quinta-feira, 27 de agosto de 2020

PET 2 - SEMANA 1, 2, 3 E 4 - 1º ANO EM - SOCIOLOGIA

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 1

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades e desigualdades na sociedade contemporânea.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no país e no Mundo.

HABILIDADE(S): Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.

O QUE É CULTURA?

Você certamente já deve ter percebido que certas palavras são utilizadas com mais de um sentido. É precisamente esse o caso do termo “cultura”. É comum, por exemplo, ouvirmos dizer que determinada pessoa tem cultura porque fala vários idiomas ou porque conhece muitas obras de literatura. Saindo do plano individual, também é frequente lermos que certa civilização produziu uma cultura muito complexa do ponto de vista religioso. Além desses dois usos, eventualmente nos deparamos com pessoas que costumam comparar a época atual com a do passado, dizendo, por exemplo, que as pessoas da década de 1970 não apreciavam a cultura pop internacional tanto quanto as de hoje o fazem. Em todos esses casos, estamos diante da mesma palavra, “cultura”. Mas os sentidos com que ela aparece em cada um dos contextos são bastante diferentes, conforme notou o pensador Félix Guattari. uma das contribuições de Guattari é a distinção dos três sentidos usuais de “cultura”: cultura- valor, cultura-alma coletiva e cultura-mercadoria.

Cultura como valor (Capital cultural): Ela expressa a ideia de que é possível ter ou não ter determinada cultura. É o caso, por exemplo, dos brasileiros que dominam a língua francesa, latina ou alemã, sendo, por isso, considerados cultos. O uso do termo “cultura” para denotar um valor permite, portanto, determinar a distinção entre quem tem e quem não tem uma suposta cultura (por exemplo, artística, musical, científica, filosófica e matemática, dentre outras). A noção de cultura como valor permite, ainda, classificar certo indivíduo como pertencente ao meio culto ou inculto, dentre muitos outros. Pessoas que não dominam as normas da língua culta para a escrita, por exemplo, tendem a ser classificadas como incultas.

Cultura-alma coletiva: É o uso cotidiano da palavra “cultura”, o chamado “cultura-alma coletiva”, é sinônimo de “civilização”. Nesse caso, estamos diante da noção de que todas as pessoas, grupos e povos têm cultura e identidade cultural. A população do interior do estado de São Paulo, por exemplo, tem como parte integrante de sua identidade cultural um sotaque bastante peculiar na pronúncia do “r” em palavras como “porta”, “jantar” e “dormir”, dentre tantas outras. É nesse sentido, portanto, que falamos de cultura negra, chinesa ou ocidental, sempre fazendo referência aos traços culturais que possibilitam a identificação e a caracterização dos indivíduos que constituem esses povos.

Cultura-mercadoria: O uso do termo “cultura” como cultura-mercadoria corresponde, segundo Guattari, à chamada “cultura de massa”. Nesse caso, não se trata de avaliar a qualidade da cultura que determinada pessoa tem ou não, nem tampouco de delimitar os traços culturais de um povo (como os habitantes do interior de São Paulo). A noção de cultura-mercadoria está ligada a bens, equipamentos e conteúdos teóricos e ideológicos de produtos que estão à disposição das pessoas que querem e podem comprá-los. São os casos, por exemplo, de serviço, filmes, livros, músicas, novelas, séries e programas de reality shows consumidos por milhões de pessoas dentro e fora do Brasil. Ou seja, gente com repertórios culturais muito distintos (primeiro sentido) e oriundos de culturais extremamente diversificadas (segundo sentido) pode muito bem partilhar a mesma cultura-mercadoria quando assiste ao Big Brother ou escuta Katy Perry.

DIVERSIDADE CULTURAL E ETNOCENTRISMO

O etnocentrismo denota a maneira pela qual um grupo, identificado por sua particularidade cultural, constrói uma imagem do universo que favorece a si mesmo. Compõe-se de uma valorização positiva do próprio grupo, e um referência aos grupos exteriores marcada pela aplicação de normas do seu próprio grupo, ignorando, portanto, a possibilidade de o outro ser diferente. Sendo baseado numa preferência que não encontra uma validade racional, o etnocentrismo é encontrado, em diferentes graus, em todas as culturas humanas. Mas não é só o fato de preferir a própria cultura que constitui o que se convencionou chamar de etnocentrismo, e sim o preconceito acrítico em favor do próprio grupo e uma visão distorcida e preconceituosa em relação aos demais. O etnocentrismo é um fenômeno sutil, que se manifesta através de omissões, seleção de acontecimentos importantes, enunciado de um sistema de valores particular, etc. Em sua expansão, a partir do século XV, as sociedades europeias se defrontaram com outras sociedades e perceberam que estas não eram feitas à sua imagem. A reação imediata do Ocidente foi o etnocentrismo. Em seu avanço, a cultura europeia não só é etnocêntrica, como também etnocidária. O etnocídio é a destruição de modos de vida e de pensamentos diferentes dos compartilhados por aqueles que conduzem à prática da destruição, que reconhecem a diferença como um mal que deve ser sanado mediante a transformação do Outro em algo idêntico ao modelo imposto. Resulta disso, segundo Jaulin, que o conjunto submetido a essa cultura é homogêneo, pois provém da extensão de si mesmo e da negação do Outro. O outro é sempre negado pelas culturas europeias, pois o universo no qual está integrado passa a depender dessas culturas.

TELLES, Norma. A imagem do índio no livro didático: equivocada, enganadora. Em Aracy Lopes da Silva (organizadora), A questão indígena na sala de aula, São Paulo, Brasiliense, 1987, p. 75-6.

CULTURA POPULAR E CULTURA ERUDITA

Muito provavelmente você sabe o que é cultura, mas é preciso ressaltar que cultura, muitas vezes é confundida com aquisição de conhecimentos, com educação, com erudição. A cultura é informação, é a reunião de conhecimentos aprendidos no decorrer de nossas vidas, é herança social.

Por ser uma herança social, o ser humano “recebe” a cultura dos seus antepassados, mas cada pessoa, cada indivíduo é capaz de modificar a cultura herdada, pois a cultura é modificável, flexível, o ser humano “recebe” a cultura e a remodela, portanto a cultura não é fixa.

E, falando em erudição, a chamada cultura erudita está associada às elites, os seus produtores fazem parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento é proveniente do pensamento científico, dos livros, das pesquisas universitárias ou do estudo em geral (erudito significa que tem instrução vasta e variada adquirida, sobretudo pela leitura). A arte erudita e de vanguarda é produzida visando museus, críticos de arte, propostas revolucionárias ou grandes exposições, público e divulgação. A Cultura Erudita é a produção acadêmica centrada no sistema educacional, sobretudo na universidade, produzida por uma minoria de intelectuais.

Cultura é tudo aquilo que aprendemos e compartilhamos com nossos semelhantes. Ela é relativa, não existe uma cultura boa, ou uma cultura ruim, superior ou inferior, como acreditavam os alemães, inclusive criadores da compreensão que muitos de nós ainda temos de “Cultura” com C maiúsculo, indicando superioridade, e neste sentido quem compreende a cultura desta forma arcaica e equivocada tende a fazer afirmações do tipo: “ fulano é culto” “Fulano não tem cultura” ora, todos e todas temos cultura!

Cultura pode por um lado referir-se à alta cultura, à cultura dominante, ou seja, a cultura erudita, e por outro, a qualquer cultura. No primeiro caso, cultura surge em oposição à selvageria, à barbárie; cultura é então a própria marca da civilização, como queriam os alemães ao idealizarem a ideia da “Kultur” alemã indicando a superioridade da cultura alemã em detrimento das outras culturas, como modelo de civilidade, de progresso. Ou ainda, a alta cultura surge como marca das camadas dominantes da população de uma sociedade; se opõe à falta de domínio da língua escrita, ou à falta de acesso à ciência, à arte e à religião daquelas camadas dominantes. No segundo caso, pode-se falar de cultura a respeito de todos os povos, nações, grupos ou sociedades humanas.

Cultura está muito associada a estudo, educação, formação escolar, o que não é correto; por vezes se fala de cultura para se referir unicamente às manifestações artísticas, como o teatro, a música, a pintura, a escultura, cinema, logo ouvimos falar também de acesso à cultura. Outras vezes, ao se falar na cultura da nossa época ela é quase que identificada com os meios de comunicação de massa, tais como o rádio, a televisão. Ou então cultura diz respeito às festas e cerimônias tradicionais, às lendas e crenças de um povo, ou a seu modo de se vestir, à sua comida, a seu idioma. A lista ainda pode aumentar mais.

Contudo, devemos entender como cultura todas as maneiras de existência humana. Essa tensão entre referir-se a uma cultura dominante ou a qualquer cultura, permanece, e explica-se em parte a multiplicidade de significados do que seja cultura. Notem que é no segundo sentido que as ciências sociais costumam falar de cultura, no sentido amplo, como fenômeno unicamente humano, que se refere a capacidade que os seres humanos tem de dar significados às suas ações e ao mundo que os rodeia.

