sexta-feira, 25 de setembro de 2020

PET 3 - SEMANA 1, 2, 3 E 4 - 2º ANO EM - FILOSOFIA

PLANO DE ESTUDO TUTORADO – VOLUME 3

SEMANA 1

TEMA: Filosofia Moral; Liberdade e determinismo.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Compreender e analisar o conceito de liberdade em sua relação com o conceito de determinismo; Compreender que a liberdade humana se exerce em meio às determinações.

HABILIDADE(S): Refletir sobre as condições do agir humano.

SARTRE — “A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA’’.

Leia com atenção parte da música Ilusão de Ótica da banda Engenheiros do Hawaii.

“Sou cego, não nego

Enxergo quando puder

Só vejo obscuro objeto, desejo indireto

Será que você me entende?

Não se renda às evidências

Não se prenda à primeira impressão

O que não foi impresso

Continua sendo escrito à mão’’.

Fonte: Musixmatch.

Compositores: Humberto Gessinger.

Letra de Ilusão De Ótica © Warner/Chappell Edições Musicais Ltda.

Para Sartre o homem acaba vivendo em uma angústia entre a sua existência e a sua essência pois cria-se uma dualidade de primeiramente ser um corpo vazio que necessita construir-se e formar a sua própria existência, e então após ser em si, que ele poderá viver um contínuo processo de construção da sua essência de ser para si. Isso propicia uma liberdade de vivência mas junto com uma angústia de viver como um ser inacabado, uma indeterminação, um projeto a ser refeito conforme as suas escolhas e ser responsável por elas, mas sempre livre para se construir. 

ATIVIDADES:

1 — Qual a relação do verso da música “Não se prenda à primeira impressão” com a ideia de Sartre de que o homem é um ser inacabado?

Como existencialista, Sartre nos quer dizer que o homem primeiro existe no mundo e depois se realiza, se define por meio de suas ações e pelo que faz com sua vida, ou seja, a pessoa vai se construindo dia após dia. Na vida de Sartre, homem é condenado a se fazer homem, a cada instante de sua vida, pelo conjunto das decisões que adota no dia-a-dia. O homem não é um ser acabado, mas se constrói.

2 — Qual trecho da letra pode comparar com o fato de que quando criamos nossa essência não a enxergamos como realmente ela é?

O trecho Sou cego, não nego/ Enxergo quando puder/ Só vejo obscuro objeto, desejo indireto evidencia a dificuldade que o ser humano tem em reconhecer a sua essência como ela realmente é. Revela que o ser humano prefere ver o que quer do que se descobrir como realmente é na sua essência. 

3 — Para Sartre somos livres para existir e criar a nossa própria essência, hoje como as redes sociais influenciam nessa liberdade?

A influência das redes sociais na vida das pessoas é muito grande, e isso as impedem de descobrir a si mesmas e criar e viver sua própria essência. Nas redes sociais as pessoas são levadas a assumir determinados comportamentos e atitudes que muitas vezes não correspondem ao que elas são. Pela influência das redes sociais, as pessoas perdem um pouco de si mesma, não analisam suas ações e por vezes não são autênticas nas suas atitudes, aceitando e assimilando ideias e comportamentos de outros.

4 — A nossa essência é formada por conta da nossa existência por meios das nossas vivências e escolhas. Quais vivências suas formaram a sua essência?

A vivência na família, na escola, com os amigos. A aquisição de uma profissão e emprego. Todas as vivências e experiências na família, trabalho, estudos contribuíram para a formação da minha essência.

5 — Unioeste 2012) “O que significa aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. (...) O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. (...) Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de por todo o homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade de sua existência. (...) Quando dizemos que o homem se escolhe a si, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser”. (Sartre)

Considerando a concepção existencialista de Sartre e o texto acima, é incorreto afirmar que:

a) O homem é um projeto que se vive subjetivamente.

b) O homem é um ser totalmente responsável por sua existência.

c) Por haver uma natureza humana determinada, no homem a essência precede a existência.

d) o homem é o que se lança para o futuro e que é consciente deste projetar-se no futuro.

e) em suas escolhas, o homem é responsável por si próprio e por todos os homens, porque, em seus atos, cria uma imagem do homem como julgamos que deve ser.

