LÓGICA
Texto de estudo: Lógica
Aristotélica
“A teoria do conhecimento
se caracteriza por uma preocupação com a busca de princípios gerais que
permitam formular crenças verdadeiras sobre a realidade. Essa ideia está
presente na obra de Platão e é, em larga medida, o que caracteriza também o
pensamento de Aristóteles. É com Aristóteles que a filosofia ganha uma
consciência mais definida acerca do método a ser adotado quando o assunto é o
conhecimento” (SEED-Pr, 2006, p. 74).
“Antes de Aristóteles não
houve nenhum filósofo que se preocupasse com a formalização de regras que
pudessem garantir a validade de raciocínios e argumentos. Este é propriamente o
objeto da lógica. Como destaca Zingano (ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: os
caminhos do conhecimento. São Paulo: Odysseus, 2002), para Aristóteles era mais
desafiante encontrar uma forma de organizar a massa de dados do conhecimento do
que propriamente reuni-los.
Nesse sentido,
Aristóteles percebeu que se fazia necessária uma classificação dos conhecimentos:
ele dividiu as ciências em teóricas (matemática, física e metafísica), práticas
(ética e política) e produtivas (agricultura, metalurgia, culinária, pintura,
engenharia, etc.). Mas o filósofo também concluiu que é fundamental estudar o
procedimento correto que deve orientar uma investigação em qualquer destas
áreas. Foi então que nasceu a lógica, conjunto de regras formais que servem
para ensinar a maneira adequada de se produzir argumentos, raciocínios,
proposições, frases e juízos.
Aristóteles em vida não
pôde organizar sua obra. Essa tarefa ficou a cargo de seus alunos. Os escritos
que tratavam do raciocínio foram reunidos num único volume que recebeu o título
de Organon, literalmente ‘instrumento’. O Organon é um conjunto de diferentes
tratados (exposição sistemática de um tema): Categorias, Tópicos, Dos
Argumentos Sofísticos, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos e Da
Interpretação.
Segundo o historiador da
filosofia Giovanni Reale, Aristóteles sabia que estava sendo pioneiro quando
começou a estudar uma forma de argumentação chamada silogismo. Por meio das análises
que o filósofo fazia de textos de sofistas, de Sócrates e do pensamento de
Platão, a lógica aristotélica:
(...) assinala o momento
no qual o logos filosófico, depois de ter amadurecido completamente através da
estruturação de todos os problemas, como vimos, torna-se capaz de pôr-se a si mesmo
e ao próprio modo de proceder como problema e assim, depois de ter aprendido a raciocinar,
chega a estabelecer o que é a própria razão, ou seja, como se raciocina, quando
e sobre o que é possível raciocinar (REALE, G; ANTISERI, D. História da
Filosofia. Vol. I. São Paulo: Paulus, 1991).
Aristóteles chegou num
ponto em que não se tratava mais de desenvolver conteúdos filosóficos, mas de
examinar a forma como a razão procede. Durante séculos a humanidade dependeu
dos escritos de Aristóteles para estudar áreas tão distintas como a física e a metafísica.
Ao ensinar os princípios básicos do pensamento, Aristóteles forneceu à humanidade
regras de argumentação que permanecem válidas ainda hoje, sobretudo em domínios
como a ética e a política.
Então, o que caracteriza
a lógica? Uma vez que a lógica não é apenas argumento válido, mas também
reflexão sobre os princípios da validade, esta só aparecerá naturalmente quando
já existe à disposição um corpo considerável de inferências ou argumentos. A
investigação lógica, a de pura narrativa, não é suscitada por qualquer tipo de
linguagem. A linguagem literária, por exemplo, não fornece suficiente material
de argumentos e inferências. As investigações em que se pretende ou procura uma
demonstração é que naturalmente dão origem à reflexão lógica, uma vez que
demonstrar uma proposição é inferi-la validamente de premissas verdadeiras.”
(SEED-Pr, 2006, p. 77-78).
ATIVIDADES:
1. Faça uma pesquisa na
internet e encontre definições e usos em textos ou exercícios dos seguintes
termos: juízo, premissa, argumento, proposição, conclusão, sofisma e silogismo.
(SEED-PR, 2006, p. 78).
Juízo: faculdade de
avaliar os seres e as coisas; julgamento. É a operação mental que consiste em
estabelecer uma relação determinada entre dois ou mais termos. Todo juízo é,
necessariamente, ou verdadeiro ou falso.
Premissa: significa
proposição, isto é, o que vem antes. É a proposição que tem a função, no raciocínio,
de fornecer dados, provas, informações, razões sobre algo ou alguém e serve de
subsídio, contribui para a conclusão de um raciocínio.
Argumento: é um conjunto
de enunciados que estão relacionados uns com os outros. Argumento é um
raciocínio lógico.
Proposição: é uma frase
informativa cujo conteúdo pode ser verdadeiro ou falso. Proposições são enunciados
simples compostos de quantificador, termo/sujeito, cópula e termo/predicado. A
proposição é o enunciado de um juízo através do qual um predicado é atribuído a
um determinado sujeito.
Conclusão: A conclusão,
no raciocínio, é uma proposição que fornece uma informação a partir dos
subsídios, da contribuição, das premissas. Veja que a conclusão é uma
consequência lógica das premissas.
Sofisma: O sofisma é um
raciocínio inválido que ocorre com o objetivo de enganar. O sujeito que usa o
sofisma está consciente, pois sabe que usa um raciocínio inválido. O sujeito
que usa o sofisma tem a intenção de enganar.
Silogismo: O silogismo é
um tipo de argumento dedutivo cuja forma básica contém duas premissas e uma
conclusão que se segue delas.
2. (Vunesp/TJ-SP – 2017)
Sabendo que é verdadeira a afirmação: “Todos os alunos de Fulano foram
aprovados no concurso”, então é necessariamente verdade:
a) Fulano não foi
aprovado no concurso.
b) Fulano foi aprovado no
concurso.
c) Se Roberto não é aluno
de Fulano, então ele não foi aprovado no concurso.
d) Se Carlos não foi
aprovado no concurso, então ele não é aluno de Fulano.
e) Se Elvis foi aprovado
no concurso, então ele é aluno de Fulano.
Resposta: d
3. Três homens, Luís,
Carlos e Paulo, são casados com Lúcia, Patrícia e Maria, mas não sabemos quem é
casado com quem. Eles trabalham com engenharia, Advocacia e Medicina, mas
também não sabemos quem faz o quê. Com base nas dicas abaixo, tente descobrir o
nome de cada esposa e a profissão de cada um.
a) O médico é casado com
Maria.
b) Paulo é advogado.
c) Patrícia não é casada
com Paulo.
d) Carlos não é médico.
Resposta:
Portanto, Luís é médico e
casado com Maria; Paulo é advogado e casado com Lúcia; Carlos é engenheiro e
casado com Patrícia.
Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/
