segunda-feira, 6 de julho de 2020

PLANO DE ESTUDO TUTORADO 1 - 4ª SEMANA - 2º ANO DO ENSINO MÉDIO - FILOSOFIA


LÓGICA
Texto de estudo: Lógica Aristotélica
“A teoria do conhecimento se caracteriza por uma preocupação com a busca de princípios gerais que permitam formular crenças verdadeiras sobre a realidade. Essa ideia está presente na obra de Platão e é, em larga medida, o que caracteriza também o pensamento de Aristóteles. É com Aristóteles que a filosofia ganha uma consciência mais definida acerca do método a ser adotado quando o assunto é o conhecimento” (SEED-Pr, 2006, p. 74).

“Antes de Aristóteles não houve nenhum filósofo que se preocupasse com a formalização de regras que pudessem garantir a validade de raciocínios e argumentos. Este é propriamente o objeto da lógica. Como destaca Zingano (ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: os caminhos do conhecimento. São Paulo: Odysseus, 2002), para Aristóteles era mais desafiante encontrar uma forma de organizar a massa de dados do conhecimento do que propriamente reuni-los.

Nesse sentido, Aristóteles percebeu que se fazia necessária uma classificação dos conhecimentos: ele dividiu as ciências em teóricas (matemática, física e metafísica), práticas (ética e política) e produtivas (agricultura, metalurgia, culinária, pintura, engenharia, etc.). Mas o filósofo também concluiu que é fundamental estudar o procedimento correto que deve orientar uma investigação em qualquer destas áreas. Foi então que nasceu a lógica, conjunto de regras formais que servem para ensinar a maneira adequada de se produzir argumentos, raciocínios, proposições, frases e juízos.

Aristóteles em vida não pôde organizar sua obra. Essa tarefa ficou a cargo de seus alunos. Os escritos que tratavam do raciocínio foram reunidos num único volume que recebeu o título de Organon, literalmente ‘instrumento’. O Organon é um conjunto de diferentes tratados (exposição sistemática de um tema): Categorias, Tópicos, Dos Argumentos Sofísticos, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos e Da Interpretação.

Segundo o historiador da filosofia Giovanni Reale, Aristóteles sabia que estava sendo pioneiro quando começou a estudar uma forma de argumentação chamada silogismo. Por meio das análises que o filósofo fazia de textos de sofistas, de Sócrates e do pensamento de Platão, a lógica aristotélica:
(...) assinala o momento no qual o logos filosófico, depois de ter amadurecido completamente através da estruturação de todos os problemas, como vimos, torna-se capaz de pôr-se a si mesmo e ao próprio modo de proceder como problema e assim, depois de ter aprendido a raciocinar, chega a estabelecer o que é a própria razão, ou seja, como se raciocina, quando e sobre o que é possível raciocinar (REALE, G; ANTISERI, D. História da Filosofia. Vol. I. São Paulo: Paulus, 1991).

Aristóteles chegou num ponto em que não se tratava mais de desenvolver conteúdos filosóficos, mas de examinar a forma como a razão procede. Durante séculos a humanidade dependeu dos escritos de Aristóteles para estudar áreas tão distintas como a física e a metafísica. Ao ensinar os princípios básicos do pensamento, Aristóteles forneceu à humanidade regras de argumentação que permanecem válidas ainda hoje, sobretudo em domínios como a ética e a política.

Então, o que caracteriza a lógica? Uma vez que a lógica não é apenas argumento válido, mas também reflexão sobre os princípios da validade, esta só aparecerá naturalmente quando já existe à disposição um corpo considerável de inferências ou argumentos. A investigação lógica, a de pura narrativa, não é suscitada por qualquer tipo de linguagem. A linguagem literária, por exemplo, não fornece suficiente material de argumentos e inferências. As investigações em que se pretende ou procura uma demonstração é que naturalmente dão origem à reflexão lógica, uma vez que demonstrar uma proposição é inferi-la validamente de premissas verdadeiras.” (SEED-Pr, 2006, p. 77-78).

ATIVIDADES:

1. Faça uma pesquisa na internet e encontre definições e usos em textos ou exercícios dos seguintes termos: juízo, premissa, argumento, proposição, conclusão, sofisma e silogismo. (SEED-PR, 2006, p. 78).

Juízo: faculdade de avaliar os seres e as coisas; julgamento. É a operação mental que consiste em estabelecer uma relação determinada entre dois ou mais termos. Todo juízo é, necessariamente, ou verdadeiro ou falso.
Premissa: significa proposição, isto é, o que vem antes. É a proposição que tem a função, no raciocínio, de fornecer dados, provas, informações, razões sobre algo ou alguém e serve de subsídio, contribui para a conclusão de um raciocínio.
Argumento: é um conjunto de enunciados que estão relacionados uns com os outros. Argumento é um raciocínio lógico.
Proposição: é uma frase informativa cujo conteúdo pode ser verdadeiro ou falso. Proposições são enunciados simples compostos de quantificador, termo/sujeito, cópula e termo/predicado. A proposição é o enunciado de um juízo através do qual um predicado é atribuído a um determinado sujeito.
Conclusão: A conclusão, no raciocínio, é uma proposição que fornece uma informação a partir dos subsídios, da contribuição, das premissas. Veja que a conclusão é uma consequência lógica das premissas.
Sofisma: O sofisma é um raciocínio inválido que ocorre com o objetivo de enganar. O sujeito que usa o sofisma está consciente, pois sabe que usa um raciocínio inválido. O sujeito que usa o sofisma tem a intenção de enganar.
Silogismo: O silogismo é um tipo de argumento dedutivo cuja forma básica contém duas premissas e uma conclusão que se segue delas.

2. (Vunesp/TJ-SP – 2017) Sabendo que é verdadeira a afirmação: “Todos os alunos de Fulano foram aprovados no concurso”, então é necessariamente verdade:
a) Fulano não foi aprovado no concurso.
b) Fulano foi aprovado no concurso.
c) Se Roberto não é aluno de Fulano, então ele não foi aprovado no concurso.
d) Se Carlos não foi aprovado no concurso, então ele não é aluno de Fulano.
e) Se Elvis foi aprovado no concurso, então ele é aluno de Fulano.
Resposta: d

3. Três homens, Luís, Carlos e Paulo, são casados com Lúcia, Patrícia e Maria, mas não sabemos quem é casado com quem. Eles trabalham com engenharia, Advocacia e Medicina, mas também não sabemos quem faz o quê. Com base nas dicas abaixo, tente descobrir o nome de cada esposa e a profissão de cada um.
a) O médico é casado com Maria.
b) Paulo é advogado.
c) Patrícia não é casada com Paulo.
d) Carlos não é médico.

Resposta:

Portanto, Luís é médico e casado com Maria; Paulo é advogado e casado com Lúcia; Carlos é engenheiro e casado com Patrícia.