Resposta: c

6 — (Uema 2011) O tema da liberdade é discutido por muitos filósofos. No existencialismo francês, Jean-Paul Sartre, particularmente, compreende a liberdade enquanto escolha incondicional. Entre as afirmações abaixo, a única que está de acordo com essa concepção de liberdade humana é:

a) O homem primeiramente tem uma essência divinizada e depois uma existência manifestada na história de sua vida.

b) O homem não é mais do que aquilo que a sociedade faz com ele.

c) O homem primeiramente existe porque sendo consciente é um ser em si e para o outro.

d) O homem é determinado por uma essência superior, que é o Deus da existência, pois, primeiramente não é nada.

e) O homem primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.

Resposta: e

AYN RAND: A FILOSOFIA DO INDIVÍDUO E DO LIVRE ARBÍTRIO.

1 — A filósofa Ayn Rand é autora da obra A Revolta de Atlas, que se tornou o segundo livro mais lido nos EUA, atrás apenas da Bíblia. Suas frases são potentes e suas ideias são focadas no indivíduo enquanto motivação e motor de si mesmo, portanto, dotado da racionalidade e do livre-arbítrio para usá-la em suas ações; inclusive, respondendo pelos seus atos irracionais, uma vez que agir irracionalmente é uma escolha própria.

“Muitas pessoas não são cegas, mas recusam-se a ver; não são ignorantes, mas recusam-se

a saber. É o ato de tirar de foco a mente para fugir da responsabilidade do discernimento.

É como se o fato de não pensar em algo o fizesse desaparecer. O não pensar é um ato de aniquilamento, uma tentativa de apagar a realidade, de negar a existência. Porém “A é igual a A”, a existência existe, a realidade não se deixa apagar, mas acaba apagando aquele que deseja apagá-la. Quem se recusa a dizer “é”, se recusa a dizer “sou”. Quem não utiliza seu discernimento nega a si próprio. O homem que afirma “quem sou eu para saber” está afirmando “quem sou eu para ser, para existir, para viver”.

RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. São Paulo: Arqueiro, 2017.

 a) O que você entende da frase “fugir da responsabilidade do discernimento?”

O “fugir da responsabilidade do discernimento” é fugir da sua capacidade pensar, raciocinar, agir, refletir. É deixar de analisar determinadas coisas ou situações. É não buscar fazer o bom juízo das coisas, é não ter clareza.

b) Comente a importância que Rand dá ao uso da racionalidade a partir da frase: “Quem não utiliza seu discernimento nega a si próprio”.

O uso da razão, do ato de pensar, é fundamental para o ser humano fazer suas escolhas e determinar suas atitudes. Se a pessoa não tem discernimento ou não assume essa responsabilidade de pensar por si própria, ela está negando a si mesma, e deixando que outros decidam por ela. A racionalidade é importante porque nos permite desenhar nos próprios caminhos, de acordo com as nossas decisões e escolhas.

2 — O pensamento de Étienne de La Boétie, escrito em Discurso da Servidão Voluntária (1563), encontra ressonância nos pensamentos de Ayn Rand, que muito fala sobre o livre-arbítrio. Leia os dois trechos abaixo. O primeiro é de La Boétie e o segundo de Rand.

“Temos de preparar o cavalo desde quando nasce para acostumá-lo a servir. Entretanto, nossos carinhos não o impedem de morder o freio e resistir à espora quando queremos domá-lo. Quer manifestar com isso, ao que parece, que não se submete com agrado, mas porque o forçamos. O que dizer ainda? Até os bois gemem sob o peso do jugo, e os pássaros se lamentam na gaiola”. LA BOÉTIE, Etienne de. Discurso da Servidão Voluntária. São Paulo: Martin Claret, 2009.

“Juro por minha vida e por meu amor à vida que jamais viverei por outro homem, nem pedirei a outro homem que viva por mim”. RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. São Paulo: Arqueiro, 2017.

a) Com suas palavras, apresente uma justificativa que mostre que o pensamento de La Boétie está alinhado às ideias de Rand.

O pensamento de Boétie está alinhado à ideias de Rand no que diz respeito a capacidade que o ser humano tem de fazer suas escolhas e de trilhar seus próprios caminhos. O ser humano não pode viver subjugado por outro ou viver pelo outro, sendo assim ele seria como um animal domesticado. Na visão de Boétie e Rand, o ser humano deve buscar construir a sua vida baseada na sua plena liberdade de escolher e decidir. 

b) Ambos os autores apresentam o livre-arbítrio como conceito máximo ou relativo?

