o termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da
homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade
e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal. A
palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a
homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela
primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90,
teria sido difundido ao redor do mundo. A palavra fobia denomina uma espécie de
“medo irracional”, e o fato de ter sido empregada nesse sentido é motivo de
discussão ainda entre alguns teóricos com relação ao emprego do termo. Assim, entende-se
que não se deve resumir o conceito a esse significado.
Podemos
entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma
atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade,
de anormalidade, baseada no domínio da lógica heteronormativa, ou seja, da
heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos
chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve se compreender a
legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana. No
decorrer da história, inúmeras denominações foram usadas para identificar a
homossexualidade, refletindo o caráter preconceituoso das sociedades que
cunharam determinados termos, como: pecado mortal, perversão sexual, aberração.
Outro
componente da homofobia é a projeção. Para a psicologia, a projeção é um
mecanismo de defesa dos seres humanos, que coloca tudo aquilo que ameaça o ser
humano como sendo algo externo a ele. Assim, o mal é sempre algo que está fora
do sujeito e ainda, diferente daqueles com os quais se identifica. Por exemplo,
por muitos anos, acreditou-se que a AIDS era uma doença que contaminava exclusivamente
homossexuais. Dessa forma, o “aidético” era aquele que tinha relações homossexuais.
Assim, as pessoas podiam se sentir protegidas, uma vez que o mal da AIDS não
chegaria até elas (heterossexuais). A questão da AIDS é pouco discutida,
mantendo confusões, como essa, em vigor e sustentando ideias infundadas.
Algumas pesquisas apontam ainda para o medo que o homofóbico tem de se sentir
atraído por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o desejo é projetado para fora
e rejeitado, a partir de ações homofóbicas.
Assim,
podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde
as conhecidas “piadas” para ridicularizar até ações como violência e
assassinato. A homofobia implica ainda numa visão patológica da
homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de
“cura”. A questão não se resume aos indivíduos homossexuais, ou seja, a
homofobia compreende também questões da esfera pública, como a luta por
direitos. Muitos comportamentos homofóbicos surgem justamente do medo da
equivalência de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa,
de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida, como
discutimos.
Podemos
entender então que a homofobia compreende duas dimensões fundamentais: de um
lado a questão afetiva, de uma rejeição ao homossexual; de outro, a dimensão
cultural que destaca a questão cognitiva, onde o objeto do preconceito é a
homossexualidade como fenômeno, e não o homossexual enquanto indivíduo.
Em
maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a legalidade da união
estável entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A decisão retomou discussões
acerca dos direitos da homossexualidade, além de colocar a questão da homofobia
em pauta. Apesar das conquistas no campo dos direitos, a homossexualidade ainda
enfrenta preconceitos. O reconhecimento legal da união homoafetiva não foi capaz
de acabar com a homofobia, nem protegeu inúmeros homossexuais de serem
rechaçados, muitas vezes de forma violenta.
Fonte:
http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/homofobia.htm
ATIVIDADES
CORRIGIDAS:
Questões
para análise.
1
— Quais as principais mudanças na vida social das mulheres na modernidade?
As
mudanças na vida social das mulheres estão relacionadas ao mercado de trabalho
(exercer uma profissão), à educação (instruir-se; ir à escola e universidade) e
à participação da vida política (direito de votar e ser votada), entre outras.
2
— Cite formas de reprodução das desigualdades de gênero.
As
desigualdades de gênero se manifestam na diferença salarial entre homem e
mulher, na ocupação de cargo de chefia, na concorrência do mercado de trabalho,
no assédio moral e sexual, entre outras.
3
— Como combater as desigualdades de gênero no Brasil?
Pode-se
combater a desigualdade de gênero através da educação, das campanhas de combate
à violência contra a mulher, através da igualdade de oportunidades de salários
e empregos, através de leis que combatem a discriminação e a violência contra a
mulher, etc.
4
— Como combater a violência doméstica?
Criando
e divulgando os canais de apoio e combate a violência contra a mulher, além
disso criar e aprimorar leis de punição contra os crimes e violência contra a
mulher.
5
— Proposta
de Redação
A
partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos
construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo
em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A persistência
da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, apresentando proposta de
intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione,
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de
vista. (25 linhas)
INSTRUÇÕES:
A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de
Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de
correção. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a
redação que: tiver até 7 (sete) linhas escritas, fugir ao tema ou que não
atender ao tipo dissertativo-argumentativo; apresentar proposta de intervenção
que desrespeite os direitos humanos; ou apresentar parte do texto
deliberadamente desconectada do tema proposto.