Cabe aqui iniciarmos uma conversa sobre cultura popular, que aparece associada ao povo, às classes excluídas socialmente, às classes dominadas. Ao contrário da cultura erudita, a cultura popular não está ligada ao conhecimento científico, pelo contrário, ela diz respeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum. Geralmente a cultura popular é identificada com folclore, conjunto das lendas, contos e concepções transmitidas oralmente pela tradição. É produzida pelo homem do campo, das cidades do interior ou pela população suburbana das grandes cidades. A cultura popular é conservadora e inovadora ao mesmo tempo no sentido em que é ligada à tradição (costumes, crenças, rituais) mas incorpora novos elementos culturais. Muitas vezes a incorporação de elementos modernos pela cultura popular (como materiais como plástico, por exemplo) a transformação de algumas festas tradicionais em espetáculos para turistas (como o carnaval) ou a comercialização de produtos da arte popular são, na verdade, modos de preservar a cultura popular a qualquer custo e de seus produtores terem um alcance maior do que o pequeno grupo de que fazem parte.

Todos os indivíduos, todos os seres humanos tem cultura, no entanto, cada cultura é diferente da outra, mesmo povos ditos incivilizados tem cultura, pois a cultura não baseia-se somente na linguagem escrita, e, como é herança social é transmitida de geração em geração. Cultura compreende uma série de elementos, como costumes, crenças religiosas, vestimenta, língua, objetos, rituais etc.

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

1 — A cultura material nada mais é que a importância que determinados objetos possuem para determinado povo e sua cultura. É também através da cultura material que se ajuda a criar uma identidade comum. Já a cultura imaterial é uma manifestação de elementos representativos, de hábitos, de práticas e costumes. A transmissão dessa cultura se dá muitas vezes pela tradição.

São exemplos de cultura Imaterial:

a) A religião, o sotaque e a roupa de um povo.

b) Comidas típicas, a roupa, arquitetura e a música.

c) Utensílios, a arquitetura, folclore e comidas típicas.

d) Festas, a religião, o folclore e o sotaque.

e) Sotaque, a roupa, arquitetura e a música.

Resposta: d

2 — É uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade etc.

A definição corresponde a quais conceitos?

a) Relativismo cultural.

b) Etnocentrismo.

c) Heliocentrismo.

d) Diversidade cultural.

e) Preconceito.

Resposta: b

3 — Não corresponde a uma atitude ou visão etnocêntrica:

a) Os índios brasileiros não tiveram a sua mão de obra aproveitada pelos portugueses por que eram preguiçosos e não gostavam de trabalhar.

b) Os negros se tornaram escravos dado a sua condição física: mais fortes, resistentes, destinados ao trabalho braçal.

c) As favelas são lugares carentes de cultura.

d) Toda sociedade possui seu valor e devem ser respeitadas em suas diversidades.

e) O Funk devido ao erotismo e ao estímulo ao consumo presentes nas letras de suas músicas não pode ser considerado uma manifestação Cultural.

Resposta: d

4 — O conceito “São diferenças culturais que existem entre os seres humanos. Há vários tipos, tais como: a linguagem, danças, vestuário, religião e outras tradições como a organização da sociedade” diz respeito a:

a) Ações etnocêntricas.

b) Diversidade Cultural.

c) Relatividade Moral.

d) Descritivismo Antropológico.

e) Diversidade Linguística.

Resposta: b

5 — Dentre as frases a seguir, identifique aquela que expressa a principal função das propagandas em uma sociedade de consumo.

a) Informar os consumidores das virtudes dos produtos.

b) Divulgar o produto para atingir demanda já existente.

c) Esconder os problemas dos produtos.

d) Criar a necessidade de consumo alavancando a demanda (vendas).

e) Promover pessoas importantes.

Resposta: d

 

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 2

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades e desigualdades na sociedade contemporânea.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no país e no Mundo.

HABILIDADE(S): Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.

DESIGUALDADE SOCIAL

A Desigualdade social é o fenômeno em que ocorre a diferenciação entre pessoas no contexto de uma mesma sociedade, colocando alguns indivíduos em condições estruturalmente mais vantajosas do que outros. Ela manifesta-se em todos os aspectos: cultura, cotidiano, política, espaço geográfico e muitos outros, mas é no plano econômico a sua face mais conhecida, em que boa parte da população não dispõe de renda suficiente para gozar de mínimas condições de vida.

Inúmeros dados e estudos apontam que a desigualdade social e econômica cresce em todo o mundo. Dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revelam que 1% dos mais ricos detêm 40% dos bens globais. Um relatório da ONG Oxfam demonstra também que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem uma renda equivalente às 3,5 bilhões de pessoas mais pobres.

Diante desse panorama, que gera inúmeros excluídos e miseráveis em todo o mundo, surge a questão: o que causa a desigualdade social? A grande questão é que, desde as construções das civilizações durante o período neolítico, quando as sociedades passaram a viver dos excedentes que produziam, as diferenças sociais começaram a surgir. O problema, nesse caso, é a intensificação da pobreza e da falta de equidade nas condições oferecidas para que os diferentes indivíduos possam produzir suas próprias condições de sobrevivência.

O teórico Jean-Jacques Rousseau afirmava que a desigualdade é um fenômeno que tende a sempre se intensificar no contexto social. As famílias mais pobres possuem um menor acesso à instrução e às informações necessárias para alavancar um desenvolvimento próprio, enquanto os grupos mais ricos possuem um maior nível estrutural para investirem e multiplicarem sua renda e os largos benefícios advindos dela. Para Rousseau, o que causa a desigualdade é exatamente a divisão social do trabalho, com a criação da propriedade e dos bens particulares e não distribuíveis.

Outro pensador famoso por categorizar essa questão foi Karl Marx. Ele enxergava a sociedade a partir da luta de classes e via a desigualdade manifestada a partir dos desequilíbrios entre a burguesia e os trabalhadores, haja vista que a primeira era a detentora dos meios de produção, controlando e retendo a maior parte dos lucros sobre os bens produzidos a partir do trabalho coletivo. Essa lógica, perpetuada pela mais-valia, concentrava a renda e marginalizava os cidadãos, além de criar o exército de reserva de desempregados, que garantia uma concorrência entre os próprios trabalhadores, privando-os de sua emancipação.

Fonte: https://alunosonline.uol.com.br/sociologia/desigualdade-social.html

CONCEITOS BÁSICOS SOBRE DESIGUALDADE SOCIAL

Conceitos de Meritocracia

Meritocracia é um sistema ou modelo de hierarquização e premiação baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo. A origem etimológica da palavra meritocracia vem do latim meritum, que significa “mérito”, unida ao sufixo grego cracía, que quer dizer “poder”. Assim, o significado literal de meritocracia seria “poder do mérito”.

De acordo com a definição “pura” da meritocracia, o processo de alavancamento profissional e social é uma consequência dos méritos individuais de cada pessoa, ou seja, dos seus esforços e dedicações. A meritocracia é um modelo de distribuição de recursos, prêmios ou vantagens, cujo critério único a ser considerado é o desempenho e as aptidões individuais de cada pessoa. Como uma das ideias que fundamenta moralmente o liberalismo, a meritocracia é um princípio essencial de justiça nas sociedades ocidentais modernas. A partir dessa ideia é que se justifica e se legitima a forma como os recursos estão distribuídos na sociedade. Segundo essa tese, a mobilidade social deve ser um resultado exclusivo dos esforços individuais através da qualificação e do trabalho.

Você já se perguntou por que existem pessoas pobres e pessoas ricas em nossa sociedade? Será que o “sucesso” depende da ação individual das pessoas (agência) ou é definido por questões sociais (estrutura social) definida pelas maiores ou menores oportunidade que as pessoas tem ao nascer e desfrutam ao longo de toda a sua vida. Para lhe ajudar a responder essa questão sugerimos que assista o vídeo “O segredo da meritocracia” (acesse: https://www.youtube.com/watch?v=YINTTVjBrY4), ele ajudará a entender as inúmeras variáveis que define a trajetória social de um indivíduo.

Concentração de riqueza

Fenômeno presente em sociedades marcadas por intensas desigualdades, onde grande parte da riqueza produzida acaba por ficar nas mãos de uma pequena parcela de indivíduos. Tal situação acaba por dificultar as possibilidades de mobilidade social (principalmente no que se refere à ascensão social dos estratos mais pobres).

Historicamente, o Brasil tem apresentado um quadro de intensa concentração de riqueza nas mãos de grupos elitizados. Nesse sentido, podemos destacar a concentração de riqueza e poder nas mãos das elites agrárias durante todo o período da República Velha, onde os coronéis (lideranças locais) dominavam com extrema violência as camadas populares. Ao mesmo tempo, representantes dos grandes latifundiários se revezavam no poder, fazendo com que a concentração de terras e riquezas fosse mantida.