Ambos os autores, Boétie e Rand, apresentam o livre-arbítrio como o conceito máximo. Como algo importantíssimo para a vida e formação do ser humano.

 

PLANO DE ESTUDO TUTORADO – VOLUME 3

SEMANA 2

TEMA: Filosofia Moral; Agir e poder.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Entender e analisar o conceito de Dasein (ser-aí) e morte na filosofia do pensador alemão Martin Heidegger; Compreender a angústia e o medo como parte da existência humana.

HABILIDADE(S): Refletir sobre as condições do agir e existir humano.

O SER PARA A MORTE

Por Martin Heidegger* 

“A morte não é de fato uma simples presença que ainda não foi atuada, não é um faltar último reduzido ad minimum, mas é, antes de tudo, uma iminência que ameaça. (…) Porém, pode ameaçar o ser-aí, por exemplo, também uma viagem, uma explicação com outros, a renúncia a algo que o próprio ser-aí pode ser: possibilidades, estas, que pertencem ao ser-aí e que se baseiam no ser com os outros.

A morte é uma possibilidade de ser que o próprio ser-aí deve sempre assumir por si. Na morte o ser-aí ameaça a si próprio em seu poder-ser mais próprio. Nessa possibilidade isso ocorre para o ser-aí puramente e simplesmente por causa de seu ser-no-mundo. A morte é para o ser-aí a possibilidade de não-poder-mais-ser-aí. Como nessa possibilidade o ser-aí ameaça a si próprio, ele é completamente remetido ao próprio poder-ser mais próprio. Esta possibilidade absolutamente própria e incondicionada é, ao mesmo tempo, a extrema. A morte é a possibilidade da pura e simples impossibilidade mais própria, incondicionada e insuperável. Como tal é iminência ameaçadora específica. (…)

Esta possibilidade mais própria, incondicionada e insuperável, o ser-aí não a cria acessória e ocasionalmente no decurso de seu ser. Se o ser-aí existe, já é também jogado nessa possibilidade. Em primeiro lugar e em geral o ser-aí não tem nenhum ‘conhecimento’, explícito e teórico, de estar entregue à morte e que esta faça parte de seu ser-no-mundo. O ser-jogado na morte se lhe revela do modo mais originário e penetrante na situação emotiva da angústia. A angústia diante da morte é angústia ‘diante’ do poder-ser mais próprio, incondicionado e insuperável. (…) A angústia não deve ser confundida com o medo diante do falecimento. Ela não é de modo nenhum uma tonalidade emotiva de ‘depressão’, contingente, casual à mercê do indivíduo: enquanto situação emotiva fundamental do ser-aí, ela constitui a abertura do ser-aí ao seu existir como ser-jogado no poder-ser mais próprio, incondicionado e insuperável, e se aprofunda a diferença em relação ao simples desaparecer, ao puro deixar viver e à ‘experiência vivida’ do falecimento.

O ser-para-o-fim não é o resultado de uma deliberação repentina e irregular, mas faz parte essencial do ser-jogado do ser-aí, tal como se revela, em um ou outro modo, na situação emotiva (…).

A interpretação pública do ser-aí diz: ‘morre-se’; mas, como se alude sempre a cada um dos outros e a nós na forma do ser anônimo, subtende-se: de vez em quando não sou eu. Com efeito, o ser é o ninguém. O ‘morre’ é de tal modo nivelado a um evento que certamente se refere ao ser-aí, mas não concerne a ninguém propriamente. Nunca como neste discurso a respeito da morte torna-se claro que o palavreado é acompanhado sempre do equívoco. O morrer, que é meu de modo absolutamente insubstituível, confunde-se com um fato de comum acontecimento que sucede ao ser. Esse discurso típico fala da morte como de um ‘caso’ que tem lugar continuamente. Ele faz passar a morte como algo que é sempre já ‘acontecido’, ocultando seu caráter de possibilidade e, portanto, as características de incondicionabilidade e insuperabilidade. Com esse equívoco o ser-aí coloca-se na condição de perder-se no ser justamente em relação ao poder-ser que mais do que qualquer outro constitui seu si-próprio em relação ao ser-para-a-morte mais próprio.

(…) Existindo para a própria morte, ele [o ser-aí] morre efetiva e constantemente até que não tenha chegado a seu próprio falecimento. Que o ser-aí morra efetivamente significa, além disso, que ele já sempre decidiu, de um ou outro modo, quanta a seu ser-para-a-morte. O desvio cotidiano e degenerativo diante da morte é o inautêntico. Mas a inautenticidade tem na sua base a autenticidade possível. A inautenticidade caracteriza um modo de ser em que o ser-aí pode extraviar-se – e no mais das vezes se extraviou -, mas no qual não é obrigado a se extraviar necessária e constantemente.”

*HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. In REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. vol 6: De Nietzsche à Escola de Frankfurt. São Paulo: Paulus, 2006. p. 211

 

Dicionário filosófico 

Dasein

Dasein. Alemão: existência, ser-aí. Termo heideggeriano que significa realidade humana, ente humano, a quem somente o ser pode abrir-se. Mas como é ambíguo, correndo o risco de abrir uma brecha para o humanismo, Heidegger prefere usar o termo ser-aí. Na linguagem corrente, Dasein quer dizer existência humana. Mas Heidegger procura pensar o que separa o homem dos outros entes. Enquanto os entes são fechados em seu universo circundante, o homem é, graças à linguagem, aí onde vem o ser. Assim, o Dasein é o ser do existente humano enquanto existência singular e concreta: “A essência do ser-aí (Dasein) reside em sua existência (Existenz), isto é, no fato de ultrapassar, de transcender, de ser originariamente ser-no-mundo.” (1) 

(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

ATIVIDADES:

1 — De acordo com o texto o que é a morte?

De acordo com o texto, a morte é uma iminência que ameaça o ser-aí. A morte é uma possibilidade de ser que o próprio ser-aí deve sempre assumir por si. Na morte o ser-aí ameaça a si próprio em seu poder-ser mais próprio. A morte é para o ser-aí a possibilidade de não-poder-mais-ser-aí.

2 — No texto a morte é caracterizada pelos termos incondicionalidade e insuperabilidade. Defina esses termos.

Incondicionalidade: Qualidade ou estado do que é incondicional, daquilo que não pode ser restringido ou limitado por qualquer circunstância; ausência de condição.

Insuperabilidade: Caráter ou qualidade de insuperável. Remete ao que não se consegue superar; que não pode ser ultrapassado.

3 — O texto mostra que a morte deve ser vivida como experiência antecipadora. Explique:

Se existimos enquanto ser, a morte é uma possibilidade e não podemos negligencia-la. Se existimos, a nossa existência é marcada pelo fato que vamos morrer, por isso devemos ter consciência disso na nossa vida. O ser-aí é também um ser-para-a-morte. Nesse sentido, a morte nos mostra que somos finitos em nossa existência, e que reconhecendo isso possamos projetar e construir as nossas vidas da melhor forma possível.

4 — Descreva as sensações que a morte provoca:

a) Angústia: é um sentimento que nos aflige e incomoda o nosso ser.

b) Medo: é um sentimento de ansiedade, de alerta e perigo, de inquietude.

c) Renúncia: é uma sensação ou sentimento de rejeitar algo, abandonar; deixar de possuir, abdicar.

d) Perda: é um ato ou acontecimento de perder ou ser privado de algo que possuía. Deixar de ter ou possuir algo.

 

PLANO DE ESTUDO TUTORADO – VOLUME 3

SEMANA 3 e 4

TEMA: Estética e Filosofia da arte.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Analisar o conceito de estética; Entender a Filosofia da arte como forma de interpretação da realidade.

HABILIDADE(S): Refletir sobre as manifestações da arte na filosofia e na existência do ser humano. 

O QUE É ESTÉTICA NA FILOSOFIA?

Pedro Menezes. Professor de Filosofia. Disponível: https://www.todamateria.com.br/estetica/ 

A Estética, também chamada de Filosofia da Arte, é uma das áreas de conhecimento da filosofia. Tem sua origem na palavra grega aisthesis, que significa “apreensão pelos sentidos”, “percepção”.

É uma forma de conhecer (apreender) o mundo através dos cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato).

Importante saber que o estudo da estética, tal como é concebido hoje, tem sua origem na Grécia antiga. Entretanto, desde sua origem, os seres humanos mostram possuir um cuidado estético em suas produções.

Das pinturas rupestres, e os primeiros registros de atividade humana, ao design ou à arte contemporânea, a capacidade de avaliar as coisas esteticamente parece ser uma constante.

Mas, foi por volta de 1750, que o filósofo Alexander Baumgarten (1714-1762) utilizou e definiu o termo “estética” como sendo uma área do conhecimento obtida através dos sentidos (conhecimento sensível).