A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
No
Brasil e no mundo, o desrespeito e a violência contra as mulheres continuam. A
violência contra mulher é um fenômeno mundial e representa um problema de saúde
pública que transcende classe social, cor, religião etc. Torna-se urgente, cada
vez mais, criar mecanismo que combata este tipo de crime.
No
Brasil se registra um caso de agressão à mulher a cada 4 minutos. Geralmente a
violência acontece em casa e o agressor é alguém próximo à vítima. A violência
contra a mulher pode ser física, psicológica, sexual ou uma combinação delas.
Além disso, podemos verificar que em determinados casos de violência sofridos
pela mulher, muitos acabam em morte, feminicídio.
Nota-se
também que muitas mulheres tem medo de denunciar a violência sofrida, mantendo
uma situação de agressão permanente. Outras denunciam, mas continuam a viver
sob o medo de a qualquer momento seu agressor voltar e fazer coisa pior. Em
comunidades carentes e periferias, a situação das mulheres agravam-se mais,
pois as dificuldades sociais e econômicas as colocam numa situação de
vulnerabilidade e insegurança.
Portanto,
é preciso combater a violência contra a mulher de forma mais precisa e para
isso torna-se urgente reforçar e aprimorar as inciativas governamentais, como a
Lei Maria da Penha, ampliar a formação da mulher e sua inserção no mercado de
trabalho, criar espaços de acolhimento psicológico e de convívio para estimular
o debate e a troca de experiências entre as mulheres e educar, principalmente
as crianças e adolescentes sobre a necessidade do respeito e do diálogo para
construção da igualdade de gênero.
PLANO
DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 4
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades
e desigualdades na sociedade contemporânea.
OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer
a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no
país e no Mundo.
HABILIDADE(S): Identificar
e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com
culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e
informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes
espaços (urbanos e rurais) e contextos.
POR QUE FALAR SOBRE RAÇA E ETNIA?
O Brasil é formado por 204,5 milhões
de habitantes, sendo que 45,22% se dizem brancos; 54,48% negros (45,06% pardos
e 8,86% pretos); 0,47% amarelos 0,38% indígenas (IBGE/PNAD-2015). Estes dados
nos mostram que o Brasil é um país multirracial, multicultural pluriétnico.
Tanta diversidade deveria ser vista como algo positivo, só que, por causa da
nossa história de discriminação e exclusão, as diferenças são transformadas em
desigualdades e má distribuição de riquezas que afetam toda a população,
sobretudo os negros e os indígenas. Além disso, outros grupos também carregam
marcas por causa de sua origem, culturas e costumes, como é o caso de ciganos,
judeus e palestinos.
O que afinal de contas é Raça?
A diferença de cor de pele é algo
relativamente recente na história da humanidade. Quando o Homo sapiens surgiu,
há 200.000 (duzentos mil) anos, todos tinham a pele negra e habitavam a África.
À medida que foram se espalhando pelo mundo, primeiro na Ásia, depois na
Oceania, na Europa e na América, as populações se adaptaram aos novos
ambientes. Os cientistas acreditam que a seleção natural exercida nesses
ambientes tenha dado origem às diferentes cores de pele e características anatômicas
que distinguem as raças. Na África, a pele escura do ser humano foi preservada
para protegê-lo do alto grau de radiação ultravioleta do sol. O grupo que foi
para o norte da Europa sofreu um processo de seleção natural que favoreceu o
clareamento da pele para aproveitar melhor o sol fraco e sintetizar a vitamina
D, essencial para os ossos.
Biologicamente as raças são definidas
como grupos de pessoas — ou animais — que são fisiológica e geneticamente
distintos de outros grupos. São da mesma raça os indivíduos que podem cruzar entre
si e produzir descendentes férteis. O uso desse conceito para classificar seres
iniciou-se há mais de um século, e naquela época se mostrava poucos científicos
e buscava legitimar preconceitos já existentes. Um exemplo de uso de uma
pseudociência (falsa) foi a eugenia que busca a purificação das raças e
justificou episódios lamentáveis da história da humanidade como o massacre de
judeus pelo governo nazista.