 

Fonte: https://redacaonline.com.br/blog/infografico-10-dados-sobre-a-desigualdade-no-brasil/ Acesso em: 15/06/2020.

Mobilidade social

Possibilidade de um indivíduo migrar de um grupo social para outro. Existem dois modelos de mobilidade: ascensão social (migração de um grupo em posição socialmente inferior para uma superior) e declínio ou queda social (passagem de um grupo socialmente superior para outro inferior). A mobilidade pode ser obtida mediante esforços ou conquistas individuais (como nas sociedades de classes) ou por concessões de grupos superiores (como nas sociedades estamentais). No modelo de castas não existe a possibilidade de ocorrer mobilidade social. Os indivíduos nascem e permanecem no mesmo grupo social até a sua morte.

Status social

Construção da noção de prestígio a partir de características individuais. Conceito determinado pela configuração de prestígio social presente em características individuais. Assim como os elementos que determinam as desigualdades sociais, a noção de status também é construída socialmente.

O status pode ser “adquirido” (quando conquistado por ações individuais reconhecidas coletivamente, como, por exemplo, a profissão) ou “atribuído” (mediante características individuais que não podem ser transformadas, como a etnia).

Alguns dos principais elementos que determinam status na sociedade brasileira são renda, etnia, gênero, formação educacional, local de moradia e profissão. Os indivíduos que não possuem as características geradoras de status acabam por ser estigmatizados nas relações sociais.

Estratificação social

Conceito que analisa a existência de grupos hierarquicamente estabelecidos em uma sociedade. A estratificação social pode ser explicada por diversos elementos, como, por exemplo, renda, religião, origem ou etnia. Os elementos que configuram a estrutura hierárquica de um povo são construídos socialmente, sendo sociologicamente explicados a partir de um determinado contexto. A expressão estratificação deriva de estrato, que quer dizer camada.

FORMAS DE MEDIR A DESIGUALDADE, ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANOS — IDH

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano” e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos em nível nacional.

Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.

IDH — Mundo

IDH — Brasil

Banco Mundial alerta para desigualdades de renda no Brasil

Em 1971, o economista holandês Jan Pen publicou um célebre tratado sobre a distribuição de renda no Reino Unido, no qual descreveu um desfile reunindo das pessoas mais pobres, na abertura, às mais ricas, no fim. Daí surgiu o termo “O Desfile de Pen”. Neste mês, um estudo do Banco Mundial para a América Latina e Caribe propôs o mesmo exercício para o Brasil, colocando na Sapucaí “o desfile mais estranho da história”. “Por muito tempo, só se veriam pessoas incrivelmente pequenas (apenas alguns centímetros de altura), um incrível desfile de anões. Levaria mais de 45 minutos para os participantes alcançarem a mesma altura que os espectadores. Nos minutos finais, gigantes incríveis, mais altos do que montanhas, apareceriam”, descreve o relatório, produzido pelo Gabinete do Economista-Chefe da regional do Banco Mundial. O encerramento seria feito pelos milionários brasileiros, que teriam dois terços de seus corpos a 100 km acima do nível do mar.

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

ATIVIDADE 1 - Análise de filmes ou séries. Pesquise sobre filmes que tratam do tema das desigualdades sociais e realize as seguintes atividades:

a) Resumo da obra (1 lauda – sem cópias da internet)

A série 3% retrata um futuro pós-apocalíptico não muito distante, onde o planeta é um lugar devastado. O Continente é uma região do Brasil miserável, decadente e escassa de recursos. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de passar pelo Processo, uma rigorosa seleção de provas físicas, morais e psicológicas que oferece a chance de ascender ao Mar Alto, uma região onde tudo é abundante e as oportunidades de vida são extensas. Entretanto, somente 3% dos inscritos chegarão até lá.

b) Contexto (Tipo de sociedade, personagens principais, tempo histórico...)

A série 3% ocorre no mundo pós-apocalíptico, onde existem dois tipos de sociedade, uma sociedade que tem poucos recursos para viver e outra com muita abundância. Os principais personagens são: Marcos Alvares, Xavier, Joana Coelho, Michele Santana, Ezequiel,  

c) Qual a relação da obra escolhida e o tema da desigualdade social?

(Sugestões – Elizium, Era uma Vez, Cidade de Deus, Episódio Chaves... A hora da estrela; O homem que virou suco; Central do Brasil; Bye Bye Brasil; Série 3%)

A relação da obra 3% e o tema da desigualdade social está no fato de existirem nessa série duas sociedades, uma sociedade escassa de recursos para a sobrevivência de seus indivíduos e do outro lado uma sociedade abundante, onde seus indivíduos vivem bem. Sociologicamente falando vemos nesta série o que chamamos de estratos ou camadas sociais, a camada do mundo escasso e a camada do mundo mar alto.  

ATIVIDADE 2 - CARTA AO PREFEITO

Pesquisar em seu bairro/comunidade (Verifique com os pais, avós, tios, amigos mais velhos):

a) Quais os principais problemas relacionados a desigualdade social em seu bairro?

Exemplos: Segurança, saúde e transporte.

b) Como são tratados esses problemas? (segurança, educação, saúde, moradia, transporte, emprego).

Exemplos: A segurança vem sendo tratada com a presença da polícia militar, mas infelizmente a saúde e o transporte ainda não estão sendo tratados.

c) Em comparação aos problemas de antigamente e aos atuais, o que mudou? Cite exemplos. O que você acha que pode ser feito para amenizar essa desigualdade.

Exemplos: A segurança melhorou, a saúde teve uma melhora com a instalação da rede de esgoto e asfaltamento.

d) Utilize a pesquisa como referência e elabore uma carta ou e-mail ao prefeito expondo os problemas sociais existentes em seu bairro.

Exemplo de carta:

Senhor prefeito,

Sou morador(a) do bairro (x), e venho através deste e-mail falar um pouco da situação do nosso bairro. A nossa comunidade vem sofrendo muito com a falta de transporte, temos somente um ônibus, com uma escala de horário que não favorece, além disso, as pessoas do bairro sofrem também com a falta de atendimento médico, não temos um posto de saúde. O atendimento da unidade mais próxima fica a 5 km de distância e para chegar lá precisamos contar com um transporte público precário e caro. A nossa comunidade necessita de providências para amenizar a nossa situação. Contamos com a vossa atenção e compreensão.

ATIVIDADE 3 –

O bicho

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manoel Bandeira)

1 — Caracterize, compare e dê exemplos de diversidades humanas e desigualdades sociais.

Exemplos de diversidades humanas estão relacionadas às etnias, grupos sociais e classes sociais, como: quilombolas, indígenas, colônias de descendência europeia, pobres e ricos etc. As desigualdades sociais se colocam justamente frente às diversidades humanas, como o preconceito e a discriminação de negros, indígenas, pobres.

2 — Quais as principais características das desigualdades apresentadas em nosso texto?

O texto nos apresenta a desigualdade de distribuição de renda (desigualdade econômica), a desigualdade de classe (pobre) e uma situação que a desigualdade gera: a fome e a pobreza.

3 — Cite pelo menos três características comuns às desigualdades.

Pobreza, preconceito e discriminação.

4 — Vivemos em um mundo de igualdade de condições?

Não. O mundo é desigual e suas desigualdades se revelam no acesso à educação, saúde, moradia, segurança etc.

5 — Diante dos vários espaços de sociabilidade, todos têm o mesmo acesso aos mesmos bens materiais?

Não. Há grande discrepância no acesso aos bens matérias entre pobres e ricos, negros, indígenas e brancos.

6 — Pesquise dados sobre a divisão da riqueza (distribuição da renda) no Brasil e no mundo.

No mundo

A pirâmide global da riqueza sempre foi desigual, mas conseguiu apresentar uma desigualdade ainda maior nos últimos anos. O relatório sobre a riqueza global 2017, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2017) renova o quadro amplo e esclarecedor da má distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em USD$ 280 trilhões em 2017 (meados do ano). Como havia 4,92 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adultos foi de USD$ 56.540,00 (cinquenta e seis e quinhentos e quarenta mil dólares).

Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,474 bilhões de adultos, em 2017, o que representava 70,1% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de USD$ 7,6 trilhões, o que representava somente 2,7% da riqueza global de USD$ 280 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam menos de 3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de USD$ 2.187,00

Chama a atenção na distribuição da riqueza que os 36 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam uma riqueza 17 vezes o patrimônio dos 3,47 bilhões de pessoas da base da pirâmide. A renda per capita dos adultos do topo estava 1.634 vezes maior do que a média dos adultos da base da pirâmide.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/574025-a-piramide-global-da-desigualdade-da-riqueza-2017

No Brasil

Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a concentração de renda aumentou em 2018, acentuado ainda mais a já exacerbada desigualdade social brasileira. O rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica alcançou a obscena marca de 34 vezes maior do que o da metade mais pobre em 2018.