A estética passou a ser entendida, ao lado da lógica, como uma forma de conhecer pela sensibilidade.

Desde então, a estética se desenvolveu como área de conhecimento. Hoje, é compreendida como o estudo das formas de arte, dos processos de criação de obras (de arte) e em suas relações sociais, éticas e políticas. 

Kant e o Juízo de Gosto

O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) propôs uma importante mudança no que diz respeito à compreensão da arte. O filósofo tomou três aspectos indissociáveis que possibilitam a arte como um todo.

É a partir do pensamento do filósofo que a arte assume o seu papel como instrumento de comunica­ção. Para ele, a existência da arte depende de:

·                    o artista, como gênio criador;

·                    a obra de arte com sua beleza;

·                    o público, que recebe e julga a obra.

Kant desenvolve uma ideia de que o gosto não é tão subjetivo como se imaginava. Para haver gosto, é necessário que haja educação e a formação desse gosto.

O artista, por sua vez, é compreendido como gênio criador, responsável por reinterpretar o mundo e alcançar a beleza através da obra de arte.

Seguindo a tradição iluminista, que busca o conhecimento racional como forma de autonomia, o filósofo retira a ideia do gosto como algo indiscutível. Ele vai contra a ideia de que cada pessoa possui o seu próprio gosto.

Para Kant, apesar da subjetividade do gosto, há a necessidade de universalizar o juízo de gosto a partir da adesão de outros sujeitos a um mesmo julgamento.

O filósofo buscou resolver essa questão através da ideia de que para alguma coisa ser considerada bela, é necessário antes, compreender o que ela realmente é. Sendo assim, a educação seria responsável pela compreensão da arte e, a partir daí, a formação do gosto.

Escola de Frankfurt

Um importante ponto de mudança no estudo da estética foi introduzido por uma série de pensadores da Universidade de Frankfurt, na Alemanha.

Dentre esses pensadores destacam-se Walter Benjamin, Theodor Adorno e Max Horkheimer, que influenciados pelo pensamento de Karl Marx, tecem duras crítica ao capitalismo e seu modo de produção.

A partir desse pensamento, Walter Benjamin (1892-1940) publica uma importante obra chamada A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica (1936).

Nela, o filósofo afirma que a possibilidade de reproduzir obras de arte faria com que ela perdesse sua “aura” de originalidade, unicidade e de exclusividade das aristocracias.

Essa mudança poderia permitir o acesso à obra de arte pela classe trabalhadora, que antes estaria excluída.

Por outro lado, dentro do sistema capitalista, a reprodução técnica da arte centraria seus esforços no lucro gerado pela distribuição massiva de reproduções. O valor da obra é transportado para sua capacidade de ser reproduzida e consumida.

Benjamin chama a atenção para o apelo à exposição e fala sobre uma nova forma de cultura que busca reproduzir a estética da arte. A política e a guerra, por exemplo, passam a suscitar emoções, e paixões, que antes eram próprias da arte, através da propaganda e dos espetáculos de massa.

Esse tipo de força estética pode ser observado na propaganda, nas paradas militares e nos discursos que continham uma multidão presente, realizados pelo partido nazista. 

A Estética nos dias de Hoje

A estética, desde sua relação com o belo entre os gregos, sua definição como área do conhecimento por Baumgarten, até os dias de hoje, vem se transformando e buscando compreender os principais fatores que levam os indivíduos a possuírem um “pensamento estético”.

A filosofia e a arte encontram-se na estética. Muitos são os pensadores que, ao longo do tempo, fizeram essa união como modo de compreender uma das principais áreas de conhecimento e atividade humana.

Hoje em dia, boa parte das teorias estéticas são produzidas, também, por artistas que visam unir a prática e a teoria na produção do conhecimento.

ATIVIDADES:

1 — Explique a origem da Estética.

Estética tem sua origem na palavra grega aisthesis, que significa “apreensão pelos sentidos”, “percepção”. É uma forma de conhecer (apreender) o mundo através dos cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato). Na Grécia, a Estética surgiu como uma matéria de filosofia juntamente com a lógica e a ética, formando assim o conceito do bom e do belo para os valores morais do homem.

2 — De acordo com Kant como o artista é compreendido?

De acordo com Kant, o artista é compreendido como gênio criador, responsável por reinterpretar o mundo e alcançar a beleza através da obra de arte.