Recentemente, com os avanços da
teoria genética, esse conceito foi reformulado. Os estudos mais recentes
indicam que pode haver mais variação genética entre pessoas de uma mesma raça
do que entre indivíduos de raças diferentes. Isso significa que um sueco loiro
pode ser, no íntimo de seus cromossomos, mais distinto de outro sueco loiro do
que de um negro africano. Em resumo, a genética descobriu que raça não existe
abaixo da superfície cosmética que define a cor da pele, a textura do cabelo, o
formato do crânio, do nariz e dos olhos. Por isso dizemos que tentar explicar
as diferenças intelectuais, de temperamento ou de reações emocionais pelas
diferenças raciais é não apenas estúpido como perigoso.
Ignorando os avanços da ciência sobre
o estudo do gênero humano, o pensamento racista ainda hoje entende raça como
grupo social com traços culturais, linguísticos, religiosos, etc. que ele
considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo,
o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características
intelectuais e morais de um dado grupo, são consequências diretas de suas
características físicas ou biológicas, negando assim tudo que a ciência moderna
diz sobre esse tema.
O Antropólogo Kabengele Munanga,
afirma que mesmo hoje com os avanços da genética moderna apontando para a
impossibilidade de classificar os seres humanos por raças, o racismo
culturalmente se mantém em nossa sociedade, ou seja, mesmo não existindo
diferenças entre os seres humanos que justifique classificá-los em raças, ainda
existe racismo.
Racismo, um problema atual construído
no passado
Entre os problemas sociais
enfrentados pela sociedade Brasileira na atualidade o preconceito racial se destaca
por sua permanência. Por ter origens históricas e cultural no Brasil racismo
deve ser classificado como estrutural, na medida em que nossa sociedade, desde
seu princípios, foi constituída em bases racistas, não reconhecimento da diversidade
étnico-racial e em tentativa dos colonizadores europeus de subjugar e explorar
as populações indígenas que aqui estavam e os africanos trazidos forçadamente para
o nossos país. Os estudos sociológicos ao buscar compreender as raízes
históricas e processo que sustentam posturas racistas nos dias atuais, se
mostra fundamental para a construção de uma sociedade que supere esse racismo
estrutural e permita que as futuras gerações reconheça, respeite e valorize as
riquezas étnico-racial que compõem o povo Brasileiro.
Tendo em vista a importância da
discussão do tema Étnico-racial para o país, os primeiros sociólogos brasileiros,
ainda na década de 30 do século XX, já se dedicavam ao estudo do tema. Entre os
vários estudos destacam-se os realizados por Gilberto Freyre e Florestan
Fernandes os quais veremos brevemente a seguir.
A teoria da democracia racial e o
mito da democracia racial
Gilberto Freyre (1900-1987) formulou
a teoria da democracia racial na década de 1930, num cenário em que a
preocupação em definir o Brasil tomava conta dos debates políticos e
acadêmicos. O pressuposto central dessa teoria é o de que as diferentes
matrizes étnicas (europeia, ameríndia e africana) tiveram uma convivência
salutar, resultando no equilíbrio entre elas na formação da identidade cultural
brasileira. Essa formulação de Freyre transformou-se em uma alternativa às
teorias raciais e eugênicas, por entender que a miscigenação, característica da
formação social brasileira, longe de promover a degeneração física e moral da
população, era exatamente o que definia nossa identidade nacional. Essa
interpretação também fortaleceu a ideia de que no Brasil não haveria
preconceito, o que teria gerado oportunidades econômicas e sociais equilibradas
para as pessoas de diferentes grupos raciais ou étnicos.
O sociólogo Florestan Fernandes
(1920-1995), em seu livro A integração do negro na sociedade de classes (1965),
atacou a ideia de convívio harmônico entre as raças. Para ele, a democracia
racial seria um mito que mascarava a realidade de profundas desigualdades, na
qual o negro se encontrava em desvantagem política e econômica. A perspectiva
pela qual Florestan Fernandes enxergava a sociedade brasileira era a do
conflito, não a da harmonia.
Fonte: https://www.geledes.org.br/planos-de-aula-manifestacoes-culturais-afro-brasileiras/. Acesso em: 15/06/2020
CONCEITOS BÁSICOS PARA ENTENDER A QUESTÃO ÉTNICO-RACIAL NO BRASIL
Etnia
Baseia-se em traços e práticas
culturais partilhadas pelo grupo, tais como músicas, costumes, comida, ritos e
rituais. Exemplo: 1) descendentes de italianos que comem macarronada e pizza
aos domingos, escutam a Tarantela e usam expressões como ‘mamma mia’. 2)
alemães em SC e sua arquitetura, dieta e Oktoberfest Grupos étnicos no Brasil:
pomerânios do ES, poloneses do PR, italianos de SP, xavantes no MS, ianomamis
em RR, pataxós na BA.