Isso significa que o TOP 1% (cerca de 1.4 milhão de pessoas) obteve ganho médio mensal de R$ 27.744, enquanto os 50% menos favorecidos (mais de 100 milhões de brasileiros) ganharam até R$ 820 ou simplesmente não possuem renda.

Em 2018, existiam 43 bilionários no país. Desses, apenas seis possuíam o patrimônio equivalente ao de toda a metade mais pobre da população brasileira.


 

 PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 3

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades e desigualdades na sociedade contemporânea.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Analisar a desigualdade de gênero presente na realidade brasileira e no mundo.

HABILIDADE(S): Identificar e analisar as desigualdades nas relações entre sujeitos, grupos, classes sociais no Brasil e no mundo.

SOCIALIZAÇÃO E IDENTIDADE DE GÊNERO

“Não se nasce mulher, torna-se mulher” — Simone de Beauvoir

“Um caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de gênero é estudar a socialização do gênero, a aprendizagem de papéis do gênero com o auxílio de organismos sociais, como a família e a mídia. Essa abordagem faz distinção entre sexo biológico e gênero social — uma criança nasce com o primeiro e desenvolve o segundo. Pelo contato com vários organismos sociais, tanto primários como secundários, as crianças internalizam gradualmente as normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu sexo. As diferenças de gênero não são biologicamente determinadas, são culturalmente produzidas. De acordo com essa visão, as desigualdades de gênero surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes.” Na socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e negativas, forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o comportamento. Por exemplo, um menino poderia ser sancionado positivamente em seu   (“Que menino valente você é!”), ou ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). Essas afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis sociais esperados e a adequar-se a eles.”

“As influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais;” …

“Estudos sobre as interações entre pais e filhos, por exemplo, mostram diferenças distintas no tratamento de meninos e meninas, mesmo quando os pais acreditam que suas reações para ambos sejam iguais. Os brinquedos, os livros ilustrados e os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar diferenças entre os atributos masculinos e femininos. Embora a situação, de alguma forma, esteja mudando, os personagens masculinos em geral superam em número os femininos na maior parte dos livros infantis, contos de fadas, programas de televisão e filmes. Os personagens masculinos tendem a representar papéis mais ativos e aventurosos, enquanto os femininos são retratados passivos, esperançosos e voltados à vida doméstica. Pesquisadoras feministas demonstraram como produtos culturais e de mídia, comercializados para audiências jovens, encarnam atitudes tradicionais para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições esperados em meninos e meninas.”

Fonte: http://crv.educacao.mg.gov.br

Desigualdades de gênero — Conceitos básicos

O sexo biológico se refere a diferenças físicas e biológicas entre os membros do sexo masculino e do feminino. Gênero, por outro lado, é um conceito social. É um termo que se refere aos aspectos culturais e sociais associados ao fato de se pertencer ao sexo masculino ou feminino.

A manifestação social da identidade de gênero de acordo com as expectativas culturais e sociais constitui o papel social de gênero, que se refere a forma como a sociedade espera que uma pessoa se comporte pelo fato de pertencer ao sexo masculino ou feminino, determina por exemplo, como homens e mulheres devem se vestir, pensar, falar e interagir e refletem os valores da sociedade e são transmitidos de geração em geração.

As posturas para o comportamento sexual não são uniformes entre as sociedades do mundo. No século XIX, os pressupostos religiosos sobre a sexualidade foram substituídos em parte por visões médicas. Observa-se uma transição nas sociedades ocidentais para um posicionamento mais liberal sobre a sexualidade, com a liberação da sexualidade especialmente a partir da década de 1960.

Falar de relações de gênero é falar das características atribuídas a cada sexo pela sociedade e sua cultura. A diferença biológica é apenas o ponto de partida para a construção social do que é ser homem ou ser mulher. O gênero é uma forma significativa de estratificação social. As desigualdades de gênero ocorrem porque os homens e as mulheres são socializados para papéis diferentes; são orientados nesse processo por sanções positivas e negativas, forças socialmente aplicadas que recompensam ou limitam o comportamento.

Processo de socialização

A socialização designa o processo que introduz uma pessoa à sua cultura e na qual aprende a viver em sociedade e a decodificar as formas de fazer, de agir, de pensar e de sentir do seu ambiente social e cultural. (Rocher, 1968) Deste modo através do processo de socialização a pessoa constrói a sua identidade social e interioriza as normas, os valores e os saberes que lhe permitem entrar em relação com os outros e de funcionar no seio de um grupo, na sociedade.

Mudanças sociais na vida das mulheres

Evidentemente, a presença de uma fala feminina em locais que lhes eram até então proibidos, ou pouco familiares, é uma inovação do século XIX que muda o mundo moderno. Contudo ainda existem muitas esferas em que a desigualdade é grande.

MULHERES EM RISCO

As mulheres vivenciam episódios de assédio sexual ao longo das suas vidas. Dados da ONG Catalyst apontam que cerca de 50% das mulheres da União Europeia denunciaram algum tipo de assédio sexual no local de trabalho. No mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que mais de 50% das mulheres já foram vítimas de assédio sexual, mas a maioria não denuncia por falta de provas;

No Brasil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 67% dos casos de violência contra as mulheres são cometidos por parentes próximos ou conhecidos das famílias das vítimas, 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e apenas 10% dos estupros são notificados;

Entre as mulheres pretas e pardas brasileiras, os assassinatos aumentaram 54% em dez anos

(entre 2003 e 2013), segundo o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), OPAS, ONU Mulheres Brasil e Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O número entre esse grupo é muito superior aos 21% de incremento nos assassinatos entre todas as mulheres. Das mortes violentas, 50,3% são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros;

 

AS MULHERES E O MERCADO DE TRABALHO

De acordo com o Censo de 2010, as mulheres são atualmente 58% dos universitários no Brasil. Entretanto, elas representam apenas 2% dos presidentes das 250 maiores empresas brasileiras, segundo um levantamento de 2013 da consultoria Bain & Company;

Segundo pesquisa da FGV Direito de São Paulo baseada em dados das empresas mais de 800 de capital aberto no Brasil disponíveis na CVM, 48% das empresas ainda não tem nenhuma mulher no conselho de administração, 66,5% das empresas não apresentam sequer uma mulher em posição de diretoria executiva. O número de mulheres no conselho de administração mais diretoria executiva passou de 7,8% em 2003 para 8,8% em 2013;

As mulheres são 43% dos empreendedores do Brasil, mas apenas 20% delas têm faturamento

mensal superior a R$ 30 mil. Esse cenário reforça as dificuldades apontadas pelo Índice Global de Empreendedorismo e Desenvolvimento da DELL (GEDI) 47, que investiga as condições de suporte ao empreendedorismo feminino de alto impacto pelo mundo. O GEDI apontou que 22 dos 30 países pesquisados em 2014 não tinham condições mínimas de incentivo ao empreendedorismo feminino, como acesso a crédito, networking (rede capacitação para as mulheres;

As mulheres ainda são as principais responsáveis pelos afazeres domésticos: um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) 48 apontou que a média de dedicação semanal das mulheres a esse tipo de trabalho é de 25 horas semanais contra a média 10 horas semanais entre homens;

No Brasil, a média salarial feminina corresponde a 74,5% da média salarial masculinas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para as mulheres negras, além da diferença salarial temos ainda uma maior concentração em ocupações de menor remuneração: um estudo de 2009 do IPEA apontou que 21% das mulheres negras no Brasil são trabalhadoras domésticas contra 12,5% das mulheres brancas e apenas 22% têm carteira assinada.

Além de desafios práticos que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, como a conciliação da carreira e família de forma mais intensa que os homens, precisam lidar com obstáculos invisíveis: os estereótipos. O Center for WorkLife Law da Universidade da Califórnia validou em pesquisa a existência de quatro grupos de estereótipos que dificultam o avanço profissional feminino: barreira da maternidade, corda justa, prove novamente e guerra de gênero.

 

AS MULHERES E A PRODUTIVIDADE

As mulheres são uma grande força para a economia mundial: representam mais de 40% da mão de obra global, 43% da força de trabalho atuante e mais da metade dos estudantes universitários do mundo, de acordo com um relatório de 2012 do Banco Mundial:

• De acordo com um relatório de 2015 do McKinsey Global Institute, resolver a desigualdade de gênero em todas as suas dimensões poderia adicionar US$ 28 trilhões ao PIB global em 2025, o equivalente à soma das economias e da China e dos Estados Unidos somadas. Apenas no Brasil, essa mudança poderia gerar um PIB 30% maior, em 2025, com até US$ 850 bilhões a mais em circulação;

• Os países que promovem os direitos das mulheres e aumentam o acesso delas aos recursos e ao ensino têm taxas de pobreza mais baixas, crescimento econômico mais rápido e menos corrupção do que os países onde isso não ocorre, de acordo com evidências do estudo Desenvolvimento e Gênero — Igualdade de Género em Direitos, Recursos e Voz, do Banco Mundial.