3 — Quais pensadores destacaram-se na Universidade de Frankfurt? Qual a crítica deles quanto ao capitalismo?

Na Universidade de Frankfurt destacaram-se os pensadores Walter Benjamin, Theodor Adorno e Max Horkheimer. Influenciados pelo pensamento de Karl Marx, tecem duras crítica ao capitalismo e seu modo de produção. Eles afirmaram que dentro do sistema capitalista, a reprodução técnica da arte centraria seus esforços no lucro gerado pela distribuição massiva de reproduções. O valor da obra é transportado para sua capacidade de ser reproduzida e consumida.

4 — Como os pensadores usaram a união da Filosofia e da Arte na Estética?

A filosofia e a arte encontram-se na estética. Muitos são os pensadores que, ao longo do tempo, fizeram essa união como modo de compreender uma das principais áreas de conhecimento e atividade humana. Hoje em dia, boa parte das teorias estéticas são produzidas, também, por artistas que visam unir a prática e a teoria na produção do conhecimento.

5 — Quais tipos de artes você tem feito ou visto nesse período de isolamento?

Os tipos de artes que temos feito e visto são as leituras de livros, as apresentações musicais, visitas a museus virtuais.

6 — Nesse período de isolamento as ARTES seja pela música, pelos livros ou por visitas virtuais a museus tem sido a companhia diária de todos. Escreva uma dissertação explicando o uso das Artes nesse momento e o quanto influencia as nossas vidas.

As artes nesse momento de pandemia são importantes para anemizar um pouco do momento difícil em que vivemos, em que vários sentimentos perturbam a nossa alma, como a angústia, o medo, a ansiedade e muitas vezes a perda. Nesse sentindo a arte, principalmente pela música pode nos trazer uma certa tranquilidade e alento.

7 — (Unesp 2015) A fonte do conceito de autonomia da arte é o pensamento estético de Kant. Praticamente tudo o que fazemos na vida é o oposto da apreciação estética, pois praticamente tudo o que fazemos serve para alguma coisa, ainda que apenas para satisfazer um desejo. Enquanto objeto de apreciação estética, uma coisa não obedece a essa razão instrumental: enquanto tal, ela não serve para nada, ela vale por si. As hierarquias que entram em jogo nas coisas que obedecem à razão instrumental, isto é, nas coisas de que nos servimos, não entram em jogo nas obras de arte tomadas enquanto tais. Sendo assim, a luta contra a autonomia da arte tem por fim submeter também a arte à razão instrumental, isto é, tem por fim recusar também à arte a dimensão em virtude da qual, sem servir para nada, ela vale por si. Trata-se, em suma, da luta pelo empobrecimento do mundo. (Antônio Cícero. “A autonomia da arte”. Folha de São Paulo, 13.12.2008. Adaptado.)

De acordo com a análise do autor:

a) a racionalidade instrumental, sob o ponto de vista da filosofia de Kant, fornece os fundamentos para a apreciação estética;

b) um mundo empobrecido seria aquele em que ocorre o esvaziamento do campo estético de suas qualidades intrínsecas;

c) a transformação da arte em espetáculo da indústria cultural é um critério adequado para a avaliação de sua condição autônoma;

d) o critério mais adequado para a apreciação estética consiste em sua validação pelo gosto médio do público consumidor;

e) autonomia dos diversos tipos de obra de arte está prioritariamente subordinada à sua valorização como produto no mercado.

Resposta: b

8 — (Uel 2007) “Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a aura dessas montanhas, desse galho. Graças a essa definição, é fácil identificar os fatores sociais específicos que condicionam o declínio atual da aura. Ele deriva de duas circunstâncias, estreitamente ligadas à crescente difusão e intensidade dos movimentos de massas. Fazer as coisas “ficarem mais próximas” é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através da sua reprodutibilidade”. Fonte: BENJAMIN, W. “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”. In: Magia e Técnica, Arte e Política. Obras Escolhidas. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 170.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Benjamin, assinale a alternativa correta:

a) Ao passar do campo religioso ao estético, a obra de arte perdeu sua aura.

b) Ao se tornarem autônomas, as obras de arte perderam sua qualidade aurática.

c) O declínio da aura decorre do desejo de diminuir a distância e a transcendência dos objetos artísticos.

d) O valor de culto de uma obra de arte suscita a reprodutibilidade técnica.

e) O declínio da aura não tem relação com as transformações contemporâneas.

Resposta: c

Fonte: SEE-MG. Acesse: https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/ .