Raça/Cor na Biologia
O termo raça foi inicialmente utilizado
para distinguir pessoas de cores diferentes. Hoje sabe-se que não existem,
biologicamente/geneticamente falando, raças distintas. Diferenças fenotípicas
não caracterizam ou identificam raças distintas. Diferenças visíveis são
adaptações ambientais sofridas ao longo do tempo.
Raça/Cor na Sociologia
Raça é uma construção social segundo
a qual membros da população compartilham características físicas herdadas. A
raça/cor depende de um critério arbitrário de escolha da sociedade. Cor é o
critério comum, mas poderia também ser formato da cabeça, cor dos olhos, tipo
de cabelo, etc. Diferenças físicas visíveis levam pessoas a assumirem certos
comportamentos, provocando ações e atitudes que são objeto de estudo da
sociologia (preconceito, discriminação, grupo minoritário).
Preconceito vs. discriminação
• Preconceito:
atitude, ideia, pensamento ou opinião baseada em julgamento emotivo e sem
fundamento, utilizando como base estereótipos ou generalizações preconcebidas.
Preconceito pode existir sem que haja discriminação. Preconceitos são
socialmente construídos e aprendidos pela experiência social e pelo processo de
socialização. São adquiridos dos pais, da igreja, na escola, nos livros e nos
filmes assistidos. Os preconceitos se baseiam em generalizações superficiais e depreciadoras
do outro (em geral portador de características físicas e culturais diferentes e
arbitrariamente consideradas inferiores); a tais generalizações a Sociologia
denomina estereótipos. Os preconceitos são normalmente difundidos, enraizados e
renovados por meio dos mecanismos socializadores, e sua reprodução ao longo da
história foi responsável pela cristalização de profundas desigualdades em
diversas sociedades.
• Discriminação:
ação deliberada e intencional de tratar um grupo social de maneira injusta e
desigual. Exemplos extremos: genocídio, xenofobia, expulsão geográfica de
determinado território. A discriminação também pode ocorrer sem que haja
sentimento de preconceito: Ex.: mulher não paga, ou paga menos até x horas,
estudante paga meia, negros que discriminam negros em processos não relacionados
a cor. Às vezes a discriminação é dissimulada, não ficando claro, nem mesmo
para quem a sofre, que ela de fato existe – o que torna ainda mais difícil
superá-la. Discriminação é uma atitude ou tratamento diferenciado em relação ao
outro que pode levar à marginalização ou exclusão. A discriminação e a
segregação materializam as ideologias calcadas em preconceitos que refletem a hegemonia
de um grupo e a subordinação de outro.
Preconceito é ideia. Discriminação é
ato.
Discriminação é uma manifestação
pública do preconceito, e como tal é passível de controle
pelo aparato jurídico do Estado. Pode-se ser preconceituoso sem traduzir tal
preconceito em atos de discriminação. Ex.: mulheres dirigem mal, mas podem
dirigir meu carro. Brancos são ruins de basquete, mas podem jogar no meu time.
Fonte: https://geekiegames.geekie.com.br/blog/tema-de-redacao-desigualdade-racial/. Acesso em: 15/06/2020.
Persistência do racismo e a importância
do movimento negro brasileiro
Nas décadas de 1960 e 1970, o
movimento negro brasileiro se inspirou na contribuição de Florestan Fernandes e
lutou contra a teoria da democracia racial, pois só admitindo a existência do
preconceito se pode lutar contra ele. Em 1989 o movimento negro conseguiu a
promulgação da Lei 7.716/ 89, tornando o racismo crime inafiançável.
Etnia: superando o conceito de raça
O conceito de etnia se refere a um
conjunto de seres humanos que partilham determinados aspectos culturais, que
vão da linguagem à religião. São características sociais e culturais e,
portanto, aprendidas — não nascemos com elas. Etnicidade é o sentimento de
pertencimento a determinada comunidade étnica; é a identificação com um grupo
social específico dentro de uma sociedade.