 

Fonte: Cartilha: Principio de empoeiramento das Mulheres — adaptado. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/cartilha_WEPs_2016.pdf. Acesso em: 15/06/2020.

Contextualizando a violência contra as mulheres no Brasil

As mulheres sofrem cotidianamente com um fenômeno que se manifesta dentro de seus próprios lares, na grande parte das vezes praticado por seus companheiros e familiares. O fenômeno da violência doméstica e sexual praticado contra mulheres constitui uma das principais formas de violação dos Direitos Humanos, atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde e à integridade física.

Fonte: Disponível em: http://incid.org.br/2012/11/29/ong-de-sao-goncalo-combate-a-violencia-contra-a-mulher/. Acesso em: 15/06/2020.

Políticas de segurança para as mulheres

As políticas públicas podem ser aplicadas em forma de programas, ações, campanhas, serviços, leis e diversas outras atividades desenvolvidas pelos governos (federal, estadual ou municipal), com a participação de entes públicos ou privados. Essas ações têm como objetivo assegurar determinados direitos à população, de forma difusa ou focada especificamente em algum segmento social, cultural, étnico ou econômico. Trata de direitos garantidos constitucionalmente ou publicamente reconhecidos por sua necessidade.

Fonte: Políticas Públicas: conceitos e práticas. SEBRAE, 2008.

HOMOFOBIA

Homofobia é o termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal. A palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90, teria sido difundido ao redor do mundo. A palavra fobia denomina uma espécie de “medo irracional”, e o fato de ter sido empregada nesse sentido é motivo de discussão ainda entre alguns teóricos com relação ao emprego do termo. Assim, entende-se que não se deve resumir o conceito a esse significado.

Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica heteronormativa, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve se compreender a legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana. No decorrer da história, inúmeras denominações foram usadas para identificar a homossexualidade, refletindo o caráter preconceituoso das sociedades que cunharam determinados termos, como: pecado mortal, perversão sexual, aberração.

Outro componente da homofobia é a projeção. Para a psicologia, a projeção é um mecanismo de defesa dos seres humanos, que coloca tudo aquilo que ameaça o ser humano como sendo algo externo a ele. Assim, o mal é sempre algo que está fora do sujeito e ainda, diferente daqueles com os quais se identifica. Por exemplo, por muitos anos, acreditou-se que a AIDS era uma doença que contaminava exclusivamente homossexuais. Dessa forma, o “aidético” era aquele que tinha relações homossexuais. Assim, as pessoas podiam se sentir protegidas, uma vez que o mal da AIDS não chegaria até elas (heterossexuais). A questão da AIDS é pouco discutida, mantendo confusões, como essa, em vigor e sustentando ideias infundadas. Algumas pesquisas apontam ainda para o medo que o homofóbico tem de se sentir atraído por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o desejo é projetado para fora e rejeitado, a partir de ações homofóbicas.

Assim, podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde as conhecidas “piadas” para ridicularizar até ações como violência e assassinato. A homofobia implica ainda numa visão patológica da homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de “cura”. A questão não se resume aos indivíduos homossexuais, ou seja, a homofobia compreende também questões da esfera pública, como a luta por direitos. Muitos comportamentos homofóbicos surgem justamente do medo da equivalência de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa, de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida, como discutimos.

Podemos entender então que a homofobia compreende duas dimensões fundamentais: de um lado a questão afetiva, de uma rejeição ao homossexual; de outro, a dimensão cultural que destaca a questão cognitiva, onde o objeto do preconceito é a homossexualidade como fenômeno, e não o homossexual enquanto indivíduo.

Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a legalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A decisão retomou discussões acerca dos direitos da homossexualidade, além de colocar a questão da homofobia em pauta. Apesar das conquistas no campo dos direitos, a homossexualidade ainda enfrenta preconceitos. O reconhecimento legal da união homoafetiva não foi capaz de acabar com a homofobia, nem protegeu inúmeros homossexuais de serem rechaçados, muitas vezes de forma violenta.

Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/homofobia.htm

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

Questões para análise.

1 — Quais as principais mudanças na vida social das mulheres na modernidade?

As mudanças na vida social das mulheres estão relacionadas ao mercado de trabalho (exercer uma profissão), à educação (instruir-se; ir à escola e universidade) e à participação da vida política (direito de votar e ser votada), entre outras.

2 — Cite formas de reprodução das desigualdades de gênero.

As desigualdades de gênero se manifestam na diferença salarial entre homem e mulher, na ocupação de cargo de chefia, na concorrência do mercado de trabalho, no assédio moral e sexual, entre outras.

3 — Como combater as desigualdades de gênero no Brasil?

Pode-se combater a desigualdade de gênero através da educação, das campanhas de combate à violência contra a mulher, através da igualdade de oportunidades de salários e empregos, através de leis que combatem a discriminação e a violência contra a mulher, etc.

4 — Como combater a violência doméstica?

Criando e divulgando os canais de apoio e combate a violência contra a mulher, além disso criar e aprimorar leis de punição contra os crimes e violência contra a mulher.

5 — Proposta de Redação

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. (25 linhas)

INSTRUÇÕES: A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: tiver até 7 (sete) linhas escritas, fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos; ou apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.


A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

No Brasil e no mundo, o desrespeito e a violência contra as mulheres continuam. A violência contra mulher é um fenômeno mundial e representa um problema de saúde pública que transcende classe social, cor, religião etc. Torna-se urgente, cada vez mais, criar mecanismo que combata este tipo de crime.

No Brasil se registra um caso de agressão à mulher a cada 4 minutos. Geralmente a violência acontece em casa e o agressor é alguém próximo à vítima. A violência contra a mulher pode ser física, psicológica, sexual ou uma combinação delas. Além disso, podemos verificar que em determinados casos de violência sofridos pela mulher, muitos acabam em morte, feminicídio.

Nota-se também que muitas mulheres tem medo de denunciar a violência sofrida, mantendo uma situação de agressão permanente. Outras denunciam, mas continuam a viver sob o medo de a qualquer momento seu agressor voltar e fazer coisa pior. Em comunidades carentes e periferias, a situação das mulheres agravam-se mais, pois as dificuldades sociais e econômicas as colocam numa situação de vulnerabilidade e insegurança.

Portanto, é preciso combater a violência contra a mulher de forma mais precisa e para isso torna-se urgente reforçar e aprimorar as inciativas governamentais, como a Lei Maria da Penha, ampliar a formação da mulher e sua inserção no mercado de trabalho, criar espaços de acolhimento psicológico e de convívio para estimular o debate e a troca de experiências entre as mulheres e educar, principalmente as crianças e adolescentes sobre a necessidade do respeito e do diálogo para construção da igualdade de gênero.

 

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 2 – SEMANA 4

UNIDADE(S) TEMÁTICA(S): Diversidades e desigualdades na sociedade contemporânea.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Reconhecer a diversidade cultural Brasileira e as desigualdades que ainda persistem no país e no Mundo.

HABILIDADE(S): Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.

POR QUE FALAR SOBRE RAÇA E ETNIA?

O Brasil é formado por 204,5 milhões de habitantes, sendo que 45,22% se dizem brancos; 54,48% negros (45,06% pardos e 8,86% pretos); 0,47% amarelos 0,38% indígenas (IBGE/PNAD-2015). Estes dados nos mostram que o Brasil é um país multirracial, multicultural pluriétnico. Tanta diversidade deveria ser vista como algo positivo, só que, por causa da nossa história de discriminação e exclusão, as diferenças são transformadas em desigualdades e má distribuição de riquezas que afetam toda a população, sobretudo os negros e os indígenas. Além disso, outros grupos também carregam marcas por causa de sua origem, culturas e costumes, como é o caso de ciganos, judeus e palestinos.

O que afinal de contas é Raça?

A diferença de cor de pele é algo relativamente recente na história da humanidade. Quando o Homo sapiens surgiu, há 200.000 (duzentos mil) anos, todos tinham a pele negra e habitavam a África. À medida que foram se espalhando pelo mundo, primeiro na Ásia, depois na Oceania, na Europa e na América, as populações se adaptaram aos novos ambientes. Os cientistas acreditam que a seleção natural exercida nesses ambientes tenha dado origem às diferentes cores de pele e características anatômicas que distinguem as raças. Na África, a pele escura do ser humano foi preservada para protegê-lo do alto grau de radiação ultravioleta do sol. O grupo que foi para o norte da Europa sofreu um processo de seleção natural que favoreceu o clareamento da pele para aproveitar melhor o sol fraco e sintetizar a vitamina D, essencial para os ossos.