ATIVIDADES CORRIGIDAS:
1 — Defina os seguintes conceitos:
a) Preconceito: atitude,
ideia, pensamento ou opinião baseada em julgamento emotivo e sem fundamento,
utilizando como base estereótipos ou generalizações preconcebidas.
b) Tolerância: é
um termo que vem do latim tolerare que significa "suportar" ou
"aceitar". A tolerância é o ato de agir com condescendência e
aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir.
c) Diversidade cultural: são
os vários aspectos que representam particularmente as diferentes culturas, como
a linguagem, as tradições, a culinária, a religião, os costumes, o modelo de
organização familiar, a política, entre outras características próprias de um
grupo de seres humanos que habitam um determinado território.
d) Racismo: é
a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes raças
humanas e que uma é superior às outras. Esta noção tem base em diferentes
motivações, em especial as características físicas e outros traços do
comportamento humano. Consiste em uma atitude depreciativa e discriminatória
não baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico.
e) Etnocentrismo: é
um conceito da Antropologia definido como a visão demonstrada por alguém que
considera o seu grupo étnico ou cultura o centro de tudo, portanto, num plano
mais importante que as outras culturas e sociedades. Um indivíduo etnocêntrico
considera as normas e valores da sua própria cultura melhores do que as das
outras culturas. Isso pode representar um problema, porque frequentemente dá
origem a preconceitos e ideias infundamentadas.
2 — Escreva um texto dissertativo em
que reflita sobre a seguinte questão: “Preconceito é algo que se aprende?”
A nossa sociedade está, infelizmente,
marcada pelo preconceito, por isso afirmamos que o preconceito se aprende.
Observamos que o preconceito é uma atitude, ideia, pensamento ou opinião
baseada em julgamento emotivo e sem fundamento, utilizando como base
estereótipos ou generalizações preconcebidas.
Os preconceitos são socialmente
construídos e aprendidos pela experiência social e pelo processo de
socialização. O indivíduo assimila aquilo que está presente na sociedade. Os
indivíduos adquirem os preconceitos dos pais, da igreja, na escola, nos livros
e nos filmes assistidos. Os preconceitos se baseiam em generalizações
superficiais e depreciadoras do outro (em geral portador de características
físicas e culturais diferentes e arbitrariamente consideradas inferiores); a
tais generalizações a Sociologia denomina estereótipos.
Enfim, os preconceitos são
normalmente difundidos, enraizados e renovados por meio dos mecanismos socializadores,
e sua reprodução ao longo da história foi responsável pela cristalização de
profundas desigualdades em diversas sociedades, basta analisarmos a sociedade
brasileira.
3 — Existe racismo no Brasil? É
possível apontar situações em que ele ocorre?
Existe racismo no Brasil, basta
analisarmos as relações que se estabelecem entre negros e brancos, ou branco e
indígena. Os brancos se consideram superiores por causa da cor e da origem de
raiz europeia. Infelizmente, as relações sociais no Brasil são marcadas pelo
racismo velado, mas também escancarado. Se um negro está mal vestido ou te
observa demais, as pessoas, geralmente, o consideram mendigo ou está querendo
te roubar, além disso, há piadas ou brincadeiras racistas que revelam situações
de discriminação. Vejamos exemplos:
Um
crioulo entra no mesmo ônibus em que viajava uma senhora com um macaquinho no
colo. O negão, então, pergunta pro motorista:
-
Ué, já tá podendo levar macaco no ônibus?
-
Poder não pode! – responde o motorista. – Mas fica aí na moita que eu finjo que
não te vi...
Em
um ônibus vão uma mãe branca com o filhinho no colo e uma mãe negra com o seu
filho, lado a lado, no banco. O nenê branco fica com fome e começa a chorar, aí
sua mãe abre a camisa, pega o seio e lhe dá de mamar. Ele mama, quando saciado
abandona o seio da mãe. Antes que ele pegue no sono, a mãe dá uns tapinhas nas
suas costas para ele arrotar. Ele arrota e dorme.
O
pequeno filho da mãe negra também fica com fome e começa a chorar, procedendo
então da mesma forma que o “branquinho”: puxa a camisa da mãe querendo mamar.
Depois que o menino fica saciado, ela guarda o seio, fecha a camisa e começa a
dar tapinhas nas costas do neguinho. Até que diz: “Arrota, meu filho. Arrota!”
O neguinho, todo assustado, levanta incontinente as mãos para cima.
4 — Porque o racismo persiste no
Brasil e como podemos combatê-lo?
O racismo persiste no Brasil porque é
um elemento enraizado na cultura, desde a chegada dos portugueses a essa terra.
O racismo brasileiro vem da relação de dominador, os portugueses, considerados
superiores, e dominados, os negros escravizados e indígenas, no tempo da
escravidão e que se estendeu pelos séculos seguintes. Podemos combater o
racismo no Brasil através da educação, do diálogo, através da igualdade de
oportunidades para os negros, das leis de punição contra a discriminação e
preconceito, do estudo e análise da história brasileira etc.
5 — Pesquisa 1
— Por que dia 20 de novembro foi
escolhido para comemorar o Dia da Consciência Negra?
O dia 20 de novembro foi escolhido
para representar o Dia Nacional da Consciência Negra por conta da importância
da figura de Zumbi dos Palmares na luta e resistência contra a escravidão de
povos de origem africana.
— Quem foi Zumbi dos Palmares e
porque ele é um símbolo tão importante para o povo negro?
Zumbi foi um grande líder e
representante da resistência negra. Ele representa um símbolo para o povo negro
porque defendeu a abolição da escravidão, a liberdade dos negros e a cultura de
origem africana.
— O que foram os quilombos?
Os quilombos eram comunidades
formadas por negros escravizados que fugiam da tirania de seus senhores e
escondiam-se em lugares de difícil acesso no meio das matas. O Quilombo dos
Palmares foi o maior e mais duradouro dos quilombos registrados pelos estudos
historiográficos. Estima-se que a sua formação tenha durado cerca de 100 anos e
abrigado entre 20 mil e 30 mil habitantes. A localização territorial do
Quilombo dos Palmares era na região da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas.
— Como surgiu o Dia da Consciência
Negra?
O Dia da Consciência Negra é uma conquista realizada pelo movimento negro, movimento social que tem suas origens, no Brasil, localizadas no final do século XIX com o movimento abolicionista. O movimento negro retomou sua força aqui durante a fase da abertura na Ditadura Militar, isto é, na segunda metade da década de 1970. Dentro daquele contexto, um dos grupos com a atuação mais relevante era o Movimento Negro Unificado contra o Racismo (MNU). Esse grupo, durante um congresso que aconteceu em São Paulo, em 1978, escolheu Zumbi dos Palmares como um símbolo da resistência dos negros contra a escravidão e opressão, em um sentido amplo, no Brasil. O movimento negro atual luta pela conquista de direitos para a população negra do Brasil e contra o apagamento da cultura afro-brasileira; é enxergado como o herdeiro dos movimentos de resistência à escravidão no passado. Com a escolha de Zumbi como símbolo dessa luta, a data da sua morte, 20 de novembro, tornou-se simbólica e muito importante.
6 — Pesquisa 2
— Pesquisar objetivos, pautas atuais,
principais conquistas e representantes do movimento negro no Brasil e no mundo.
O movimento negro começou a surgir no
Brasil durante o período da escravidão. Para defender-se das violências e
injustiças praticadas pelos senhores, os negros escravizados se uniram para
buscar formas de resistência.
A luta do Movimento Negro resultou, a
duras penas, em várias conquistas para a população negra ao redor do mundo. Na
África do Sul, por exemplo, o ativismo negro liderado pelo Nobel da Paz Nelson
Mandela resultou, após décadas de luta e prisão de seu líder, no fim do
Apartheid institucionalizado no país. Não apenas na África do Sul, mas em todo
mundo a população negra sofreu e ainda sofre com cenários de segregação,
racismo estrutural e explícito, além da falta de oportunidades e igualdade de
condições entre os cidadãos.
No Brasil, apesar de um quadro ainda
muito desfavorável à população negra, é possível apontar algumas conquistas,
como: a criação do Dia da Consciência Negra (20 de novembro); Lei 10.639/2013,
que inclui a comemoração do Dia da Consciência Negra no calendário escolar,
trazendo a discussão da história e da cultura afro-brasileiras, além da
valorização dos africanos e afro-brasileiros nos currículos escolares da rede
pública de ensino; Lei 12.711/2012, que criou as cotas para ingresso em cursos
superiores, aos poucos difundidas nas maiores universidades do país, sejam elas
federais, estaduais ou até mesmo privadas; criação da Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em março de 2013; Diversas
ações afirmativas de combate à discriminação racial por meio de transformações
culturais e políticas de representatividade.
O que o movimento negro busca hoje se
refere à compensação por todos os anos de trabalho forçado e à falta de
inclusão social após esse período; a falta de políticas públicas destinadas a
maior presença do negro no mercado de trabalho e nos campos educacionais.
São vários os líderes do Movimento
Negro no Brasil e no mundo. Entre os principais, podemos citar: Zumbi dos
Palmares (Brasil); José do Patrocínio (Brasil); André Rebouças (Brasil); João
Cândido (Brasil); Nelson Mandela (África do Sul); Amelia Boynton Robinson (Estados
Unidos); Angela Davis (Estados Unidos); Bayard Rustin (Estados Unidos); James
Bevel (Estados Unidos); James Meredith (Estados Unidos); Malcolm X (Estados
Unidos); Martin Luther King Jr. (Estados Unidos); Mumia Abu-Jamal (Estados
Unidos); Rosa Parks (Estados Unidos); W. E. B. Du Bois (Estados Unidos).