Biologicamente as raças são definidas como grupos de pessoas — ou animais — que são fisiológica e geneticamente distintos de outros grupos. São da mesma raça os indivíduos que podem cruzar entre si e produzir descendentes férteis. O uso desse conceito para classificar seres iniciou-se há mais de um século, e naquela época se mostrava poucos científicos e buscava legitimar preconceitos já existentes. Um exemplo de uso de uma pseudociência (falsa) foi a eugenia que busca a purificação das raças e justificou episódios lamentáveis da história da humanidade como o massacre de judeus pelo governo nazista.

Recentemente, com os avanços da teoria genética, esse conceito foi reformulado. Os estudos mais recentes indicam que pode haver mais variação genética entre pessoas de uma mesma raça do que entre indivíduos de raças diferentes. Isso significa que um sueco loiro pode ser, no íntimo de seus cromossomos, mais distinto de outro sueco loiro do que de um negro africano. Em resumo, a genética descobriu que raça não existe abaixo da superfície cosmética que define a cor da pele, a textura do cabelo, o formato do crânio, do nariz e dos olhos. Por isso dizemos que tentar explicar as diferenças intelectuais, de temperamento ou de reações emocionais pelas diferenças raciais é não apenas estúpido como perigoso.

Ignorando os avanços da ciência sobre o estudo do gênero humano, o pensamento racista ainda hoje entende raça como grupo social com traços culturais, linguísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo, são consequências diretas de suas características físicas ou biológicas, negando assim tudo que a ciência moderna diz sobre esse tema.

O Antropólogo Kabengele Munanga, afirma que mesmo hoje com os avanços da genética moderna apontando para a impossibilidade de classificar os seres humanos por raças, o racismo culturalmente se mantém em nossa sociedade, ou seja, mesmo não existindo diferenças entre os seres humanos que justifique classificá-los em raças, ainda existe racismo.

Racismo, um problema atual construído no passado

Entre os problemas sociais enfrentados pela sociedade Brasileira na atualidade o preconceito racial se destaca por sua permanência. Por ter origens históricas e cultural no Brasil racismo deve ser classificado como estrutural, na medida em que nossa sociedade, desde seu princípios, foi constituída em bases racistas, não reconhecimento da diversidade étnico-racial e em tentativa dos colonizadores europeus de subjugar e explorar as populações indígenas que aqui estavam e os africanos trazidos forçadamente para o nossos país. Os estudos sociológicos ao buscar compreender as raízes históricas e processo que sustentam posturas racistas nos dias atuais, se mostra fundamental para a construção de uma sociedade que supere esse racismo estrutural e permita que as futuras gerações reconheça, respeite e valorize as riquezas étnico-racial que compõem o povo Brasileiro.

Tendo em vista a importância da discussão do tema Étnico-racial para o país, os primeiros sociólogos brasileiros, ainda na década de 30 do século XX, já se dedicavam ao estudo do tema. Entre os vários estudos destacam-se os realizados por Gilberto Freyre e Florestan Fernandes os quais veremos brevemente a seguir.

A teoria da democracia racial e o mito da democracia racial

Gilberto Freyre (1900-1987) formulou a teoria da democracia racial na década de 1930, num cenário em que a preocupação em definir o Brasil tomava conta dos debates políticos e acadêmicos. O pressuposto central dessa teoria é o de que as diferentes matrizes étnicas (europeia, ameríndia e africana) tiveram uma convivência salutar, resultando no equilíbrio entre elas na formação da identidade cultural brasileira. Essa formulação de Freyre transformou-se em uma alternativa às teorias raciais e eugênicas, por entender que a miscigenação, característica da formação social brasileira, longe de promover a degeneração física e moral da população, era exatamente o que definia nossa identidade nacional. Essa interpretação também fortaleceu a ideia de que no Brasil não haveria preconceito, o que teria gerado oportunidades econômicas e sociais equilibradas para as pessoas de diferentes grupos raciais ou étnicos.

O sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em seu livro A integração do negro na sociedade de classes (1965), atacou a ideia de convívio harmônico entre as raças. Para ele, a democracia racial seria um mito que mascarava a realidade de profundas desigualdades, na qual o negro se encontrava em desvantagem política e econômica. A perspectiva pela qual Florestan Fernandes enxergava a sociedade brasileira era a do conflito, não a da harmonia.

Fonte: https://www.geledes.org.br/planos-de-aula-manifestacoes-culturais-afro-brasileiras/. Acesso em: 15/06/2020

CONCEITOS BÁSICOS PARA ENTENDER A QUESTÃO ÉTNICO-RACIAL NO BRASIL

Etnia

Baseia-se em traços e práticas culturais partilhadas pelo grupo, tais como músicas, costumes, comida, ritos e rituais. Exemplo: 1) descendentes de italianos que comem macarronada e pizza aos domingos, escutam a Tarantela e usam expressões como ‘mamma mia’. 2) alemães em SC e sua arquitetura, dieta e Oktoberfest Grupos étnicos no Brasil: pomerânios do ES, poloneses do PR, italianos de SP, xavantes no MS, ianomamis em RR, pataxós na BA.

Raça/Cor na Biologia

O termo raça foi inicialmente utilizado para distinguir pessoas de cores diferentes. Hoje sabe-se que não existem, biologicamente/geneticamente falando, raças distintas. Diferenças fenotípicas não caracterizam ou identificam raças distintas. Diferenças visíveis são adaptações ambientais sofridas ao longo do tempo.

Raça/Cor na Sociologia

Raça é uma construção social segundo a qual membros da população compartilham características físicas herdadas. A raça/cor depende de um critério arbitrário de escolha da sociedade. Cor é o critério comum, mas poderia também ser formato da cabeça, cor dos olhos, tipo de cabelo, etc. Diferenças físicas visíveis levam pessoas a assumirem certos comportamentos, provocando ações e atitudes que são objeto de estudo da sociologia (preconceito, discriminação, grupo minoritário).

Preconceito vs. discriminação

• Preconceito: atitude, ideia, pensamento ou opinião baseada em julgamento emotivo e sem fundamento, utilizando como base estereótipos ou generalizações preconcebidas. Preconceito pode existir sem que haja discriminação. Preconceitos são socialmente construídos e aprendidos pela experiência social e pelo processo de socialização. São adquiridos dos pais, da igreja, na escola, nos livros e nos filmes assistidos. Os preconceitos se baseiam em generalizações superficiais e depreciadoras do outro (em geral portador de características físicas e culturais diferentes e arbitrariamente consideradas inferiores); a tais generalizações a Sociologia denomina estereótipos. Os preconceitos são normalmente difundidos, enraizados e renovados por meio dos mecanismos socializadores, e sua reprodução ao longo da história foi responsável pela cristalização de profundas desigualdades em diversas sociedades.

• Discriminação: ação deliberada e intencional de tratar um grupo social de maneira injusta e desigual. Exemplos extremos: genocídio, xenofobia, expulsão geográfica de determinado território. A discriminação também pode ocorrer sem que haja sentimento de preconceito: Ex.: mulher não paga, ou paga menos até x horas, estudante paga meia, negros que discriminam negros em processos não relacionados a cor. Às vezes a discriminação é dissimulada, não ficando claro, nem mesmo para quem a sofre, que ela de fato existe – o que torna ainda mais difícil superá-la. Discriminação é uma atitude ou tratamento diferenciado em relação ao outro que pode levar à marginalização ou exclusão. A discriminação e a segregação materializam as ideologias calcadas em preconceitos que refletem a hegemonia de um grupo e a subordinação de outro.

Preconceito é ideia. Discriminação é ato.

Discriminação é uma manifestação pública do preconceito, e como tal é passível de controle pelo aparato jurídico do Estado. Pode-se ser preconceituoso sem traduzir tal preconceito em atos de discriminação. Ex.: mulheres dirigem mal, mas podem dirigir meu carro. Brancos são ruins de basquete, mas podem jogar no meu time.













Fonte: https://geekiegames.geekie.com.br/blog/tema-de-redacao-desigualdade-racial/. Acesso em: 15/06/2020.

Persistência do racismo e a importância do movimento negro brasileiro

Nas décadas de 1960 e 1970, o movimento negro brasileiro se inspirou na contribuição de Florestan Fernandes e lutou contra a teoria da democracia racial, pois só admitindo a existência do preconceito se pode lutar contra ele. Em 1989 o movimento negro conseguiu a promulgação da Lei 7.716/ 89, tornando o racismo crime inafiançável.

Etnia: superando o conceito de raça

O conceito de etnia se refere a um conjunto de seres humanos que partilham determinados aspectos culturais, que vão da linguagem à religião. São características sociais e culturais e, portanto, aprendidas — não nascemos com elas. Etnicidade é o sentimento de pertencimento a determinada comunidade étnica; é a identificação com um grupo social específico dentro de uma sociedade.