— Pesquisa sobre pessoas que lutaram
pelos direitos dos negros no Brasil e no mundo.
José do Patrocínio
José do Patrocínio (1853-1905) foi um
abolicionista, jornalista e escritor brasileiro. Participou ativamente dos
movimentos para libertação dos escravos.
José do Patrocínio nasceu em Campos,
Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 1853. Filho do Cônego João Carlos
Monteiro, vigário de Campos e da escrava Justina Maria, aprendeu as primeiras
letras e recebeu certa proteção. Com permissão do pai foi para a capital, onde
começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia.
Sua participação nas campanhas contra
a escravidão e a monarquia começou em 1871, com um poema no jornal A República.
Em 1868, com a ajuda do professor
João Pedro de Aquino, entrou para Faculdade de Medicina, como aluno do curso de
farmácia. Forma-se em 1874 e para sobreviver passou a lecionar.
Angela Davis
Angela Yvone Davis nasceu no dia 26
de janeiro de 1944, na cidade de Birmingham, Alabama, nos Estados Unidos. Sua
cidade sofria, na época de seu nascimento, com a política de segregação racial
implantada na maioria dos estados do sul dos Estados Unidos. Angela Davis é uma
filósofa, escritora, professora e ativista estadunidense. Desde a década de
1960, Davis luta pelos direitos da população negra e das mulheres nos Estados
Unidos. Intelectualmente, ela é influenciada pelo marxismo e pela Escola de
Frankfurt. Nos movimentos sociais, defende a igualdade entre negros e brancos e
a igualdade de gênero, além de teorizar acerca da importância do feminismo
negro para reconhecer as dificuldades da mulher negra na sociedade, que, além
de sofrer pela misoginia, sofre também pelo racismo.
7 — Pesquisa 3
— Pesquisar a importância da cultura
negra no Brasil atual;
A partir da metade do século 16, os
africanos chegaram ao Brasil para trabalhar como escravos. Com eles, vieram os
costumes, as religiões, as tradições, uma cultura forte e diferente das que já estavam
aqui, vindas dos europeus e dos índios. A união e a mistura de todos esses
elementos deram origem à identidade brasileira. As contribuições da cultura de
origem africana para a construção da personalidade brasileira são inegáveis.
Elas estão em toda parte. Música: Além do samba, que é o estilo
brasileiro mais famoso no mundo, outros ritmos também vieram da mãe África:
Maracatu, Congada, Cavalhada, Moçambique. Além disso, muitos instrumentos
musicais: afoxé: tipo de chocalho feito com uma cabaça e uma rede de miçangas; agogô:
cones de metal tocados com uma baqueta; barimbau; caxixi: cesto de vime em
forma de chocalho encerrado no fundo uma cabaça com sementes; atabaque: tambor
alto; cuíca: parecido com tambor, mas com uma varinha encostada à pele, que
fricciona produzindo som; djembe; ganzá e muitos outros. Culinária:
Ingredientes como o leite de coco, a pimenta malagueta, o gengibre, o milho, o
feijão preto, as carnes salgadas e curadas, o quiabo, o amendoim, o mel, a
castanha, as ervas aromáticas e o azeite de dendê não eram conhecidos nem
usados no Brasil antes da chegada deles. Muitos pratos conhecidos e apreciados
aqui vieram de lá: vatapá, o caruru, o abará, o abrazô, o acaçá, o acarajé, o
bobó, os caldos, o cozido, a galinha de gabidela, o angu, a cuscuz salgado, a
moqueca e a famosa feijoada. E os doces? Canjica, mungunzá, quindim, pamonha,
angu doce, doce de coco, doce de abóbora, paçoca, quindim de mandioca, tapioca,
bolo de milho, bolinho de tapioca entre outros. Religiões: Na
África, há muitas religiões diferentes. Antes de vir para cá, cada um seguia a
religião de sua família, clã ou grupo. Mas quando chegaram aqui, os escravos
foram separados de seus parentes e pessoas próximas. Por isso, passaram a se
reuniar com pessoas de outras etnias para realizarem os cultos secretamente.
Para que todos pudessem participar, essas reuniões eram uma mistura de cada
religião, com rituais e cultura unidos e partilhados. Daí surgiu o Candomblé. A
crença nasceu na Bahia e tem sido sinônimo de tradições religiosas
afro-brasileiras em geral. A Umbanda, que também tem origens africanas, une
práticas de várias religiões, inclusive a Católica. Ela se originou no Rio de
Janeiro, no início do século 20. Tem muitas outras religiões de origem
africana:
— Pesquisar personalidades negras ou
mestiças na História do Brasil;
Uma das maiores personalidades negras
Brasil é, provavelmente, Machado de Assis. Ele é o maior dos escritores
brasileiros (ao lado de Guimarães Rosa) e construiu as bases de uma sólida
literatura nacional, se distanciando do até então "plágio" costumeiro
das escolas europeias, praticado pelos autores que vieram antes dele. Machado
de Assis era um mulato oriundo das camadas pobres da população, mas isso não o
impediu de ser um genial usuário da forma escrita da língua portuguesa, além de
um dedicado funcionário público e responsável pela criação da Academia
Brasileira de Letras, instituição sólida e que existe até hoje. Além de Machado
de Assis, outro negro chama atenção no cenário da literatura nacional: Lima
Barreto, o autor de "Triste fim de Policarpo Quaresma" e "Clara
do Anjos", além de um exímio narrador da realidade das periferias do Rio
de Janeiro durante o início do século XX.
— Pesquisar sobre as populações
descendentes dos quilombos (quilombolas).
Os grupos étnicos conhecidos como
“comunidades remanescentes de quilombos”, “quilombolas”, “comunidades negras
rurais” são constituídos pelos descendentes dos escravos negros que, no
processo de resistência à escravidão, originaram grupos sociais que ocupam um
território comum e compartilham características culturais até os dias de hoje.
Comunidades constituídas por
descendentes dos quilombos existem não só no Brasil mas também em outros países
da América do Sul como Colômbia (onde são denominados cimarrones), Equador e
Suriname e da América Central, como Nicarágua, Honduras e Belize onde são
conhecidos como creoles e garífunas.
As comunidades quilombolas estão
localizadas em todas as regiões do Brasil ocupando diferentes ecossistemas e
explorando os recursos naturais de seus territórios de formas diversas. Algumas
encontram-se em regiões ainda bastante isoladas da Amazônia, várias outras na
zona rural de regiões já bastante desenvolvidas e algumas ainda estão
localizados em centros urbanos.
Não existe um levantamento oficial
sobre o número de comunidades quilombolas existentes no Brasil ou sua
população. Fontes não governamentais estimam a existência de 2.000 a 3.000
comunidades. O cadastro oficial do governo brasileiro reconhece a existência de
1.170 comunidades. Tão pouco se sabe a dimensão dos territórios quilombolas o
Brasil. Em outubro de 2006, os territórios já titulados somavam 931.187
hectares.
As comunidades quilombolas são bastante diferentes umas das outras. Foram fundadas a partir de diferentes processos de resistência. Ocupam ecossistemas muito diversos e desenvolveram diferentes estratégias de exploração dos recursos de seus territórios.
8 — Análise de Músicas
Procure músicas que tratam sobre a
questão das desigualdades raciais e analise.
Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio
Negreiro/O Rappa e Preto Cismado/Aláfia são músicas que retratam a situação do
negro no Brasil, como marginalizados e que vivem sob a criminalidade. Mostra a
situação do negro que vem desde a escravidão e se estende pelos nossos dias,
situação de desigualdade social e econômica, preconceito e discriminação. E
esse cenário é denunciado através da música e da arte que revelam que os
resquícios da escravidão estão presentes até hoje em nossa sociedade.
9 — Análise de vídeos
Procure filmes ou documentários que
tratam sobre a questão das desigualdades raciais e analise. Sugestões: “Vista
minha pele”, “Pantera Negra”, “Todo mundo odeia o Cris”, “Corra”, “Um maluco no
pedaço”.
Todo mundo odeia o Cris é uma série
americana baseada na vida do comediante Chris Rock, a série conta a história de
Chris, um adolescente negro que vive com a família no bairro do Brooklyn, em
Nova York, na década de 1980. Cris passa por diversas situações de preconceito
e discriminação. A série mostra um racismo estrutural que causa dor social
naqueles que são agredidos e que sofrerão essa dor durante toda a sua
existência. Mostra a condição do negro para ser aceito em sociedade, inclusão
social, e na busca pela igualdade racial.
Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/ .