ATIVIDADES CORRIGIDAS:

1 — Defina os seguintes conceitos:

a) Preconceito: atitude, ideia, pensamento ou opinião baseada em julgamento emotivo e sem fundamento, utilizando como base estereótipos ou generalizações preconcebidas.

b) Tolerância: é um termo que vem do latim tolerare que significa "suportar" ou "aceitar". A tolerância é o ato de agir com condescendência e aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir.

c) Diversidade cultural: são os vários aspectos que representam particularmente as diferentes culturas, como a linguagem, as tradições, a culinária, a religião, os costumes, o modelo de organização familiar, a política, entre outras características próprias de um grupo de seres humanos que habitam um determinado território.

d) Racismo: é a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes raças humanas e que uma é superior às outras. Esta noção tem base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano. Consiste em uma atitude depreciativa e discriminatória não baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico.

e) Etnocentrismo: é um conceito da Antropologia definido como a visão demonstrada por alguém que considera o seu grupo étnico ou cultura o centro de tudo, portanto, num plano mais importante que as outras culturas e sociedades. Um indivíduo etnocêntrico considera as normas e valores da sua própria cultura melhores do que as das outras culturas. Isso pode representar um problema, porque frequentemente dá origem a preconceitos e ideias infundamentadas.

2 — Escreva um texto dissertativo em que reflita sobre a seguinte questão: “Preconceito é algo que se aprende?”

A nossa sociedade está, infelizmente, marcada pelo preconceito, por isso afirmamos que o preconceito se aprende. Observamos que o preconceito é uma atitude, ideia, pensamento ou opinião baseada em julgamento emotivo e sem fundamento, utilizando como base estereótipos ou generalizações preconcebidas.

Os preconceitos são socialmente construídos e aprendidos pela experiência social e pelo processo de socialização. O indivíduo assimila aquilo que está presente na sociedade. Os indivíduos adquirem os preconceitos dos pais, da igreja, na escola, nos livros e nos filmes assistidos. Os preconceitos se baseiam em generalizações superficiais e depreciadoras do outro (em geral portador de características físicas e culturais diferentes e arbitrariamente consideradas inferiores); a tais generalizações a Sociologia denomina estereótipos.

Enfim, os preconceitos são normalmente difundidos, enraizados e renovados por meio dos mecanismos socializadores, e sua reprodução ao longo da história foi responsável pela cristalização de profundas desigualdades em diversas sociedades, basta analisarmos a sociedade brasileira.

3 — Existe racismo no Brasil? É possível apontar situações em que ele ocorre?

Existe racismo no Brasil, basta analisarmos as relações que se estabelecem entre negros e brancos, ou branco e indígena. Os brancos se consideram superiores por causa da cor e da origem de raiz europeia. Infelizmente, as relações sociais no Brasil são marcadas pelo racismo velado, mas também escancarado. Se um negro está mal vestido ou te observa demais, as pessoas, geralmente, o consideram mendigo ou está querendo te roubar, além disso, há piadas ou brincadeiras racistas que revelam situações de discriminação. Vejamos exemplos:

Um crioulo entra no mesmo ônibus em que viajava uma senhora com um macaquinho no colo. O negão, então, pergunta pro motorista:

- Ué, já tá podendo levar macaco no ônibus?

- Poder não pode! – responde o motorista. – Mas fica aí na moita que eu finjo que não te vi...

 

Em um ônibus vão uma mãe branca com o filhinho no colo e uma mãe negra com o seu filho, lado a lado, no banco. O nenê branco fica com fome e começa a chorar, aí sua mãe abre a camisa, pega o seio e lhe dá de mamar. Ele mama, quando saciado abandona o seio da mãe. Antes que ele pegue no sono, a mãe dá uns tapinhas nas suas costas para ele arrotar. Ele arrota e dorme.

O pequeno filho da mãe negra também fica com fome e começa a chorar, procedendo então da mesma forma que o “branquinho”: puxa a camisa da mãe querendo mamar. Depois que o menino fica saciado, ela guarda o seio, fecha a camisa e começa a dar tapinhas nas costas do neguinho. Até que diz: “Arrota, meu filho. Arrota!”

O neguinho, todo assustado, levanta incontinente as mãos para cima.

4 — Porque o racismo persiste no Brasil e como podemos combatê-lo?

O racismo persiste no Brasil porque é um elemento enraizado na cultura, desde a chegada dos portugueses a essa terra. O racismo brasileiro vem da relação de dominador, os portugueses, considerados superiores, e dominados, os negros escravizados e indígenas, no tempo da escravidão e que se estendeu pelos séculos seguintes. Podemos combater o racismo no Brasil através da educação, do diálogo, através da igualdade de oportunidades para os negros, das leis de punição contra a discriminação e preconceito, do estudo e análise da história brasileira etc.

5 — Pesquisa 1

— Por que dia 20 de novembro foi escolhido para comemorar o Dia da Consciência Negra?

O dia 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia Nacional da Consciência Negra por conta da importância da figura de Zumbi dos Palmares na luta e resistência contra a escravidão de povos de origem africana.

— Quem foi Zumbi dos Palmares e porque ele é um símbolo tão importante para o povo negro?

Zumbi foi um grande líder e representante da resistência negra. Ele representa um símbolo para o povo negro porque defendeu a abolição da escravidão, a liberdade dos negros e a cultura de origem africana.

— O que foram os quilombos?

Os quilombos eram comunidades formadas por negros escravizados que fugiam da tirania de seus senhores e escondiam-se em lugares de difícil acesso no meio das matas. O Quilombo dos Palmares foi o maior e mais duradouro dos quilombos registrados pelos estudos historiográficos. Estima-se que a sua formação tenha durado cerca de 100 anos e abrigado entre 20 mil e 30 mil habitantes. A localização territorial do Quilombo dos Palmares era na região da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas.

— Como surgiu o Dia da Consciência Negra?

O Dia da Consciência Negra é uma conquista realizada pelo movimento negro, movimento social que tem suas origens, no Brasil, localizadas no final do século XIX com o movimento abolicionista. O movimento negro retomou sua força aqui durante a fase da abertura na Ditadura Militar, isto é, na segunda metade da década de 1970. Dentro daquele contexto, um dos grupos com a atuação mais relevante era o Movimento Negro Unificado contra o Racismo (MNU). Esse grupo, durante um congresso que aconteceu em São Paulo, em 1978, escolheu Zumbi dos Palmares como um símbolo da resistência dos negros contra a escravidão e opressão, em um sentido amplo, no Brasil. O movimento negro atual luta pela conquista de direitos para a população negra do Brasil e contra o apagamento da cultura afro-brasileira; é enxergado como o herdeiro dos movimentos de resistência à escravidão no passado. Com a escolha de Zumbi como símbolo dessa luta, a data da sua morte, 20 de novembro, tornou-se simbólica e muito importante.

6 — Pesquisa 2

— Pesquisar objetivos, pautas atuais, principais conquistas e representantes do movimento negro no Brasil e no mundo.

O movimento negro começou a surgir no Brasil durante o período da escravidão. Para defender-se das violências e injustiças praticadas pelos senhores, os negros escravizados se uniram para buscar formas de resistência.

A luta do Movimento Negro resultou, a duras penas, em várias conquistas para a população negra ao redor do mundo. Na África do Sul, por exemplo, o ativismo negro liderado pelo Nobel da Paz Nelson Mandela resultou, após décadas de luta e prisão de seu líder, no fim do Apartheid institucionalizado no país. Não apenas na África do Sul, mas em todo mundo a população negra sofreu e ainda sofre com cenários de segregação, racismo estrutural e explícito, além da falta de oportunidades e igualdade de condições entre os cidadãos.

No Brasil, apesar de um quadro ainda muito desfavorável à população negra, é possível apontar algumas conquistas, como: a criação do Dia da Consciência Negra (20 de novembro); Lei 10.639/2013, que inclui a comemoração do Dia da Consciência Negra no calendário escolar, trazendo a discussão da história e da cultura afro-brasileiras, além da valorização dos africanos e afro-brasileiros nos currículos escolares da rede pública de ensino; Lei 12.711/2012, que criou as cotas para ingresso em cursos superiores, aos poucos difundidas nas maiores universidades do país, sejam elas federais, estaduais ou até mesmo privadas; criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em março de 2013; Diversas ações afirmativas de combate à discriminação racial por meio de transformações culturais e políticas de representatividade.

O que o movimento negro busca hoje se refere à compensação por todos os anos de trabalho forçado e à falta de inclusão social após esse período; a falta de políticas públicas destinadas a maior presença do negro no mercado de trabalho e nos campos educacionais.

São vários os líderes do Movimento Negro no Brasil e no mundo. Entre os principais, podemos citar: Zumbi dos Palmares (Brasil); José do Patrocínio (Brasil); André Rebouças (Brasil); João Cândido (Brasil); Nelson Mandela (África do Sul); Amelia Boynton Robinson (Estados Unidos); Angela Davis (Estados Unidos); Bayard Rustin (Estados Unidos); James Bevel (Estados Unidos); James Meredith (Estados Unidos); Malcolm X (Estados Unidos); Martin Luther King Jr. (Estados Unidos); Mumia Abu-Jamal (Estados Unidos); Rosa Parks (Estados Unidos); W. E. B. Du Bois (Estados Unidos).

— Pesquisa sobre pessoas que lutaram pelos direitos dos negros no Brasil e no mundo.

José do Patrocínio

José do Patrocínio (1853-1905) foi um abolicionista, jornalista e escritor brasileiro. Participou ativamente dos movimentos para libertação dos escravos.

José do Patrocínio nasceu em Campos, Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 1853. Filho do Cônego João Carlos Monteiro, vigário de Campos e da escrava Justina Maria, aprendeu as primeiras letras e recebeu certa proteção. Com permissão do pai foi para a capital, onde começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia.

Sua participação nas campanhas contra a escravidão e a monarquia começou em 1871, com um poema no jornal A República.

Em 1868, com a ajuda do professor João Pedro de Aquino, entrou para Faculdade de Medicina, como aluno do curso de farmácia. Forma-se em 1874 e para sobreviver passou a lecionar.

Angela Davis

Angela Yvone Davis nasceu no dia 26 de janeiro de 1944, na cidade de Birmingham, Alabama, nos Estados Unidos. Sua cidade sofria, na época de seu nascimento, com a política de segregação racial implantada na maioria dos estados do sul dos Estados Unidos. Angela Davis é uma filósofa, escritora, professora e ativista estadunidense. Desde a década de 1960, Davis luta pelos direitos da população negra e das mulheres nos Estados Unidos. Intelectualmente, ela é influenciada pelo marxismo e pela Escola de Frankfurt. Nos movimentos sociais, defende a igualdade entre negros e brancos e a igualdade de gênero, além de teorizar acerca da importância do feminismo negro para reconhecer as dificuldades da mulher negra na sociedade, que, além de sofrer pela misoginia, sofre também pelo racismo.

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— Pesquisar a importância da cultura negra no Brasil atual;

A partir da metade do século 16, os africanos chegaram ao Brasil para trabalhar como escravos. Com eles, vieram os costumes, as religiões, as tradições, uma cultura forte e diferente das que já estavam aqui, vindas dos europeus e dos índios. A união e a mistura de todos esses elementos deram origem à identidade brasileira. As contribuições da cultura de origem africana para a construção da personalidade brasileira são inegáveis. Elas estão em toda parte. Música: Além do samba, que é o estilo brasileiro mais famoso no mundo, outros ritmos também vieram da mãe África: Maracatu, Congada, Cavalhada, Moçambique. Além disso, muitos instrumentos musicais: afoxé: tipo de chocalho feito com uma cabaça e uma rede de miçangas; agogô: cones de metal tocados com uma baqueta; barimbau; caxixi: cesto de vime em forma de chocalho encerrado no fundo uma cabaça com sementes; atabaque: tambor alto; cuíca: parecido com tambor, mas com uma varinha encostada à pele, que fricciona produzindo som; djembe; ganzá e muitos outros. Culinária: Ingredientes como o leite de coco, a pimenta malagueta, o gengibre, o milho, o feijão preto, as carnes salgadas e curadas, o quiabo, o amendoim, o mel, a castanha, as ervas aromáticas e o azeite de dendê não eram conhecidos nem usados no Brasil antes da chegada deles. Muitos pratos conhecidos e apreciados aqui vieram de lá: vatapá, o caruru, o abará, o abrazô, o acaçá, o acarajé, o bobó, os caldos, o cozido, a galinha de gabidela, o angu, a cuscuz salgado, a moqueca e a famosa feijoada. E os doces? Canjica, mungunzá, quindim, pamonha, angu doce, doce de coco, doce de abóbora, paçoca, quindim de mandioca, tapioca, bolo de milho, bolinho de tapioca entre outros. Religiões: Na África, há muitas religiões diferentes. Antes de vir para cá, cada um seguia a religião de sua família, clã ou grupo. Mas quando chegaram aqui, os escravos foram separados de seus parentes e pessoas próximas. Por isso, passaram a se reuniar com pessoas de outras etnias para realizarem os cultos secretamente. Para que todos pudessem participar, essas reuniões eram uma mistura de cada religião, com rituais e cultura unidos e partilhados. Daí surgiu o Candomblé. A crença nasceu na Bahia e tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. A Umbanda, que também tem origens africanas, une práticas de várias religiões, inclusive a Católica. Ela se originou no Rio de Janeiro, no início do século 20. Tem muitas outras religiões de origem africana:

— Pesquisar personalidades negras ou mestiças na História do Brasil;

Uma das maiores personalidades negras Brasil é, provavelmente, Machado de Assis. Ele é o maior dos escritores brasileiros (ao lado de Guimarães Rosa) e construiu as bases de uma sólida literatura nacional, se distanciando do até então "plágio" costumeiro das escolas europeias, praticado pelos autores que vieram antes dele. Machado de Assis era um mulato oriundo das camadas pobres da população, mas isso não o impediu de ser um genial usuário da forma escrita da língua portuguesa, além de um dedicado funcionário público e responsável pela criação da Academia Brasileira de Letras, instituição sólida e que existe até hoje. Além de Machado de Assis, outro negro chama atenção no cenário da literatura nacional: Lima Barreto, o autor de "Triste fim de Policarpo Quaresma" e "Clara do Anjos", além de um exímio narrador da realidade das periferias do Rio de Janeiro durante o início do século XX.

— Pesquisar sobre as populações descendentes dos quilombos (quilombolas).

Os grupos étnicos conhecidos como “comunidades remanescentes de quilombos”, “quilombolas”, “comunidades negras rurais” são constituídos pelos descendentes dos escravos negros que, no processo de resistência à escravidão, originaram grupos sociais que ocupam um território comum e compartilham características culturais até os dias de hoje.

Comunidades constituídas por descendentes dos quilombos existem não só no Brasil mas também em outros países da América do Sul como Colômbia (onde são denominados cimarrones), Equador e Suriname e da América Central, como Nicarágua, Honduras e Belize onde são conhecidos como creoles e garífunas.

As comunidades quilombolas estão localizadas em todas as regiões do Brasil ocupando diferentes ecossistemas e explorando os recursos naturais de seus territórios de formas diversas. Algumas encontram-se em regiões ainda bastante isoladas da Amazônia, várias outras na zona rural de regiões já bastante desenvolvidas e algumas ainda estão localizados em centros urbanos.

Não existe um levantamento oficial sobre o número de comunidades quilombolas existentes no Brasil ou sua população. Fontes não governamentais estimam a existência de 2.000 a 3.000 comunidades. O cadastro oficial do governo brasileiro reconhece a existência de 1.170 comunidades. Tão pouco se sabe a dimensão dos territórios quilombolas o Brasil. Em outubro de 2006, os territórios já titulados somavam 931.187 hectares.

As comunidades quilombolas são bastante diferentes umas das outras. Foram fundadas a partir de diferentes processos de resistência. Ocupam ecossistemas muito diversos e desenvolveram diferentes estratégias de exploração dos recursos de seus territórios.

8 — Análise de Músicas

Procure músicas que tratam sobre a questão das desigualdades raciais e analise.

Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro/O Rappa e Preto Cismado/Aláfia são músicas que retratam a situação do negro no Brasil, como marginalizados e que vivem sob a criminalidade. Mostra a situação do negro que vem desde a escravidão e se estende pelos nossos dias, situação de desigualdade social e econômica, preconceito e discriminação. E esse cenário é denunciado através da música e da arte que revelam que os resquícios da escravidão estão presentes até hoje em nossa sociedade.

9 — Análise de vídeos

Procure filmes ou documentários que tratam sobre a questão das desigualdades raciais e analise. Sugestões: “Vista minha pele”, “Pantera Negra”, “Todo mundo odeia o Cris”, “Corra”, “Um maluco no pedaço”.

Todo mundo odeia o Cris é uma série americana baseada na vida do comediante Chris Rock, a série conta a história de Chris, um adolescente negro que vive com a família no bairro do Brooklyn, em Nova York, na década de 1980. Cris passa por diversas situações de preconceito e discriminação. A série mostra um racismo estrutural que causa dor social naqueles que são agredidos e que sofrerão essa dor durante toda a sua existência. Mostra a condição do negro para ser aceito em sociedade, inclusão social, e na busca pela igualdade racial.

Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/ .